Manuel Pando Fernández de Pineda

Manuel Pando Fernández de Pineda
Nascimento22 de dezembro de 1792
Madrid
Morte20 de fevereiro de 1872 (79 anos)
Madrid
CidadaniaEspanha
Ocupaçãodiplomata, político, ministro, historiador, escritor, militar
Distinções
  • Cavaleiro da Ordem do Tosão de Ouro (1838)
  • Grã-Cruz da Ordem de Carlos III (1834)
  • Grande-Oficial da Legião de Honra (1834)
  • Grã-Cruz da Ordem de Cristo (1834)
  • Cavaleiro da Grã-Cruz da Ordem de Pio IX (1851)
  • Category:Knights of the Order of Saint Januarius (1852)
  • Cavaleiro da Grã-Cruz da Ordem dos Santos Maurício e Lázaro (1853)
  • Knight Grand Cross of the Order of Albrecht the Bold (1853)
  • grã-cruz da Imperial Ordem da Rosa (1864)
  • Knight First Class of the order of Nichan Iftikhar (1864)
TítuloGrandeza, marquês, conde
Causa da mortedoença
O marquês de Miraflores numa gravura baseada num desenho de Alfredo Perea (El Museo Universal, 1868).

Manuel de Pando y Fernández de Pinedo (Madrid, 22 de dezembro de 1792Madrid, 20 de fevereiro de 1872), o 4.º marquês de Miraflores e grande de Espanha, também marquês de Pontejos, conde de Villapaterna e de la Ventosa, senhor de Villargarcía del Pinar e de Miraflores, foi um político, diplomata e historiador que se distinguiu no campo político e diplomático.[1][2]

Biografia

O marquês era o segundo filho do influente nobre biscainho Carlos Pando y Álava, que fazia parte do grupo próximo do futuro Fernando VII. Aos 9 anos de idade era pajem do rei Carlos IV de Espanha, mas com a morte do seu irmão mais velho, tornou-se herdeiro do título e dos bens da família. Quando jovem, dedicou-se ao estudo da agricultura e da indústria, criando um grande estabelecimento agrícola em Daimiel (Ciudad Real).

Durante a Guerra da Independência de Espanha (a Guerra Peninsular), participou no levantamento de dois de maio. Posteriormente, toda a família teve de fugir de Madrid para Cádis, uma vez que o seu pai tinha sido eleito presidente constitucional do Município de Madrid entre 1812 e 1813, durante a ocupação francesa.

Em 1814 casou com Vicenta Moñino y Pontejos, condessa de Floridablanca, sobrinha de José Moñino y Redondo, o conde de Floridablanca, ministro de Carlos III de Espanha. Com a subida ao trono de Fernando VII, o tio do novo rei, o infante D. Antonio, pediu-lhe conselhos, a que respondeu redigindo o chamado Memorial de Miraflores. Naquele documento, fez quatro recomendações ao novo rei: (1) não aceitar a Constituição de 1812, uma vez que não participara na sua redação; (2) convocar imediatamente as Cortes Gerais; (3) unir todos os políticos leais à Coroa, sem esquecer ninguém; e (4) proceder a uma amnistia geral dos crimes políticos.

Em 1820, como parte da Milícia Nacional, participou em várias acções com o general Rafael Riego, retirando-se em 1822 e evitando as perseguições da chamada Década Ominosa (ou Década Sinistra de 1823-1833).

Ultrapassada a fase das perseguições, reapareceu na política em 31 de dezembro de 1832, tomando partido pela regente Maria Cristina de Borbón e pela futura rainha Isabel II de Espanha. Em 1834 iniciou a sua carreira diplomática, sendo nomeado ministro plenipotenciário em Londres. O seu maior feito foi a assinatura da Quadrupla Aliança, entre Espanha, o Reino Unido, a França e Portugal, através da qual a causa elisabetana obteve o apoio de duas grandes potências europeias contra as potências absolutistas (Rússia, Áustria e Prússia), apoiantes declarados do pretendente Carlos María Isidro.

Durante a vigência do Estatuto Real de 1834 (1834 a 1836), Miraflores foi prócer del Reino (par do reino). Mas em 1836, quando a Constituição de Cádis foi restabelecida como resultado do Motim da Granja de San Ildefonso, exilou-se em França.

O seu objetivo seguinte foi trabalhar para pôr fim à Guerra Carlista. Regressou a Espanha como senador em 1838, jurou a Constituição Espanhola de 1837 e interveio no Convénio de Vergara. Nesse mesmo ano foi nomeado embaixador em Paris e assistiu à coroação da rainha Vitória do Reino Unido como embaixador extraordinário, cargo que abandonou quando Baldomero Espartero se tornou regente. Mais tarde regressou à atividade política, como senador por Barcelona.

A sua carreira política culminou quando foi nomeado Presidente do Conselho de Ministros de Espanha a 12 de fevereiro de 1846. A situação em Espanha era muito grave, com três problemas inadiáveis: o casamento de Isabel II, as relações com o Papado e o reconhecimento de Isabel como rainha legítima de Espanha pela Rússia, Áustria e Prússia. Foi acompanhado no governo por outro ilustre político, Francisco Javier de Istúriz, como Ministro do Interior.

O seu programa de governo procurava dar corpo à sua ideologia política. Em matéria parlamentar, procurou a legalidade, propondo o diálogo com os dissidentes, a conciliação e a moralidade através de uma administração honesta. Mas o facto de se encontrar subordinado ao general Ramón María Narváez, e os negócios imorais da regente María Cristina em proveito próprio, levaram à demissão do marquês a favor do próprio Narváez.

Após a demissão assumiu as funções de presidente do Senado de Espanha (1845-1852). Após o casamento da rainha Isabel II com Francisco de Asís de Borbón, e devido à sua elevada moral e discrição, o marquês foi nomeado governador do palácio, dedicando-se ao saneamento da administração palaciana, afetada por uma infinidade de males.[3]

Durante a presidência de Juan Bravo Murillo (1851), Miraflores ocupou o Ministério de Estado. Com a sua intervenção, obteve o apoio do Reino Unido e da França, que defenderam Cuba com os seus navios contra as ambições imperialistas dos Estados Unidos. A 2 de março (Gaceta de 3) de 1863, a Rainha Isabel encarregou-o de formar um governo, contando com José Gutiérrez de la Concha, o marquês de Havana, como Ministro da Guerra, e Francisco Mata y Alós, como Ministro da Marinha. Depois de abandonar o cargo em 17 de janeiro de 1864, voltou a ser Presidente do Senado (1866-1868).

No plano profissional, destacam-se os seus trabalhos sobre a história política de Espanha no século XIX, tendo sido eleito membro da Real Academia da História (Real Academia de la Historia) em 5 de julho de 1850.

Foi cavaleiro da Ordem do Tosão de Ouro, cavaleiro grã-cruz da Ordem de Carlos III, cavaleiro da Legião de Honra de França e cavaleiro da Ordem de Cristo portuguesa.

Obra

Entre outras obras publicadas, é autor das seguintes:

  • Apuntes histórico-críticos para escribir la historia de la revolución de España, desde el año 1820 hasta 1823 (1834).
  • Documentos a los que se hace referencia en los apuntes histórico-críticos sobre la Revolución de España (1834).
  • Memorias para escribir la historia contemporánea de los siete primeros años del reinado de Isabel II. (1843)
  • Luis Felipe de Orleans, último Rey de los franceses y su época (1851).
  • Pedro Téllez Girón, Príncipe de Anglona (1851).
  • De la reforma de la Constitución de 1845 verificada en 1857 y del Proyecto de Ley proponiendo la supresión de sus artículos 18 y 28 de aquella reforma (1864).
  • Vida política del marqués de Miraflores, escrita por él mismo (1865).
  • España antes y después de 1833. (1868)
  • Francisco Javier Istúriz y Montero (1871).
  • Memorias del reinado de Isabel II, Atlas, Madrid, 1964, 1.ª edición 1873.

Ver também

  • Palácio do marquês de Miraflores

Referências

  1. Villapaterna, Manuel Pando y Fernández de Pinedo (Marqués de MIraflores y Conde de (1 de Março de 2022). Apuntes histórico-críticos para escribir la historia de la revolución de España desde el año 1820 hasta 1823: Conmemoración del bicentenario del Trienio Liberal (1820-1823) (em espanhol). [S.l.]: Boletín Oficial del Estado. p. 13. ISBN 978-84-340-2809-8. Consultado em 27 de Novembro de 2024 
  2. «Manuel Pando y Fernández de Pinedo | Real Academia de la Historia». dbe.rah.es. Consultado em 27 de Novembro de 2024 
  3. España, Senado de. «Senado de España: home». www.senado.es (em espanhol). Consultado em 27 de Novembro de 2024 

Ligações externas