Margarida da Escócia (santa)
| Margarida | |||||
|---|---|---|---|---|---|
![]() Vitral com a imagem de Margarida na Capela de Santa Margarida, no Castelo de Edimburgo | |||||
| Rainha da Escócia | |||||
| Reinado | 1070 – 13 de novembro de 1093 | ||||
| Dados pessoais | |||||
| Nascimento | c. 1045 Hungria | ||||
| Morte | 16 de novembro de 1093 (48 anos) Castelo de Edimburgo, Escócia | ||||
| Sepultado em | Abadia de Dunfermline, Fife, Escócia | ||||
| Cônjuge | Malcolm III da Escócia | ||||
| |||||
| Casa | Wessex (por nascimento) Dunkeld (por casamento) | ||||
| Pai | Eduardo, o Exilado | ||||
| Mãe | Ágata | ||||
| Santa Margarida | |||||
| Veneração por | Igreja Católica Comunhão Anglicana | ||||
| Canonização | 1250 por Papa Inocêncio IV | ||||
| Principal templo | Abadia de Dunfermline | ||||
| Festa litúrgica | 10 de junho (em 1693) 16 de novembro (a partir de 1969) | ||||
| Atribuições | Leitura | ||||
| Padroeira | Dunfermline, Escócia, Fife, Shetland, The Queen's Ferry, Inglaterra | ||||
Margarida da Escócia ou Margarida de Wessex (Hungria, c. 1045 — Castelo de Edimburgo, 16 de novembro de 1093), foi rainha consorte da Escócia como esposa de Malcolm III da Escócia. É venerada santa da Igreja Católica.[1][2]
Biografia
Era filha do Atelingo Eduardo, o Exilado, herdeiro da Inglaterra.[1] Assim, era neta do rei Edmundo, Braço de Ferro. Seu pai tinha fugido dos normandos com Ágata, sua mulher, assim como o seu filho e o verdadeiro rei da Inglaterra, Edgar de Wessex, mais tarde cruzado, e portanto irmão da santa Margarida. Uma irmã, Cristina, era freira em Romsey. Sua mãe, Ágata, era parente de Gisela, esposa de Santo Estêvão da Hungria ou do Imperador Henrique II.

A tradição diz que seu pai e seu tio Edmundo foram para a Hungria por segurança, durante o reinado de Canuto II da Dinamarca, mas não se encontram registros na Hungria. Margarida voltou por volta de 1057 à corte de Eduardo o Confessor. Dez anos depois, após a batalha de Hastings, fugiu com o irmão e foi, contra seu desejo, casada.
Morto o pai, com a conquista da Inglaterra pelos normandos, sua mãe Ágata resolveu voltar ao continente mas uma tempestade jogou seu navio na Escócia, onde foram acolhidos por Malcolm III que decidiu tomá-la por esposa.[1][2] Margarida desejava ser freira, mas o casamento deve ter acontecido entre 1067 e 1070.
Foi rainha devota e muito amada pelo povo pois mudou os modos da corte e seus padrões de comportamento. Os magnatas foram proibidos de embebedar-se e ela usou o dinheiro do reino para ajudar os pobres, alimentá-los, dar-lhes abrigo. Encorajou o comércio exterior e fundou mosteiros e igrejas, incluindo-se a abadia de Dunfermline, construída para abrigar seu maior tesouro, uma relíquia da verdadeira Cruz. Restaurou a Abadia de Iona, na ilha de Iona, que tinha sido fundado por São Columba.
Seu Evangelho ou livro de horas, ricamente adornado com joias, caiu um dia num rio e foi miraculosamente recuperado, estando hoje na Biblioteca Bodleian em Oxford.
Com seu casamento aproximou as igrejas romana e céltica. Reuniu um sínodo que produziu novos regulamentos para o jejum da Páscoa, a comunhão e alguns abusos quanto aos casamentos em graus proibidos.
Anglicizou e refinou a corte e o marido com suas virtudes, modéstia, beleza rara. Paciência e doçura suavizaram os modos do marido - e converter o Rei é converter o Reino. O marido era analfabeto e bruto se foi tornando cristão e gracioso e seus três filhos reinaram a seguir, e neles a mãe inspirara amor a Deus, desprezo das vaidades terrestres e horror do pecado.
Margarida da Escócia faleceu em 16 de novembro de 1093, no Castelo de Edimburgo. Seu corpo foi sepultado diante do altar principal da Abadia de Dunfermline, em Fife, repousando ao lado de seu marido, o rei Malcolm III da Escócia.
Devido à sua vida de devoção e caridade, a rainha foi canonizada pelo Papa Inocêncio IV por volta de 1250. Em 19 de junho de 1259, suas relíquias foram transferidas para um novo santuário, cuja base ainda pode ser observada na parede oriental da igreja restaurada. Sua festa litúrgica é celebrada em 16 de novembro, data de seu falecimento.[1][2]
A história de seus restos mortais tornou-se conturbada após a Reforma Protestante:
- O Crânio: Durante a Reforma, o crânio de Margarida passou a pertencer a Maria Stuart, Rainha dos Escoceses. Posteriormente, a relíquia foi confiada aos jesuítas de Douai, mas acredita-se que tenha sido destruída durante os levantes da Revolução Francesa.
- As demais relíquias: Segundo George Conn, em sua obra «De duplici statu religionis apud Scots» (Roma, 1628), o restante das relíquias de Margarida e de seu marido, o rei Malcolm, teria sido adquirido por Filipe II da Espanha. Elas teriam sido depositadas em duas urnas no Escorial.
- O Desaparecimento: No século XIX, a pedido do Papa Pio IX, o Bispo Gillies de Edimburgo solicitou formalmente a devolução dos restos mortais à Escócia. No entanto, após buscas nas instalações espanholas, as relíquias não foram encontradas, permanecendo o paradeiro final de Santa Margarida um mistério histórico.
Igrejas e capelas dedicadas a Santa Margarida da Escócia
1. Capela de Santa Margarida (Castelo de Edimburgo)
Situada no ponto mais alto do Castelo de Edimburgo, é considerada a construção mais antiga da cidade. Foi fundada no século XII (por volta de 1130) pelo rei David I, o filho mais novo de Margarida, em memória de sua mãe.
- Destaque: É um exemplar raro de arquitetura românica e sobreviveu a séculos de cercos e conflitos.
2. Igreja de Santa Margarida da Escócia (Aberdeen)
Localizada em Gallowgate, esta igreja pertence à Igreja Episcopal Escocesa (comunhão Anglicana). É um marco importante na cidade de Aberdeen e mantém a tradição de veneração à santa rainha dentro da liturgia episcopal.
3. Capela Santa Margarida da Escócia (Cosmos, Rio de Janeiro)
Localizada no bairro de Cosmos, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, esta capela faz parte da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição e Santa Margarida. É um dos principais pontos de devoção à santa em território brasileiro.
Outros Locais de Importância
- Abadia de Dunfermline (Fife): Embora mencionada anteriormente, é o local original de seu sepultamento e o centro histórico de seu culto.
- Igreja de Santa Margarida, a Rainha (Buxted, Inglaterra): Uma igreja anglicana do século XIII também dedicada à sua memória.
O Legado Educacional de Santa Margarida da Escócia
A influência de Margarida como patrona da aprendizagem e da cultura estende-se a diversas instituições de ensino ao redor do mundo. Abaixo, as principais instituições nomeadas em sua honra:
No Reino Unido (Escócia)
- Universidade da Rainha Margarida (Queen Margaret University): Fundada em 1875, está localizada em Musselburgh, na subdivisão de East Lothian (próxima a Edimburgo). Originalmente focada em educação doméstica e ciência da nutrição, hoje é uma universidade plena.
- Colégio da Rainha Margarida (Queen Margaret College): Fundado em 1868 em North Park House, Glasgow. Foi a primeira instituição de ensino superior para mulheres na Escócia, sendo posteriormente incorporado à Universidade de Glasgow.
- União da Rainha Margarida (Queen Margaret Union): Fundada em 1890, é uma das duas associações de estudantes da Universidade de Glasgow. Historicamente, foi criada para representar especificamente as estudantes mulheres.
- Academia da Rainha Margarida (Queen Margaret Academy): Escola secundária católica situada em Ayr, fundada em 1856. É reconhecida por manter os valores cristãos associados à santa.
Instituições Internacionais
- Escola da Santa Margarida (St. Margaret's School), Singapura: Fundada em 1842 pela missionária Maria Dyer, é a escola para meninas mais antiga de Singapura. Recebeu o nome da santa para inspirar as jovens em sua devoção e serviço.
- Colégio da Rainha Margarida (Queen Margaret College), Wellington: Localizado na Nova Zelândia, é uma renomada escola presbiteriana para garotas. Embora o plano de sua criação tenha raízes anteriores, a escola foi formalmente estabelecida em 1919 (um ajuste à data de 1868, que refere-se à instituição de Glasgow).
Referências
- ↑ a b c d Rosewell, Roger (2017). Saints, Shrines and Pilgrims (em inglês). Londres: Bloomsbury Publishing. p. 107. ISBN 9781784421991
- ↑ a b c Bezan, Jesse; Mountin, Andrew; Thurow-Mountin, Jena (2021). Living Word 2021–2022: Sunday Gospel Reflections and Actions for Teens (em inglês). Chicago: Liturgy Training Publications. p. 62. ISBN 9781616716165
Ligações externas
| Precedido por Ingibiorg Finnsdottir |
Rainha da Escócia 1070 – 13 de novembro de 1093 |
Sucedido por Etelreda da Nortúmbria (possivelmente) |
