Marcos Elias

Marcos Eduardo Elias
Nome completoMarcos Eduardo Elias
Conhecido(a) porMarcos Elias
Nascimento
16 de maio de 1971 (54 anos)

Nacionalidadebrasileiro
italiano
sírio
paraguaio
ProgenitoresMãe: Lúcia Elias
Pai: Wilson Elias
Filho(a)(s)3
EducaçãoPOLI-USP (Engenharia Mecatrônica)
Doutorado em Matemática pela Universidade Estatal de São Petersburgo
Área: Análise Real, Complexa e Funcional
FGV (Mestrado em Direito)
Universidade de Pittsburgh (MBA)
Alma materPOLI-USP e Universidade Estatal de São Petersburgo
ProfissãoEmpresário

Marcos Eduardo Elias (São Paulo, 16 de maio de 1971) é um empresário, matemático, engenheiro e analista do mercado financeiro brasileiro. Atuou como fundador, sócio ou dirigente de empresas do setor de investimento e participou da gestão de diversas instituições do setor financeiro, incluindo a GAS Investimentos[1] (posteriormente incorporada Vinci Partners[2]), a Empiricus[3] a Turing[4] e a Modena Capital.[5] Também foi sócio da Link Corretora[6] e lecionou em instituições de ensino como o Ibmec, o Insper (1997-2005) e a Fundação Getulio Vargas FGV-SP (2002-2006).[7][8]

Em 2018, Elias foi detido na Suíça e posteriormente extraditado para os Estados Unidos, onde respondeu a processo criminal por fraudes financeiras envolvendo instituições bancárias norte-americanas.[9] Em 2019, foi condenado pela Justiça Federal dos Estados Unidos e cumpriu pena de prisão, retornando posteriormente ao Brasil e retomando atividades profissionais no mercado financeiro.[8]

Carreira

Com atuação no mercado financeiro desde a década de 1990, Elias iniciou sua carreira como analista financeiro, tendo atuado no Banco Bozano Simonsen e, posteriormente, no BNP Paribas, onde alcançou o cargo de analista chefe no Brasil aos 30 anos.[9] Ao longo desse período, passou a atuar também como gestor de fundos e empreendedor no setor financeiro.[1]

Elias continuou a atuar como analista de investimentos, comentando publicamente sobre empresas listadas no mercado internacional. Em artigo publicado pelo site BlockTrends, analisou a RCI Hospitality Holdings, empresa listada na Nasdaq, destacando aspectos de valuation, estratégia de alocação de capital e perspectivas de crescimento do negócio, com base em informações divulgadas em sua conta no LinkedIn.[10]

A mesma reportagem menciona que Elias atuou no mercado financeiro como gestor e analista, tendo sido um dos fundadores da Empiricus Research, além de ter comandado anteriormente o fundo Galleas, já extinto.[10]

Ainda de acordo com o InfoMoney, Elias atuou como gestor de fundos e empreendedor no mercado financeiro. Em 2001, passou a trabalhar na gestora Gas[11] e, em 2003, fundou a Gas Investimentos,[9][1] empresa de gestão de patrimônio que mais tarde foi adquirida e incorporada pela Vinci Partners.[12][13]

Em 2010, foi um dos fundadores da casa de análise independente Empiricus Research, da qual se desligou em 2012. Ao longo da carreira, também foi diretor da Guiar Investimentos, da Gradual Investimentos, sócio da Link Investimentos e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV).[11]

Em 2005, tornou-se sócio da corretora Link, onde estruturou a área de análise da instituição. [14] Na época, a equipe passou a acompanhar um conjunto reduzido de companhias listadas com foco em recomendações diretas de investimento, acompanhar apenas as 30 principais companhias da Bovespa, estratégia que ganhou destaque no mercado. Os relatórios produzidos pelo grupo ficaram conhecidos como Equity Insights, e foram posteriormente mencionados pelo economista Felipe Miranda, da Empiricus, como peças influentes na análise financeira brasileira criadas por Elias.[15] Em 2010, a Link foi vendida para o banco suíço UBS por R$ 195 milhões.[16]

A partir de 2006, Elias passou a sustentar a tese de que a análise de empresas brasileiras deveria considerar também concorrentes internacionais,[17] abordagem que mais tarde se disseminou no setor.

Em 2009, fundou a Empiricus,[18] casa de research especializada em análises e conteúdo voltado ao mercado financeiro. No mesmo ano, apresentou o programa Money Talks na Infomoney.[19] Em 2010, a Empiricus negociou com a Endemol, a criação de um programa televisivo inspirado no Mad Money apresentado por Jim Cramer nos Estados Unidos,[20] que resultou no programa Dinheiro em Ação, exibido pela TV Gazeta. [21] Em 2021, a Empiricus foi vendida ao BTG Pactual por R$ 690 milhões.[22]

Em 2010, Elias utilizou plataformas digitais para comentar o cenário político e econômico brasileiro em vídeos voltados a investidores estrangeiros, nos quais analisava o contexto econômico do país às vésperas das eleições presidenciais. [9]

Em 2012, manifestou-se publicamente a favor do reconhecimento empresas de análise independentes pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Naquele ano, publicou uma carta aberta dirigida à então presidente da autarquia, Maria Helena Santana, na qual argumentava que a análise independente deveria receber maior apoio institucional [23]

Na mesma época, relatórios publicados pela Empiricus e assinado por Elias, Rodolfo Cirne Amstalden e Roberto Altenhofen, sob o título Carta aberta por uma Marfrig mais aberta, apontaram problemas nas demonstrações financeiras da Mafrig e recomendaram a venda de ações da companhia. A linguagem utilizada nos documentos levou Amstalden e Altenhofen receberem multas enquanto Elias foi suspenso por 12 meses pela Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais do Brasil (APIMEC).[24]

Em 2013, Elias criou a Turing,[25] empresa que desenvolveu sistemas de negociação automatizada, com técnicas de inteligência artificial na Bolsa de Valores, utilizando High Frequency Trading (HFT) no mercado brasileiro. [25] Entre os integrantes da equipe da Turing estava Telmo Luis Correa Júnior, então pesquisador com formações acadêmicas no Massachusetts Institute of Technology (MIT).[25]

Em 2017, fundou a Modena Capital, casa de research voltada a investidores institucionais, ao lado de Nicholas Vincent Reade, presidente do conselho de administração da Brookfield Incorporações, e outros sócios.[25] Um relatório da Modena, que analisou os 120 IPOs realizados entre 2005 e 2008 ganhou repercussão ao indicar que apenas oito superaram o desempenho do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) sendo que a maioria alcançou esse resultado após o processo de fusões e aquisições.[26] No mesmo ano, a Modena Capital se associou a Fram Capital, gestora de recursos de terceiros e de fortunas, com o objetivo de ampliar a oferta de produtos e serviços ao mercado.[27]

Em janeiro de 2023, Elias voltou a ser citado na imprensa após comentar, em seu perfil do LinkedIn, a situação financeira das Lojas Americanas. Na ocasião, afirmou que o empresário Jorge Paulo Lemann poderia levantar recursos significativos para apoiar a companhia. As declarações repercutiram em veículos de imprensa nacionais. [28][29]

Segundo a revista IstoÉ Dinheiro, Elias deixou a Empiricus em 2009 e, após cumprir pena nos Estados Unidos, retornou ao Brasil, onde fundou a empresa de análise financeira Contra Corrente.[29]

Em março de 2024, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou a suspensão da oferta de serviços de análise de investimentos da empresa Contra Corrente, fundada por Elias, por ausência de registro para essa atividade. A autarquia informou que a continuidade da oferta poderia acarretar multa diária. Na ocasião, a empresa publicou nota afirmando estar trabalhando para regularizar seus produtos junto aos órgãos competentes.[30]

Empreendimentos Recentes

Ao longo de sua trajetória, Marcos Eduardo Elias fundou ou participou da criação de diversas empresas do setor financeiro. Em 2003, criou a Gas Investimentos, seguida pela Galleas Capital Partners, em 2004. Entre 2005 e 2006, foi sócio da Link Investimentos. Em 2009, foi um dos fundadores da Empiricus Research, da qual se desligou em 2012.[9]

Em 2017, Elias participou da fundação da Modena Capital, casa de research independente voltada a investidores profissionais, grupos empresariais e family offices. Segundo o Estadão, a empresa foi criada em parceria com Rafael Beran Bruno, ex-Bradesco BBI, além dos sócios Wagner Drabek e Sidney Uejima. Antes da criação da Modena, Elias havia atuado em instituições como Ernst & Young, BNP Paribas e Banco Brascan.[31]

Ainda em 2017, a Modena Capital, anunciou uma associação com a gestora brasileira Fram Capital com o objetivo de ampliar a oferta de produtos e serviços voltados a investidores institucionais e family offices.[31] De acordo com a Bloomberg Brasil, a parceria buscava estruturar fundos e investimentos considerados menos convencionais, combinando a atuação analítica da Modena com a infraestrutura operacional e regulatória da Fram Capita.[32] À época, Elias atuava como managing director da Modena Capital e declarou que a associação permitiria originar novos fundos e estruturas de investimento para clientes, incluindo single family offices.[32]

Após deixar a Empiricus, Elias passou a atuar em novas iniciativas no setor financeiro. Segundo a Bloomberg Línea, esteve envolvido na criação e gestão de empresas de análise e investimento, incluindo a própria Modena Capital, voltada ao atendimento de investidores institucionais.[9]

Libertado em 2021, Elias retornou ao Brasil e buscou retomar sua atuação profissional no mercado financeiro. Em entrevistas à Bloomberg Línea, afirmou que pretendia reconstruir sua trajetória profissional por meio de novas iniciativas no setor de análise de investimentos.[33]

Em 2022, fundou a Contra Corrente, empresa voltada à análise de ativos para investidores institucionais.[34] No mesmo período, manteve a gestora Actus e passou a atuar por meio da Modena Advisory [35] voltada a consultoria em operações de fusões e aquisições (M&A) e captação de recursos (fund raising) [29][8]

A partir de 2019, Elias também passou a atuar em projetos empresariais relacionados a iniciativas de requalificação urbana, em parceria com Alexandre Allard. Essas iniciativas foram objeto de cobertura da imprensa, incluindo reportagens sobre investimentos associados ao projeto da Cidade Matarazzo. [36]

Em 2023, Elias voltou a ganhar destaque no debate econômico ao comentar publicamente a crise das Lojas Americanas. Em publicação nas redes sociais, afirmou que o empresário Jorge Paulo Lemann teria capacidade de levantar dezenas de bilhões de dólares em curto prazo para socorrer a companhia, avaliando que a motivação central para tal movimento seria a preservação de sua reputação e a mitigação de riscos jurídicos. [29]

Secundo entrevista com a IstoÉ Dinheiro, Elias com sua trajetória no mercado financeiro, mencionado por condenação nos Estados Unidos em 2019, fundou a Contra Corrente, empresa voltada à análise de ativos para investidores institucionais.[29]

Em 2024, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou a suspensão da oferta de serviços de análise da empresa Contra Corrente, por ausência de registro, levando Elias a afirmar que buscaria regularizar suas atividades junto ao órgão regulador.[8]

Vida Pessoal

Elias nasceu na cidade de São Paulo, filho de pai sírio e mãe italiana, com duas irmãs. Tem três filhos.

Processo criminal e Prisão nos EUA

Em 2018, Marcos Eduardo Elias foi preso na Suíça, a pedido das autoridades dos Estados Unidos,[37] no âmbito de uma investigação conduzida pelo Federal Bureau of Investigation (FBI).[38] Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, ele foi acusado de participar de um esquema de fraude financeira envolvendo transferências bancárias internacionais, uso de identidades falsas e empresas de fachada registrada no Panamá.[9][39]

De acordo com a acusação, o esquema teria resultado no desvio de aproximadamente US$ 750 mil de contas bancárias mantidas por empresas brasileiras em instituições financeiras sediadas em Manhattan, em Nova York.[40] A investigações apontaram que os valores foram transferidos para uma conta bancária em Luxemburgo, controlada por Elias, por meio de uma empresa offshore registrada no Panamá;[8][13][41][40]

Uma das vítimas identificadas pelas autoridades norte-americanas foi o grupo varejista Zaffari, que confirmou que sua conta bancária nos Estados Unidos foi violada. O grupo informou que colaborou com as investigações e que os valores desviados foram posteriormente restituídos.[40][37]

Segundo o Departamento de Justiça, desde pelo menos 2012 em uma empresa brasileira ligada a Elias mantinha conta em uma instituição financeira em Manhattan. A partir de 2014, comunicações eletrônicas fraudulentas teriam sido utilizadas para instruir transferências bancárias não autorizadas, incluindo o envio de comunicações eletrônicas fraudulentas e o uso indevido da identidade de correntistas brasileiros para instruir transferências bancárias não autorizadas e o uso indevido da identidade de correntistas brasileiros.[9][42][41]

Após a prisão na Suíça, Elias foi extraditado para os Estados Unidos em agosto de 2018,[43] onde passou a responder a acusações de fraude eletrônica, fraude telefônica e roubo de identidade agravado. O processo criminal foi conduzido pelo U.S. Attorney's Office for the Southern District of New York,[44]Erro de citação: Elemento de abertura <ref> está mal formado ou tem um nome inválido com atuação da Complex Frauds and Cybercrime Unit, unidade especializada em crimes financeiros e cibernéticos, e contou com cooperação das autoridades suíças, Departamento Federal de Justiça da Suíça (Département Fédéral de Justice) e com a Polícia Cantonal de Zurique (Kantonspolizei Zürich), sob coordenação da Divisão de Relações Internacionais do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (Office of International Affairs, OIA).[8][13][41]

As operações investigadas envolveram múltiplas jurisdições, abrangendo cinco países: Brasil, como origem dos recursos e local de estruturação da operação; Panamá, como jurisdição de constituição da empresa offshore utilizada no esquema; Luxemburgo, como destino dos valores transferidos; Israel, sede do Bank Hapoalim, responsável pela execução de ordens de transferência; Estados Unidos, local da instituições financeiras afetadas e da persecução penal.

Em fevereiro de 2019, Elias declarou-se culpado por conspiração para cometer fraude eletrônica e uso de identidade agravado, o que contribuiu para a redução da pena aplicada pela justiça norte-americana. No mesmo ano, foi condenado pela Justiça Federal dos Estados Unidos a três anos e meio de prisão em regime fechado, além de três anos de liberdade condicional. [13][45]

Além da pena privativa de liberdade, Elias foi condenado ao pagamento de indenização superior a US$ 920 mil às vítimas da fraude. O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) também requisitou sua detenção e deportação por violação das condições de seu visto de residência. [13]

Após cumprir a pena nos Estados Unidos, Elias retornou ao Brasil e passou a atuar novamente no mercado financeiro, segundo reportagens da imprensa econômica brasileira. [46] Elias como um dos fundadores da Empiricus e que, após sua saída da empresa, moveu uma ação judicial alegando ter sido coagido a deixar a sociedade. O processo foi posteriormente considerado extinto pela Justiça brasileira. [37]

Contracorrente VS CVM

Em 2021, após retornar ao Brasil, Marcos Elias buscou regularizar suas credenciais profissionais junto à Comissão de Valores Mobiliários CVM, à Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) e à Associação Nacionais de Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários (Ancord). Nesse período, fundou a empresa Contra Corrente, voltada à consultoria financeira, com atuação inicial concentrada na reestruturação de áreas de análise de gestoras de investimento, sem emissão direta de recomendações de valores mobiliários.[47][8]

Em março de 2024, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou a suspensão imediata da oferta de serviços de análise de valores mobiliários das atividades da Contra Corrente,[30] fundada por Elias, por ausência de autorização para o exercício dessa atividade. A decisão foi formalizada por meio da Deliberação CVM nº 890,[48] que estabeleceu a interrupção imediata da prestação desses serviços, sob pena de multa diária.[49]

Elias declarou que adotaria as medidas necessárias para adequar a empresa às exigências do órgão regulador, e ao comentar o caso, criticou aspectos do modelo regulatório brasileiro, referindo-se ao que chamou de "gesso da CVM". Segundo ele, algumas regras estariam desalinhadas do objetivo de incentivar o desenvolvimento do mercado de capitais e a proteção de investidores minoritários.[42][49][30]

Segundo a autarquia, a empresa estaria oferecendo serviço de análise de valores mobiliários sem o devido credenciamento, caracterizando atuação irregular. A CVM informou ainda que o descumprimento da decisão poderia resultar em multa diária de R$ 50 mil.[42]

De acordo com reportagem do Valor Econômico, desde o início das atividades da Contra Corrente, em 2022, a atuação da empresa vinha sendo acompanhada com ressalvas pelo órgão regulador. À época, não havia registro da casa de análise junto à CVM, e a certificação profissional de Elias pela Apimec não se encontrava ativa.[42]

Na ocasião, Elias afirmou que não havia recebido notificação prévia da autarquia e afirmou que a empresa estava adotaria medidas necessárias para adequar seus produtos às exigências regulatórias, com a o objetivo de retomar suas atividades após a regularização. Segundo a CVM, tentativas anteriores de credenciamento do empresário haviam sido indeferidas com base em critérios regulatórios, incluindo avaliação de reputação e documentação apresentada.[49]

O episódio gerou debates na imprensa especializada sobre o alcance da regulação e o papel das casas de análise independentes no mercado financeiro brasileiro. Em declarações públicas, Elias manifestou críticas ao modelo regulatório vigente, defendendo maior alinhamento com ´práticas adotadas em outros mercados, como o norte-americano, citando como exemplo a relação da SEC com casas de análise independentes. Durante o período de adequação às normas, a Contra Corrente manteve atividades de consultoria voltadas à reestruturação de estruturas internas de investimentos e ao desenvolvimento de metodologia proprietária.[50]

Formação acadêmica

Marcos Eduardo Elias desenvolveu sua formação acadêmica em diferentes campos do conhecimento, com atuação interdisciplinar envolvendo engenharia, matemática, direto e administração. Sua trajetória acadêmica inclui formação realizada no Brasil, nos Estados Unidos e na Rússia, conforme informações disponíveis em fontes públicas.

Elias é graduado em Engenharia Mecatrônica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI-USP).[51] Durante a graduação, foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Posteriormente, concluiu o Master of Business Administration (MBA) nos Estados Unidos, entre 1999 e 2001. De acordo com informações divulgadas em bases públicas e reportagens da imprensa especializada, também possui formação acadêmica complementar em Direito, com mestrado pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Segundo o portal InfoMoney, Elias formou-se em engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e possui MBA nos Estados Unidos. Ainda jovem, iniciou sua trajetória no mercado financeiro, tornando-se analista de ações aos 22 anos e alcançando, aos 20 anos, o cargo de analista-chefe do banco francês BNP Paribas no Brasil, após passagens por instituições como o Banco Bozano Simonsen.

No campo da matemática, teve contato com a escola russa de pensamento matemático na Saint Petersburg State University, instituição associada a pesquisadores ligados à tradição iniciado por Andrei Kolmogorov, com influência de linhas de pesquisa relacionada à matemática estocástica, desenvolvida e previamente estabelecida por Kiyoshi Itō. Essas experiências contribuíram para uma formação acadêmica marcada por referências teóricas internacionais, como em instituições do Brasil, Rússia e Estados Unidos.

Marcos Eduardo Elias com retrato de Srinivasa Ramanujan. Foto tirada em 2025 no Instituto Ramanujan. Arquivo pessoal.

Graduação

Marcos Eduardo Elias graduou-se em Engenharia Mecatrônica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI-USP).[51]

Durante a graduação, participou do Programa Especial de Treinamento (PET), atualmente denominado Programa de Educação Tutorial, voltado a estudantes de alto desempenho da Engenharia Mecânica.[52] Nesse período, desenvolveu pesquisa na área de controle de veículos autônomos, em 1992, sob coordenação do professor emérito Giorgio Eugenio Oscare Giacaglia.

Seu trabalho de conclusão de curso, intitulado eletromioestimulação funcional,[53] foi desenvolvido sob orientação do professor Jun Okamoto Junior.[54]

Pós-graduação

Elias concluiu Master of Business Administration (MBA) nos Estados Unidos a Universidade de Pittsburgh, localizada na Pensilvânia, e obteve mestrado em Direito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) [39]

Recebeu seu doutorado em Matemática pela Saint Petersburg State University (SPBGU) com concentração em Análise Real, complexa e funcional.

Idiomas

De acordo com informações de bases públicas acadêmicas, Elias possui domínio dos idiomas inglês, espanhol, italiano, francês e árabe.[55]

Carreira acadêmica

Elias atuou como professor no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) e no Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) entre 1997 e 2005. Paralelamente, integrou o corpo docente da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP) no período de 2002 a 2006.[39]

Na FGV-SP, ministrou cursos e seminários relacionados a temas de finanças e modelagem matemática aplicada ao mercado financeiro, especializados sobre a aplicação de equações diferenciais, incluindo abordagens não gaussianas.[56]

Também publicou artigos e colunas sobre o mercado financeiro, incluindo textos na seção Palavra do Gestor do jornal Valor Econômico. Em 2008, participou do desenvolvimento de material didático voltado ao treinamento para a Olimpíada Brasileira de Matemática.[46]

Marcos foi homenageado como patrono da turma de formandos de 2017 (Classe Marcos Elias) no programa Advanced Management Program do Instituto ISE Business School, braço brasileiro IESE Universidade de Navarra, onde apresentou seu seminário sobre criptomoedas

É membro efetivo da Sociedade Brasileira de Matemática, tendo seu registro baseado em sua titulação de PhD em matemática pela Saint Petersburg State University (SPBGU). E é colunista da MIT Sloan Management Review.[57]

Prêmios

Em 2002, foi reconhecido como Melhor Analista de Ações pela Agência Estado em parceria com o Ibmec.

Filantropia

Segundo informações divulgadas à época, Elias participou de ações filantrópicas junto a instituições sociais no interior do estado de São Paulo, tendo sido homenageado por sua colaboração com entidades assistenciais. [9]

Em 2023, fundou o Rāmānujan Institute for the Development of Prodigious Young Mathematicians,[58] uma instituição voltada à identificação, acolhimento e desenvolvimento de jovens talentos matemáticos, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. Inspirado pela trajetória de Srinivasa Ramanujan e pela iniciativa de G.H Hardy, o Instituto busca transformar em política educacional contínua aquilo que, historicamente, foi feito de forma pontual: reconhecer e nutrir mentes matemáticas extraordinárias, mesmo sem formação formal ou visibilidade institucional.

O Instituto concentra suas atividades na América Latina e tem sede em São Paulo.

Referências

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