Manuel Pedroso Marques

Manuel Pedroso Marques
Nascimento1 de agosto de 1935 (90 anos)
Lisboa
Nacionalidadeportuguesa
CônjugeMaria Antónia Assis dos Santos Palla e Carmo
Alma materAcademia Militar (Portugal)
Ocupaçãomilitar (coronel do exército na reforma), político, escritor, editor e gestor

Manuel Pedroso Alves Marques GOLComIH (Lisboa, 1 de agosto de 1935) é um militar (coronel do exército na reforma), político, escritor, editor e gestor. Foi um dos fundadores da ASP (Acção Socialista Portuguesa) e do Partido Socialista. Opositor do «Estado Novo», em 1962, participou na «Revolta de Beja», passou à clandestinidade, foi expulso das forças armadas e condenado a prisão pelo tribunal plenário, viveu no exílio, em França e no Brasil, até à «revolução dos cravos». Regressado a Portugal em setembro de 1974, foi reintegrado e desempenhou diversos cargos político-militares de relevo, no Estado-maior do exército, governo, e presidências do conselho de ministros e da república, tendo ainda sido presidente do conselho de administração da RTP (Rádio e Televisão de Portugal), diretor da Lusa (agência de notícias) e gestor das empresas Diário Notícias e Capital e das editoras Bertrand e Difel. É colaborador da mídia impressa e tem vasta obra publicada.

Biografia

Formação

Iniciou os seus estudos na Escola primária do Campo Grande (Lisboa), passou pela Escola Secundária Veiga Beirão, pelo Instituto Comercial de Lisboa, e frequentava o Instituto Superior de Economia e Gestão, quando concorreu à Academia Militar, onde tirou o curso de Administração militar. Mais tarde frequentou a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, até ao 2.º ano, como aluno voluntário[1][2].

Atividade política e militar

Na noite da passagem de ano de 31 de dezembro de 1961 para 1 de janeiro de 1962, sendo então capitão, participou na ação de luta contra a ditadura de António de Oliveira Salazar, em Portugal, que ficou conhecida como a Revolta de Beja[1][3][4][2][5]. Tratou-se de uma tentativa de golpe civil e militar que pretendia derrubar o regime a partir da tomada de assalto do Regimento de Infantaria N.º 3 naquela cidade alentejana.[6][7][8][1]. Face a essa sua oposição à repressão política do Estado Novo português, esteve escondido em casa de amigos oposicionistas, tendo dois deles vindo a ser presos pela PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado), por esta ter descoberto que o tinham abrigado (António Amaro Monteiro e Manuel Afonso Reis), até que resolveu pedir asilo diplomático na embaixada do Brasil, em Lisboa, onde permaneceu durante dois anos e meio, após o que, sentindo-se preso, sem o estar, e sem cumprir a pena de três anos de prisão em que fora condenado em julgamento à revelia pelo Tribunal plenário da Boa Hora, foge, via Espanha e clandestinamente, até Paris, aí pedindo asilo político territorial a França, sendo-lhe concedida autorização de permanência. Viagem muito conturbada, com perseguição policial e tiros, em plenos Pirenéus, e caminhando por vezes a pé durante vários dias[1][3][4][2][5].

Em França trabalhou no “Centre de Formation des Journalistes” e como “instrutor de código”, tendo conseguido, ao fim de ano e meio, um salvo-conduto para ir para o Brasil, onde, desde há quatro anos, já se encontravam a sua mulher e filha. Nesse documento era considerado apátrida[1][3][4][2][5].

Sem possibilidade de retorno ao país, visto que a pena em que fora condenado só prescrevia ao fim de 20 anos, viveu exilado no Brasil, durante quase uma década, tendo trabalhado como redator da Enciclopédia Delta-Larousse, dirigida pelo solidário intelectual e filólogo brasileiro Antônio Houaiss, e também como responsável por três chancelas editoriais, do Grupo Páginas Amarelas, bem como escrevia artigos para o Jornal do Brasil e para o jornal da oposição “A Semana Portuguesa”, de São Paulo, então dirigido pelo escritor Castro Soromenho[1][3][4][2][5].

Em 1964, foi um dos fundadores da ASP (Acção Socialista Portuguesa) e, em 1973, é membro fundador do Partido Socialista[1][3][2][5][9].

Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, com o regresso de Portugal à democracia, retorna a Lisboa logo em setembro desse ano. É reintegrado nas forças armadas, como major, e chefiou o «Gabinete de Dinamização do Exército». Fez parte do gabinete de dois Chefes do Estado-Maior do Exército, e foi instrutor de cinco cursos sucessivos de capitães do Serviço de administração militar nas aulas de Estratégia e teoria geral de administração. Ascendeu na carreira militar até ao posto de coronel[1][3][4][2][5].

Cargos desempenhados pós-25 de abril

Para além da atividade militar acima descrita, desempenhou ainda, após a Revolução de 25 de Abril de 1974, entre outras, as seguintes funções:[3][4][2][5]

  • foi ou é dirigente e associado de várias organizações, sendo de destacar:

- “Sefin - Associação portuguesa de utilizadores e consumidores de serviços e produtos financeiros” (2006 a 2017), que defendia os utilizadores de produtos financeiros das más práticas bancárias[13][14];

- “Associação Mares Navegados”, que se dedica à difusão da língua e cultura portuguesa[15];

- “Associação de Exilados Políticos portugueses de 1961 a 1974”;

- “Associação 25 de Abril”[16].

Vida pessoal

Filho de Arminda Maria Pedroso Marques e de Damião Alves Marques, ambos naturais de uma aldeia do concelho de Pedrógão Grande, Manuel Pedroso Marques nasceu a 1 de agosto de 1935, em Lisboa, cidade onde seu pai se estabeleceu como comerciante[1]. Casou, em 1959, com Primavera Ácrata Saiz das Neves (Pedrógão Grande, 8 de março de 1933 - Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 1981), tradutora, jornalista e escritora portuguesa, que trabalhou e viveu boa parte de sua vida no Brasil, tendo assinado a maioria de seus trabalhos como «Vera Neves Pedroso», e de quem teve a sua única filha Maria Alexandra (Lisboa, 1961-2005)[17][1].

É casado, desde 1974, com a jornalista e feminista Maria Antónia Assis dos Santos Palla e Carmo (Seixal, 10 de janeiro de 1933) e padrasto do político António Costa[18][1][19].

Escritos publicados

É autor dos seguintes livros:

  • O futuro em aberto: pensar Portugal; Lisboa; Âncora, 2023; ISBN 978-972-780-903-5[20][21]
  • Diálogos improváveis: O populista, a democracia, o radical e a opinião pública; Lisboa; Âncora; 2018; ISBN 978-972-780-778-9[22]
  • Populismo: todo o poder vem do povo! Mas para onde vai?; Lisboa; Âncora; 2018; ISBN 978-972-780-641-6[23]
  • Os exilados não esquecem nada mas falam pouco: ensaio sobre os factos e outras memórias; Lisboa; Âncora; 2015; ISBN 978-972-780-492-4[24]
  • Tempos difíceis, decisões urgentes; Lisboa; Bnomics; 2010; ISBN 978-989-8184-58-0[25]
  • O jogo estratégico na gestão; Lisboa; Difel; 1996; ISBN 972-29-0351-9[26]
  • Relações de Poder na Empresa; Publicações Europa-América; 1981; ISBN 9789721019126 [27][1]

Foi ainda coautor da obra “Liberdade é também vontade”[28] e prefaciador do livro «Brasil, um país do futuro» de Stefan Zweig; Óbidos; Balzac Publicações; ISBN 978-989-35842-0-0[29]

Tem artigos, sobre história e problemas políticos e culturais, publicados em diversos jornais da imprensa portuguesa, designadamente no Público e no Jornal de Letras, Artes e Ideias, e em revistas, destacando-se entre estas «O Referencial», da Associação 25 de Abril[30][31][32][33][34]

Condecorações

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l GAMA, Maria José (2016). Caminhos da liberdade - biografias. Albufeira: Arandis. p. 396-407. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  2. a b c d e f g h «Manuel Pedroso Marques». Museu do Aljube - Resistência e liberdade. 12 de novembro de 2018. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  3. a b c d e f g «Manuel Pedroso Marques – Breve síntese biográfica» (PDF). Ordem dos economistas. Agosto de 2024. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  4. a b c d e f «Manuel Pedroso Marques - Biografia». Portal da literatura. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  5. a b c d e f g «Manuel Pedroso Marques». Almedina. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  6. Teixeira Correia (31 de dezembro de 2011). «Beja: Passam 50 anos do assalto ao quartel». Beja: Rádio Voz da Planície. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  7. Mário Ramires (9 de outubro de 2010). «Política: A verdade do assalto ao quartel de Beja 50 anos depois». Semanário Sol. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  8. «Documentário "Revolta de Beja"». RTP. 2018. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  9. «Almoço de aniversário do PS». Arquivos RTP. 19 de abril de 2017. Consultado em 29 de agosto de 2025 
  10. «O 25 de Abril do Coronel Manuel Pedroso Marques». Antena 1 – RTP. 25 de novembro de 2024. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  11. «Da Revolução à Normalização». Arquivos RTP. 27 de março de 2004. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  12. «Manuel Pedroso Marques - Biografia». Âncora editora. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  13. «Sefin - Associação portuguesa de utilizadores e consumidores de serviços e produtos financeiros». Associação de investidores e analistas técnicos. 6 de maio de 2011. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  14. «Sefin foi extinta e interrompe pareceres financeiros ao parlamento e Governo». Jornal de negócios. 24 de março de 2017. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  15. «Cascais Vela dedicado à CPLP». Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. 30 de agosto de 2013. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  16. «Associação 25 de Abril». Associação 25 de Abril. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  17. «"Dona Primavera chega sem falar em política para não complicar asilo do marido", Jornal do Brasil, 11 de junho de 1963». Consultado em 31 de agosto de 2025 
  18. «António Costa já é avô: nasceu a neta Luísa, por Débora Calheiros Lourenço» 🔗. Sábado. 26 de novembro de 2024. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  19. «Maria Antónia Palla». Antena 2 RTP. 11 de dezembro de 2017. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  20. MARQUES, Manuel Pedroso (20 d.C.). O futuro em aberto: pensar Portugal. Lisboa: Âncora. ISBN 978-972-780-903-5. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  21. «Pedroso Marques lança novo livro em que contrapõe progressismo e conservadorismo». RTP notícias. 8 de novembro de 2023. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  22. MARQUES, Manuel Pedroso (2018). Diálogos improváveis: O populista, a democracia, o radical e a opinião pública. Lisboa: Âncora. ISBN 978-972-780-778-9. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  23. MARQUES, Manuel Pedroso (2018). Populismo: todo o poder vem do povo! Mas para onde vai?. Lisboa: Âncora. ISBN 978-972-780-641-6. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  24. MARQUES, Manuel Pedroso (2015). Os exilados não esquecem nada mas falam pouco: ensaio sobre os factos e outras memórias. Lisboa: Âncora. ISBN 978-972-780-492-4. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  25. MARQUES, Manuel Pedroso (2010). Tempos difíceis, decisões urgentes. Lisboa: Bnomics. ISBN 978-989-8184-58-0. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  26. MARQUES, Manuel Pedroso (1996). O jogo estratégico na gestão. Lisboa: Difel. ISBN 972-29-0351-9. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  27. MARQUES, Manuel Pedroso (1981). Relações de Poder na Empresa. [S.l.]: Publicações Europa-América. ISBN 9789721019126. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  28. «Manuel Pedroso Marques». Âncora editora. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  29. ZWEIG, Stefan (2024). Brasil, um país do futuro. Óbidos: Balzac Publicações. ISBN 978-989-35842-0-0. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  30. «O "dilema do agulheiro": do lado dos professores ou das contas públicas». Público. 21 de maio de 2019. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  31. «A TAP é uma empresa estratégica?». Público. 7 de julho de 2020. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  32. «A "mão invisível" no mercado da TAP». Público. 22 de agosto de 2025. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  33. «Os 60 anos da Revolta de Beja». Jornal de Letras. 29 de dezembro de 2021. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  34. «Da prática à teoria da conspiração, in «O Referencial», n.º 136» (PDF). Associação 25 de Abril. Março de 2020. p. 88-91 e 106-107. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  35. a b «Entidades Nacionais Agraciadas com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Fernando Piteira Santos". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 31 de agosto de 2025