Manuel Elkin Patarroyo
| Manuel Elkin Patarroyo | |
|---|---|
![]() Manuel Elkin Patarroyo en 2013. | |
| Nascimento | Manuel Elkin Patarroyo Murillo 3 de novembro de 1946 Ataco |
| Morte | 9 de janeiro de 2025 (78 anos) Bogotá |
| Cidadania | Colômbia |
| Irmão(ã)(s) | Manuel Patarroyo |
| Alma mater | |
| Ocupação | patologista, imunologista, pesquisador |
| Distinções |
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| Empregador(a) | Universidade Nacional da Colômbia, Fundación Instituto de Inmunología de Colombia |
| Causa da morte | parada cardíaca |
Manuel Elkin Patarroyo Murillo (Ataco, 3 de novembro de 1946 – 9 de janeiro de 2025) foi um médico colombiano mundialmente reconhecido pelo desenvolvimento de uma vacina sintética contra a malária, uma doença transmitida pelo mosquito Anopheles gambiae. Esta vacina, cujos primeiros resultados em humanos foram publicados na revista Nature em 13 de agosto de 1987, mostrou uma eficácia entre 30-60% no ser humano.[1][2] Acredita-se que ela poderia ajudar a evitar a ação destruidora da malária evitando o óbito de um milhão de habitantes em diversos países considerando que 3 milhões de pessoas morrem anualmente devido à malária.[3] Em 1994 ganhou o Prémio Príncipe das Astúrias como reconhecimento de seu estudos sobre a malária. Em 1999 a OMS testou a vacina na Gâmbia, Tanzânia e Tailândia, com resultados parcialmente efetivos. Coordenou o desenvolvimento de uma vacina com uma eficácia maior para a malária.
Biografia
Patarroyo estudou medicina no Universidade Nacional da Colômbia. Recebeu bolsa de estudo na Universidade de Yale.
Trabalhou no melhoramento da vacina contra a malária no Instituto Nacional de Imunologia do Hospital San Juan de Dios em Bogotá, Colômbia. Devido à falta de verbas governamentais para o hospital passou a desenvolver a vacina em laboratório próprio.
Patarroyo morreu em 9 de janeiro de 2025, aos 78 anos.[4]
Trabalho científico
Patarroyo começou a fazer experiências com animais na década de 1980, pagando por macacos selvagens capturados na floresta amazônica, gerando tráfico ilegal realizado por indígenas que caçam os macacos esquivos para venda.[5]
A Corporação para o Desenvolvimento Sustentável do Sul da Amazônia (Corpoamazonía) abriu um arquivo (número 000102) para denúncias sobre irregularidades cometidas pela equipe de pesquisa da FIDIC (Fundación Instituto de Inmunología de Colombia) liderada por Manuel Elkin Patarroyo. O Ministério do Meio Ambiente, Habitação e Desenvolvimento Territorial da Colômbia realizou uma investigação motivada pelas denúncias da Corpoamazonía, que foram evidenciadas dentro das instalações da FIDIC 627 macacos da espécie Aotus nancymaae, que só haviam sido registrados no Brasil e no Peru e não em território colombiano.[6] A exportação destes animais não foi registada nas licenças das autoridades administrativas. Para 2008, o suposto comércio ilegal dessa espécie animal está sendo investigado pelo governo colombiano contra a FIDIC. Em 2012, o Tribunal Administrativo de Cundinamarca, na Colômbia, revogou as licenças para fazer experimentos com 4 000 macacos noturnos (Aotus trivirgatus) para o laboratório de selva de Patarroyo mas em março de 2015 a decisão foi revertida e os experimentos com primatas foram autorizados a continuar.[7]
Em abril de 2016, Patarroyo recebeu o doutorado honorário da Universidade Ricardo Palma, em cuja cerimônia oficial houve uma polêmica contra os defensores da biodiversidade da vida selvagem peruana. Ele, usando em seus ensaios clínicos espécies de macacos de cauda verde Aotus nancymaae, usando mais de 4000 espécimes, que retornaram ao seu estado selvagem sem baço, privados do sistema imunológico razão pela qual foi recriminado no ato mencionado. Os ecologistas apoiaram suas acusações com base em alegações no SERFOR do Peru, para as quais o investigador não teve resposta.[8]
Em novembro de 2016, uma investigação jornalística colombiana revelou o tráfego e o impacto ambiental da investigação de Patarroyo.[9]
Controvérsias
A vacina desenvolvida por Patarroyo é cercada de algumas controvérsias: apesar seus resultados parciais de eficácia, cientistas norte-americanos concluíram que a vacina não era viável e seu uso deveria ser descontinuado. Patarroyo acusou "arrogância" na orientação desses cientistas porque a vacina foi elaborada num país em desenvolvimento.[1]
Livros
- Manuel Elkin Patarroyo: un nuevo continente de la ciencia, 1994.
- Patarroyo: Pasión por la vida. Javier-Julio García Miravete. Ediciones del Viento, La Coruña 2005.
Referências
- ↑ a b «Health: Race for malaria money». BBC News. 26 de julho de 1999. Consultado em 26 de janeiro de 2008
- ↑ Susan Aldridge, Magic Molecules: How Drugs Work (Cambridge University Press, 1998), p. 89
- ↑ «Vacina contra a malária será eficaz em dois anos». 17 de junho de 2007. Consultado em 9 de janeiro de 2008
- ↑ Osorio, Camila (9 de janeiro de 2025). «Muere Manuel Elkin Patarroyo, científico colombiano conocido por su investigación en vacunas». El País (em espanhol). Consultado em 9 de janeiro de 2025
- ↑ Environmental Crime in Latin America: The Theft of Nature and the Poisoning on the land
- ↑ Primate Rights vs Research: Battle in Colombian Rainforest
- ↑ «A legal victory for night monkeys - International Primate Protection League» (em inglês). 18 de julho de 2012. Consultado em 21 de setembro de 2025
- ↑ Martínez, Helda (7 de abril de 2011). «HEALTH-COLOMBIA: Controversy Still Surrounds Malaria Vaccine Pioneer». Inter Press Service. Consultado em 21 de setembro de 2025
- ↑ Caracol, Noticias (29 de julho de 2020). «Los Informantes: historias a través de crónicas, perfiles y entrevistas | Caracol TV». Noticias Caracol (em espanhol). Consultado em 21 de setembro de 2025
Ligações externas
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