Manuela Madureira

Maria Manuela Madureira
Nome completoMaria Manuela Madureira
Nascimento
1930

Lisboa, Portugal
Morte
2022
NacionalidadePortuguesa
Movimento(s)Arte contemporânea portuguesa

Maria Manuela Madureira (Lisboa, 1930 – 2022) foi uma artista plástica portuguesa reconhecida pela sua obra em escultura, cerâmica, pintura, tapeçaria, medalhística e azulejaria. A sua produção artística destacou-se pela integração da arte no espaço público e pelo uso de múltiplos materiais e técnicas.

Biografia

Maria Manuela Madureira nasceu em Lisboa, onde viveu e manteve o seu ateliê no Palácio dos Coruchéus.[1]

Estudou com o mestre Manuel Cargaleiro e beneficiou de uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian. Prosseguiu estudos em escultura em pedra e madeira no Instituto d'Arte de Florença e em cerâmica e restauro no Instituto Statale d'Arte per la Ceramica de Faenza, Itália.[1]

Obra

Grito de dor, grito de alegria, Hospital Doutor Nélio Mendonça, Funchal, 1973

A obra de Madureira abrange escultura, pintura, cerâmica, tapeçaria e medalhística. Utilizou materiais como ferro, bronze, madeira, refratário, esmalte e porcelana. A sua prática artística caracterizava-se pela constante experimentação formal e técnica.[1]

Figuras e cenas da cidade de Lisboa, Restaurante Panorâmico de Monsanto, Lisboa, 1965
Sentimento Poético de Outros Seres, Rua Álvaro Esteves 5, Restelo, Lisboa, 1974

Destaca-se o painel cerâmico intitulado "O Sonho dos Argonautas", concebido em 1972 para a Escola Náutica Infante D. Henrique, em Lisboa. Medindo 7 x 3 metros, a peça celebra os navegadores formados pela escola desde 1924.[2]

Medalhística

Foi presença regular em eventos internacionais de medalhística como a FIDEM (Fédération Internationale de la Médaille) e participou em várias edições da Bienal de Medalha Contemporânea do Seixal.[3]

A sua produção neste campo foi reconhecida pela originalidade e pela aplicação de materiais e formas inovadoras, desafiando os limites tradicionais da medalha.

Exposições

Participou em várias exposições individuais e coletivas, incluindo a IX Bienal Internacional de Arte de Vila Nova de Cerveira (1997).[4]

A sua obra foi também exibida no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian.[5]

Trabalhos públicos

Maria Manuela Madureira realizou diversas obras de arte pública em Portugal e no estrangeiro. Algumas das suas intervenções mais notáveis incluem:[1]

  • 1963 – Mistérios do fundo do mar, Hotel Estoril Sol
  • 1963 – O Comércio Mercúrio e Indústria, Banco Nacional Ultramarino, Maputo, Moçambique
  • 1964 – Painel cerâmico, Cervejaria Jansen, Lisboa
  • 1965 – Figuras e cenas da cidade de Lisboa, Restaurante Panorâmico de Monsanto, Lisboa
  • 1966 – Jogo entre Sereia e Peixes, Piscina dos Olivais, Lisboa
  • 1966 – Conversas no bar, Hotel Júpiter, Praia da Rocha
  • 1969 – O teatro e as máscaras, Teatro Maria Matos, Lisboa
  • 1970 – Conversa sobre exames num intervalo, Instituto Superior Técnico
  • 1970 – No caminho da justiça está a vida, Palácio da Justiça de Lisboa
  • 1972 – O sonho dos argonautas, Escola Náutica Infante D. Henrique, Paço de Arcos
  • 1973 – Grito de dor, grito de alegria, Hospital do Funchal
  • 1973 – Justiça e paz num mundo incandescente a pedido da mulher, Tribunal de Marco de Canaveses
  • 1974 – Sentimento Poético de Outros Seres, moradia no Restelo
  • 1975 – Para além de Saturno, Universidade de Coimbra
  • 1981 – Banco dos suplentes, Escola Secundária de Tavira
  • 1982 – Revestimento escultórico, Hotel Atlantis, Vilamoura
  • 1983 – Mastodonte, Instituto do Emprego e Formação Profissional, Portalegre
  • 1991 – Homenagem ao sol, Santarém
  • 1992 – Eco da pedra, jardim da GNR, Caldas da Rainha
  • 2001 – Voz da Mulher, Cantanhede

Prémios e distinções

Ao longo da sua carreira, Maria Manuela Madureira foi distinguida com diversos prémios e menções honrosas, destacando-se:[1][3][6][7]

  • 1960 – Prémio Nacional de Cerâmica
  • 1961 – Prémio Sebastião de Almeida pela obra Gato Diabólico
  • 2003 – Prémio Arte Erótica no Auditório Municipal de Gondomar
  • 2004 – Prémio de Artes Plásticas-Baviera Séc. XXI, Vila Nova de Cerveira
  • 2005 – Prémio Vespeira na Bienal do Montijo
  • 2005 – Prémio Sociedade Nacional de Belas-Artes pela medalha La vision partiale
  • 2005 – Primeiro Prémio na III Bienal Internacional de Medalha Contemporânea Dorita Castel-Branco, Sintra
  • 2008 – 3º Prémio de Pintura Ariane Rothschild, Lisboa
  • 2009 – Duas Menções Honrosas no concurso "A Arte nas Terras Raianas – Prémios Saluquia às Artes", promovido pela Câmara Municipal de Moura
  • 2010 – Prémio Sociedade Nacional de Belas-Artes na 6ª Bienal Internacional de Medalha Contemporânea do Seixal
  • 2010 – Prémio Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante

Legado

Maria Manuela Madureira é considerada uma figura incontornável da cerâmica contemporânea portuguesa. Em 2023, foi homenageada com a exposição póstuma "A Manifestação da Essência", no Centro Internacional de Medalha Contemporânea, no Seixal.[3]

As suas obras continuam a ser leiloadas em prestigiadas casas portuguesas como Tagus Art e Palácio do Correio Velho.[8]

Referências

  1. a b c d e «Maria Manuela Madureira - Biografia». Galeria São Mamede. Consultado em 22 de maio de 2025 
  2. «Ceramic Panel by Maria Manuela Madureira: The Dream of the Argonauts». Escola Náutica Infante D. Henrique. Consultado em 22 de maio de 2025 
  3. a b c «A Manifestação da Essência - Exposição de Maria Manuela Madureira». Câmara Municipal do Seixal. Consultado em 22 de maio de 2025 
  4. «Maria Manuela Madureira - Biography». ArtFacts. Consultado em 22 de maio de 2025 
  5. «Maria Manuela Madureira». Fundação Calouste Gulbenkian. Consultado em 22 de maio de 2025 
  6. «O privilégio de poder criar em liberdade». AbrilAbril. Consultado em 22 de maio de 2025 
  7. «Prémio Sociedade Nacional de Belas-Artes atribuído a Manuela Madureira». O Portal dos Escultores. Consultado em 22 de maio de 2025 
  8. «Maria Manuela Madureira - Sold Auction Prices». Invaluable. Consultado em 22 de maio de 2025 

Ligações externas