Marguerite de Gourbillon
| Marguerite de Gourbillon | |
|---|---|
![]() Retrato de Marguerite de Gourbillon, por Marie-Louise-Élisabeth Vigée-Lebrun (1792). | |
| Nascimento | 24 de dezembro de 1737 Gray |
| Morte | 11 de dezembro de 1817 (79 anos) former 2nd arrondissement of Paris |
| Cidadania | França |
| Filho(a)(s) | Joseph-Antoine de Gourbillon |
| Ocupação | dama de companhia, leitor |
Jeanne-Marguerite de Gourbillon, nascida Gallois (Gray, Haute-Saône, 24 de dezembro de 1737 – Paris, 11 de dezembro de 1817)[1] foi uma nobre francesa. Ela foi dama de companhia, leitora e favorita de Maria Josefina, condessa da Provença, esposa do futuro rei Luís XVIII da França.
Biografia
Nascida em uma família de comerciantes em Gray, Haute-Saône, Jeanne-Marguerite Gallois casou-se com o nobre Charles-Florent de Gourbillon, que era oficial do posto em Lille, em 1763.
Vida na corte

Em 1785, ela foi nomeada lectrice (leitora) de Maria Josefina, condessa da Provença, esposa do irmão rei Luís XVI da França. Marguerite de Gourbillon desenvolveu uma relação muito próxima e íntima com Maria Josefina, que pode ou não ter sido física. Já em 1780, havia rumores em libelos de que Maria Josefina era lésbica, já que dizia-se que sua dama de companhia, Anne de Balbi, desempenhava o mesmo papel para ela que Madame de Polignac desempenhava para a rainha (sugerindo um relacionamento sexual, pois dizia-se que de Polignac era amante da rainha).[2]
Após o seu marido, o conde de Provença iniciar seu relacionamento com Anne de Balbi, Maria Josefina se isolou com suas damas de companhia, e Gourbillon passou a ter uma relação tão íntima com ela que chamou atenção. Supostamente, Gourbillon tinha tanta certeza do afeto de Maria Josefina que se tornou provocativa e dizia-se que dominava Maria Josefina e sua casa, sendo observado que passavam noites inteiras sozinhas.[2] Gourbillon era suspeita de "corromper" Maria Josefina e de induzi-la a beber ou, pelo menos, de fornecer-lhe álcool.[2]
Exílio
O conde da Provença não gostava da influência que ela exercia sobre sua esposa. Em fevereiro de 1789, ele socilitou com sucesso ao seu irmão, Luís XVI, que emitisse uma lettre de cachet, banindo Gourbillon para Lille, junto ao marido. Isso ocorreu após um incidente que convenceu o rei de que Gourbillon exercia uma influência corruptora sobre Maria Josefina. Uma noite, o rei e o conde de Provença encontraram Gourbillon em um corredor carregando um pote que ela tentava esconder, e que se descobriu conter álcool.[2]
No entanto, seu banimento foi apenas temporário, e em 1790, ela pôde retornar ao seu cargo.
Em junho de 1791, Gourbillon acompanhou Marie Josefina no exílio para Alemanha durante a Revolução Francesa. Durante o período de exílio, o conde e a condessa brigavam constantemente. Alguns historiadores sugerem que o possível relacionamento lésbico de Maria Josefina com uma dama de companhia foi a principal causa de discórdia entre o casal.[3]
Em 1795, após a morte do jovem Luís XVII, o conde da Provença proclamou-se rei da França sob o nome de Luís XVII, e sua esposa, Maria Josefina, tornou-se rainha de jure da França. Durante seu exílio na Rússia, a pedido do rei, o czar Paulo I proibiu Gourbillon de entrar em território russo. Maria Josefina reagiu veementemente e insistiu na presença de sua leitora.
Em março de 1800, ao saber que Madame de Gourbillon acabara de chegar a São Petersburgo, Luís XVIII escreveu de Mittau ao confessor de seu falecido irmão Luís XVI, o Abade Edgeworth:
"Por mais de quinze anos, essa mulher gozou do favor da rainha [Josefina, rainha de jure]. Eu havia notado que ela estava abusando desse favor e se comportando de maneira indecorosa, e em 1789, obtive uma ordem do rei, meu irmão, para que ela se juntasse ao marido em Lille. Como a Revolução anulou o efeito dessa ordem, não pude me opor ao seu retorno e apenas esperei que essa lição a tivesse reformado. Mas logo percebi que estava enganado e, em 1790, usei o único poder que me restava: o de proibir sua entrada em minha casa.
Após alguns meses, a rainha pressionou-me tanto e por tantos meios para obter o seu retorno que não pude recusar-lhe, e embora esta condescendência me tenha causado muita dor, não me arrependo, pois foi nessa altura que ela me prestou um serviço ao acompanhar a rainha na sua fuga, um serviço cuja memória a sua própria conduta não conseguiu apagar e que por muito tempo permaneceu na minha mente. Mas, no fim, o meu dever e o meu apego à rainha prevaleceram. Era necessário (...) afastar uma mulher cuja insolência crescia diariamente, que era fonte de escândalo para todos os que a testemunhavam, que parecia usar a benevolência de uma senhora excessivamente permissiva apenas para a degradar, perdendo, a cada instante, o respeito e até mesmo a aparência de decência.
Esses fatos foram atestados não apenas por aqueles que estavam próximos da rainha durante nossa separação, mas também pela opinião pública, por todos aqueles que as viram juntas, mesmo que por apenas um minuto. À sua insolência, essa mulher acrescenta um motivo sórdido; pois (...) está comprovado que, além dos fundos que contrabandeou para a Inglaterra, ela extorquiu da rainha uma nota promissória de quatrocentas mil libras. (...) Também me falaram de somas consideráveis de diamantes que passaram por suas mãos."
Gourbillon mais tarde conseguiu se vingar convencendo o czar a expulsar o rei de jure e sua corte da Rússia em 1801.[3]
Quando Maria Josefina partiu para a Grã-Bretanha em 1808, Gourbillon a seguiu e se estabeleceu em Londres, onde fez repetidas tentativas de se reunir com Maria Josefina. O marido de Maria Josefina, no entanto, recusou-se a permitir e não a recebeu.
Referências
- ↑ «Gourbillon, Marguerite de (1737 - 1817)». Consultado em 15 de janeiro de 2013
- ↑ a b c d Jennifer Evans & Alun Withey, New Perspectives on the History of Facial Hair: Framing the Face. Palgrave Macmillan, 2018, pp. 213-248
- ↑ a b Nagel, Susan. Marie-Therese, Child of Terror: The Fate of Marie Antoinette's Daughter, 2008
- ↑ Alexis Donnet, Histoire de l'Émigration pendant la Révolution française, Hachette (1907), pp. 238-244
