Margem equatorial brasileira

Mapa geográfico da margem equatorial brasileira

A margem equatorial brasileira (MEB [1][2][3]) corresponde ao trecho brasileiro da margem equatorial sul-americana. [4][5] Estende-se da foz do rio Oiapoque ao litoral norte do Rio Grande do Norte e inclui as cinco bacias sedimentares que se formam nas margens continentais passivas, ao longo da costa norte-nordeste:[4]

Apesar da relativa carência de conhecimento geológico, a MEB é considerada uma fronteira com reservas significativas de combustíveis fósseis, tornando-se foco de projetos da Petrobrás para exploração em múltiplos pontos.[6]

Já a margem equatorial sul-americana corresponde à projeção marítima das fronteiras internacionais da Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa e Brasil, abrangendo as respectivas zonas econômicas exclusivas.[4]

Ampliação da plataforma continental brasileira

Em maio de 2004, o Brasil pleiteou à Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da Organização das Nações Unidas (ONU) a expansão da sua plataforma continental para além das 200 milhas náuticas autorizadas pelas autoridades internacionais, totalizando um aumento de 2 094 656,59 km², que elevaria a área total para 5 669 852,41 km².[7][8][9] Isso daria ao país o direito de explorar os recursos existentes no subsolo marinho, numa área significativamente maior. A CLPC é um organismo internacional, criado sob a égide da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar e ao qual cabe examinar e decidir sobre as reivindicações dos países costeiros quanto ao estabelecimento dos limites exteriores de suas plataformas continentais, inclusive expansão de suas áreas de soberania. Na proposta do Brasil, a margem continental brasileira foi dividida em três áreas:[9]

  • Região Sul
  • Margem Equatorial
  • Margem Oriental-Meridional

Inicialmente, a CLPC aceitou apenas parte da proposta, de forma que os representantes brasileiros entregaram uma proposta revista, em 8 de setembro de 2017.[8] Em março de 2019, a CLPC aprovou a reivindicação brasileira para a Região Sul.[9] Em 26 de março de 2025, foi aceita a reivindicação brasileira referente à região da Margem Equatorial, ficando assim reconhecidos os direitos do Brasil a uma área de 360 mil quilômetros quadrados.[10] A proposta para a Margem Oriental-Meridional está em análise pela CLPC.[11]

Setor norte

O setor norte da margem continental brasileira (MCBN) é uma região da plataforma continental localizado no litoral norte do Brasil, entre o Cabo Orange, no Amapá, e o Cabo Calcanhar, no Rio Grande do Norte. Sua área é de aproximadamente 360 mil km².[12][13] As principais bacias correspondem aos rios Amazonas e Pará. Ao longo da MCBN encontram-se feições geomorfológicas constituídas como vales e bancos arenosos submarinos, cânions dos rios Amazonas e Pará, ao largo do Amapá e dos golfões Amazônico e Maranhense. Essas feições, principalmente cânions e bancos de areia, estão em locais com alta energia de maré, fazendo com que as feições costeiras avancem para a plataforma interna.[14] A plataforma externa, próxima ao cânion do Amazonas é caracterizada por bancos arenosos com fundos carbonáticos e lamas continentais. A margem continental brasileira é do tipo passiva, compreendendo plataforma continental, talude continental e elevação continental antes da planície abissal.[15] O clima da MCBN é quente e úmido, o que favorece a grande descarga de sedimentos terrígenos pelos estuários e deltas da região, que por sua vez favorecem um alargamento da plataforma continental.[16]

Ver também

Referências

  1. Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra - INEEP. Policy Brief N. 1 Por uma abordagem estratégica da Margem Equatorial Brasileira. Maio de 2025.
  2. II Anais do Simpósio Brasileiro de Geologia e Geofísica Marinha. Porto Alegre, 3 a 8 de novembro de 2019. Programa de Geologia e Geofísica Marinha. Rio de Janeiro : P2GM, 2O19.
  3. Costa, Alexsander A. C.. Caracterização morfológica do talude continental da sub-bacia Mundaú, Margem Equatorial Brasileira. Anais do Encontro Nacional do Programa de Formação de Recursos Humanos: PRH-ANP. Belo Horizonte, UFMG, 2024.
  4. a b c Rio, Gisela Aquino Pires do. Margem Equatorial Brasileirsa: Desafios postos sobre a mesa. Revista Brasileira de Energia, v. 29 n. 1 (2023) , pp. 88-105 doi:10.47168/rbe.v29i1.742 Cópia arquivada em 21 de novembro de 2024.
  5. Gandra, Alana. Estudos indicam potencial petrolífero das bacias da margem equatorial. Agência Brasil, 4 de agosto de 2021.
  6. «O que é Margem Equatorial? Veja 10 perguntas e respostas sobre a nova aposta da Petrobras». Valor Econômico. 21 de dezembro de 2022. Consultado em 1 de outubro de 2023  Cópia arquivada em 7 de março de 2023.
  7. «Amazônia Azul». Delegacia da Capitania dos Portos em Angra dos Reis 
  8. a b O Brasil e o mar no século XXI. Cap. I Direito do Mar. Niterói: Cembra, 2013, p. 26-28. ISBN 978-85-65171-00-7
  9. a b c Garcia, Gabriel. Margem Equatorial: Brasil está otimista com a expansão da plataforma continental. CNN, 29 de junho de 2024.
  10. Garcia, Gabriel (27 de março de 2025). «Brasil ganha uma "Alemanha" para explorar no Atlântico». CNN Brasil. Consultado em 30 de março de 2025 
  11. Expansão da plataforma continental brasileira – Nota Conjunta MRE/Marinha do Brasil, gov.br, 3 de abril de 2025.
  12. Abreu, José Gustavo Natorf. Sedimentologia, sismoestratigrafia e evolução da plataforma continental interna na área sob influência dos rios Itajaí-Açu e Camboriú, litoral Centro-Norte de Santa Catarina. Porto Alegre: UFRGS, 2010.
  13. Goes, E. R.; Ferreira Jr, A. V. (2017). Caracterização morfossedimentar da Plataforma Continental Brasileira. Revista Brasileira de Geografia Física 10(5):1595-1613 DOI:10.26848/rbgf.v.10.5.p1595-1613
  14. Coutinho, P. N., (2005). Levantamento do estado da arte da pesquisa dos recursos vivos marinhos. Oceanografia Geológica. PROGRAMA REVIZEE. FEMAR/SECIRM, Brasília.
  15. Coutinho, P. N., Morais, J. O., (1970). Distribucion de los sedimentos en la Plataforma Continental Norte y Nordeste del Brasil. Arquivos de Ciências do Mar 10, 79-90.
  16. Goes, E. R., & Junior, A. (2017). Caracterização morfossedimentar da plataforma continental Brasileira. Revista Brasileira de Geografia Física, 10(5), 1595-1613.

Ligações externas