Mara Régia

Mara Régia recebe a Ordem do Mérito das Comunicações do Ministro das Comunicações em 2016

Mara Régia Di Perna (Rio de Janeiro, 12 de setembro de 1951) é uma jornalista brasileira, reconhecida por seu trabalho em prol dos direitos das mulheres e da preservação ambiental. Há mais de quatro décadas, produz e apresenta programas de rádio sobre cidadania, gênero e meio ambiente, destacando-se Viva Maria e Natureza Viva.[1][2][3][4]

Mara Régia recebeu diversos prêmios e reconhecimentos ao longo de sua carreira. Em 2005, a jornalista foi uma das 52 brasileiras indicadas ao Prêmio Nobel da Paz como parte do projeto "1000 Mulheres para o Nobel da Paz", que reconheceu mulheres de todo o mundo por suas contribuições significativas à paz.[5][6]

Programa Viva Maria

Viva Maria é um dos mais longevos programas radiofônicos dedicados à defesa dos direitos das mulheres no Brasil, alcançando quase 10 mil edições em 2021.[7] Criado em 1981, o programa entrou no ar pela Rádio Nacional de Brasília, com duas horas de duração, abordando temas como gênero, cidadania e direitos humanos, promovendo debates sobre violência doméstica, saúde da mulher, empoderamento feminino e igualdade de gênero. O programa também apoiou o Lobby do Batom na Constituinte de 1988.[8][9][10]

Em maio de 1990, o recém-eleito presidente Fernando Collor de Mello classificou Mara como uma “liderança negativa” e, por meio de um telegrama, mandou demiti-la e proibi-la de entrar na emissora.[11] Em resposta a este ato de censura, o V Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho, realizado no mesmo ano em San Bernardo del Tuyú, na Argentina, criou o Dia Latino-Americano da Imagem da Mulher nos Meios de Comunicação, comemorado em 14 de setembro, dia da estreia de Viva Maria.[12][13][14]

Posteriormente, Viva Maria foi transmitido pelas rádios Capital, Nacional do Alto Solimões, Nacional da Amazônia, Nacional do Rio de Janeiro e Nacional de Brasília, além de ser disponibilizado para emissoras de todo o país.[11][15] O programa recebeu apoio da ONU Mulheres Brasil, Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e do Ministério das Mulheres, Igualdade Racial, Juventude e Direitos Humanos.[16]

Programa Natureza Viva

Mara Régia também é responsável pelo programa Natureza Viva, que promove a educação ambiental e o fortalecimento da identidade cultural dos povos amazônicos. Criado no início da década de 1990, o programa teve seus objetivos ampliados em 1993 por meio de uma parceria entre a Rádio Nacional, o WWF-Brasil e o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA).[17][18]

Natureza Viva começou a ser transmitido em ondas curtas, que ainda desempenham um papel fundamental para alcançar comunidades isoladas na Amazônia. Atualmente, o programa também é veiculado por outras frequências, mas as ondas curtas continuam essenciais em regiões onde rádios convencionais e outros meios de comunicação não chegam devido às limitações de alcance e infraestrutura.[19] Seu público-alvo inclui ribeirinhos, pescadores, seringueiros, quebradeiras de coco babaçu, trabalhadores extrativistas e indígenas, além de associações de jovens e mulheres.[20] Seus temas incluem a preservação do meio ambiente, direitos humanos, saúde e desenvolvimento sustentável.[21][22]

Cartas de ouvintes

As cartas enviadas pelos ouvintes desempenharam um papel central nos programas Viva Maria e Natureza Viva, conectando comunidades amazônicas isoladas ao restante do país e ao mundo exterior. Muitas cartas pediam informações e faziam perguntas sobre mitos associados à saúde.[23]

Outras continham relatos sobre as dificuldades e desafios enfrentados por populações isoladas, entre elas o desrespeito aos direitos humanos e a violência contra mulheres. Em 2000, Mara encaminhou 150 cartas-denúncia à Comissão Parlamentar de Inquérito sobre Mortalidade Materna, instalada na Câmara dos Deputados.[24]

Ativismo de gênero e meio ambiente

Além do jornalismo, Mara Régia se destacou em iniciativas de capacitação e ativismo nas áreas de gênero e meio ambiente.[22] Em 1999, ela produziu a radionovela A vida pede passagem, uma história de luz, sobre parteiras, em celebração ao primeiro Encontro Internacional das Parteiras da Floresta.[25] Em 2003, em parceria com o GTA, capacitou mulheres de 18 localidades em sete estados da Amazônia no uso do rádio para denunciar queimadas e promover o manejo florestal sem o uso do fogo.[24] Em 2013, liderou as oficinas Nas Ondas do Rádio – A Prevenção da Violência contra Crianças e Adolescentes.[26]

No Distrito Federal, Mara Régia teve atuação decisiva na criação da primeira Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher[8] e do Conselho dos Direitos da Mulher.[10]

No Mato Grosso, Mara Régia teve um papel fundamental na denúncia dos impactos da contaminação por paraquat em Lucas do Rio Verde, alertando sobre seus efeitos na saúde da população e no meio ambiente.[22][25]

Prêmios e reconhecimentos

Referências

  1. «Mulheres de Palavra Entrevista - Mara Régia di Perna - Rádio Câmara». Portal da Câmara dos Deputados. Consultado em 3 de março de 2025 
  2. (31 de agosto de 2016). «Conheça Maria Régia, apresentadora de programa que ajuda a causa feminista». Acervo. Consultado em 7 de março de 2025 
  3. «"O rádio é o ar que eu respiro", diz a jornalista Mara Régia à TV Brasil – Jovem Pan». “O rádio é o ar que eu respiro”, diz a jornalista Mara Régia à TV Brasil – Jovem Pan. 13 de novembro de 2017. Consultado em 11 de março de 2025 
  4. «Cem anos do rádio no Brasil: Mara Régia». Agência Brasil. 11 de agosto de 2022. Consultado em 11 de março de 2025 
  5. «Mara Régia (radialista e apresentadora do programa "Natureza Viva") (bl.1) - TV Câmara». Portal da Câmara dos Deputados. Consultado em 3 de março de 2025 
  6. «PeaceWomen Across the Globe». PeaceWomen Across the Globe (em inglês). Consultado em 1 de março de 2025 
  7. «Viva Maria, 40 anos: uma trajetória de sucesso e superação». Agência Brasil. 11 de setembro de 2021. Consultado em 11 de março de 2025 
  8. a b Deister, Jaqueline (17 de maio de 2021). «"Programa Viva Maria foi uma caixa de ressonância para todas as nossas reivindicações", afirma Mara Régia». Agência Pulsar Brasil. Consultado em 3 de março de 2025 
  9. «Viva Maria | EBC Rádios». radios.ebc.com.br. Consultado em 3 de março de 2025 
  10. a b «Viva Maria, 39 anos nas ondas do feminismo - Portal Catarinas». 25 de setembro de 2020. Consultado em 3 de março de 2025 
  11. a b «Trajetória do programa Viva Maria está sendo resgatada na Rádio Nacional». www.ebc.com.br. Consultado em 11 de março de 2025 
  12. «Ato de censura tira Viva Maria do ar e nasce o 14 de Setembro». www.ebc.com.br. Consultado em 11 de março de 2025 
  13. «Dia Latino-Americano da Imagem da Mulher nos Meios de Comunicação». O Portal da Mulher Paranaense. 14 de setembro de 2025. Consultado em 11 de março de 2025 
  14. «EBC e ONU Mulheres comemoram, nesta quarta-feira (14/9), 30 anos do programa Viva Maria | As Nações Unidas no Brasil». brasil.un.org. Consultado em 11 de março de 2025 
  15. «Programa Viva Maria faz história na luta pela garantia dos direitos das mulheres». Consultado em 11 de março de 2025 
  16. VibeThemes. «Em parceria com a ONU e governo brasileiro, programete de rádio "Viva Maria com Saúde discute direitos das mulheres na epidemia do zika vírus – ONU Mulheres». Consultado em 3 de março de 2025 
  17. a b «Natureza Viva ganha prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente». www.wwf.org.br. Consultado em 13 de fevereiro de 2025 
  18. a b c d «MARA RÉGIA: A VOZ DA FLORESTA». xapuri.info. 13 de fevereiro de 2025. Consultado em 3 de março de 2025 
  19. «Cem anos do rádio no Brasil: a importância das ondas curtas». Agência Brasil. 18 de julho de 2022. Consultado em 12 de março de 2025 
  20. «Natureza Viva | EBC Rádios». radios.ebc.com.br. Consultado em 1 de março de 2025 
  21. «Natureza Viva, quase duas décadas de cidadania na Rádio Nacional da Amazônia». Consultado em 3 de março de 2025 
  22. a b c «Mara Régia di Perna». Pulitzer Center. Consultado em 6 de março de 2025 
  23. «Nacional da Amazônia é, muitas vezes, forma de se conectar com o mundo». Agência Brasil. 5 de abril de 2020. Consultado em 11 de março de 2025 
  24. a b Paixão, Cláudio (2021). «Natureza Viva: a Presença das Comunidades Tradicionais na Rádio Nacional da Amazônia». Portal de Periódicos da UFG. Consultado em 11 de março de 2025 
  25. a b Nuzzi, Vitor (9 de julho de 2020). «As Marias de Mara Régia, que faz história no rádio e na Amazônia». Consultado em 3 de março de 2025 
  26. «Oficina com radialistas aborda prevenção da violência contra crianças e adolescentes». Secretaria da Saúde. 30 de setembro de 2014. Consultado em 11 de março de 2025 
  27. a b c «Santarém reúne comunicadores da Calha Norte e região para capacitação». Imazon. 11 de fevereiro de 2025. Consultado em 13 de fevereiro de 2025 
  28. NIC.br. «Na Mídia - Ministério presta homenagem com Ordem do Mérito das Comunicações». NIC.br - Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR. Consultado em 6 de março de 2025 
  29. «Mara Régia é uma das vencedoras do Troféu Audálio Dantas de jornalismo 2021 | EBC Rádios». radios.ebc.com.br. Consultado em 3 de março de 2025 
  30. «Mulheres na Redemocratização». www.senado.leg.br. Consultado em 9 de dezembro de 2025 

Ligações externas