Manuel António Madureira e Cirne
Manuel António de Sousa Madureira e Cirne
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| Abade da Igreja Católica | |
| Abade da Paróquia de Santa Cecília | |
| Ordenação e nomeação | |
| Ordenação presbiteral | Abadia de Carrazedo por 1779 |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | Santa Maria, Bragança, Reino de Portugal 11 de abril de 1755 |
| Morte | Carrazedo, Bragança, Reino de Portugal 23 de dezembro de 1833 |
| Nacionalidade | portuguesa |
| Progenitores | Mãe: D. Francisca Doroteia de Madureira Pai: António Peres de Sousa |
| Habilitação académica | Cânones |
| Categoria:Igreja Católica Categoria:Hierarquia católica Projeto Catolicismo | |
Manuel António de Sousa Madureira e Cirne (Santa Maria, Bragança, 11 de abril de 1755 — Carrazedo, Bragança, 23 de dezembro de 1833) foi padre da Igreja Católica, abade da Abadia (e paróquia) de Carrazedo, na altura abadia da apresentação da Casa de Bragança.[1] Foi o primeiro em Bragança que, alegadamente, aberta e publicamente se levantou contra a ocupação francesa em 1808.[2][3] Escreveu Relação Fiel e exacta do Princípio da Revolução de Bragança e consequentemente de Portugal.[4]
Primeiros Anos
Manuel António de Sousa Madureira e Cirne nasceu na freguesia de Santa Maria, cidade de Bragança, a 11 de abril de 1755, e foi batizado a dezanove do mesmo mês e ano. Filho de António Peres de Sousa, capitão, natural de Nozedo, por sua vez filho de Domingos Pires, natural de Aguieiras e de D. Comba Gonçalves e de D. Francisca Doroteia de Madureira, natural de Bragança, filha de António Mendes Madureira e de D. Joana Maria.[5][6][7]
Vindo de uma condição social mais elevada, Manuel teve uma educação típica da baixa nobreza trasmontana, juntamente com uma especial formação eclesiástica.[6][7]
Desloca-se à Universidade de Coimbra, no ano de 1769, onde se matricula em Cânones[8]. Após licenciatura do mesmo curso, é ordenado presbítero e provido a abade de Carrazedo no ano de 1779, sendo lhe concedido brasão de armas a 29 de maio de 1782.[7][9]
Invasões Francesas
No dia 30 de novembro de 1807, à frente de seu exército, Junot entra em Lisboa, dando início a um período de ocupação francesa do território português. Após a ocupação, Junot irá criar várias leis vexatórias e humilhantes aos habitantes portugueses, desde a dissolução da Regência deixada por D. João, Príncipe Regente na altura e oficial anexação no Império Francês, como o pagamento de uma quantidade avultadíssima de francos, dinheiro esse que o País não possuía, tendo, por isso, várias igrejas e casas senhoriais sido roubadas e desprovidas do seu património.
A 11 de janeiro de 1808, Junot ordenou a dissolução de milícias. No entanto, esta medida não chegou a ser efetivada na província de Trás-os-Montes.[10]
Proclamação da Junta Provisional do Governo Supremo em Bragança
Aquando a restauração do Reino, a 8 de junho de 1808, no Porto, e à semelhança de outras terras espanholas contíguas à cidade de Bragança, também esta cidade pretendia se sublevar da ocupação francesa. À partida, beneficiava ainda das milícias e ordenanças presentes na província, bem como da vantagem geográfica e ideológica das populações locais.[10]
Recebendo uma carta do Porto, relatando os acontecimentos de sete e oito de Junho, Manuel António, com todas as condições a favor de uma sublevação na cidade de Bragança, reúne o governador e provisor do Bispado de Bragança, Dr. Paulo Miguel Rodrigues de Morais e dois militares– o capitão do agora extinto regimento de infantaria n.º24, Bernardo de Figueiredo Sarmento e o sargento-mor de milícias Manuel Ferreira de Sá Sarmento– e declara a restauração do Reino a 11 de junho, sendo o seu primeiro proclamador, nomeando Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda, como presidente do Conselho de Regência local. [11][10][7][12]
Por sua vez, foi eleito pelo Conselho de Regência o padre Manuel António Madureira e Cirne como membro da Junta Provisória do Supremo Governo da Província de Trás-os-Montes e o Representante do Clero do mesmo conselho.[7][3]
Últimos anos de vida
Após as invasões francesas, Manuel António manteve-se à frente da abadia de Carrazedo. [7] Durante a década de 1810, escreveu o livro Relação Fiel e exacta do Princípio da Revolução de Bragança e consequentemente de Portugal.[4]
Em 1823, foi, também, vigário capitular da Diocese de Bragança-Miranda.[7][13]
Em 1825 deixa de ser padre assinante das certidões da paróquia de Carrazedo, no entanto mantendo-se como abade da mesma.[14]
No dia de 23 de dezembro de 1833, falece Manuel António com idade de setenta e oito anos, de morte súbita, e foi sepultado na capela-mor da abadia de Carrazedo.[15]
Referências
- ↑ «Paróquia de Carrazedo - Arquivo Distrital de Bragança - DigitArq». digitarq.adbgc.arquivos.pt. Consultado em 17 de novembro de 2024
- ↑ Ferreira, José António (1816). Defeza dos Direitos Nacionaes e Reaes da Monarchia Portugueza (PDF). Tomo I. [S.l.: s.n.] p. 312
- ↑ a b Gomes de Sepúlveda, Manuel Jorge. Sepulveda patenteado, ou voz publica, e solemne, depositada em documentos autenticos, que devem servir para resolver a questão: quem foi o primeiro chefe, e proclamador da revolução transmontana em 1808?. [S.l.: s.n.] p. 6
- ↑ a b Madureira e Cirne, Manuel António. Relação fiel e exacta da revolução de Bragança e consequentemente de Portugal. Bragança: [s.n.]
- ↑ «PT-ADBGC-PRQ-BGC42-001-00005_m0001.tif - Registo de baptismos - Arquivo Distrital de Bragança - DigitArq». digitarq.adbgc.arquivos.pt. Consultado em 17 de novembro de 2024
- ↑ a b jornalista. «"Judeus" em Bragança: anos de 1700: Quadros Sociais- Ascensão social de António Mendes Madureira». Jornal Nordeste. Consultado em 17 de novembro de 2024
- ↑ a b c d e f g Alves, Francisco Manuel (1931). Memórias arquelógico-históricas do Distrito de Bragança. [S.l.]: Tip. Emprêsa Guedes
- ↑ «Manuel António Madureira de Sousa». Archeevo UC. 1769. Consultado em 17 de novembro de 2024
- ↑ Cartório da Nobreza. 3. [S.l.: s.n.] p. 54
- ↑ a b c Marques, João Francisco. O Clero nortenho e as invasões francesas - patriotismo e resistência regional (PDF). [S.l.]: FLUP
- ↑ Araújo, Ana Cristina. Resistência Patriótica e Revolução Liberal 1808-1820. [S.l.]: Imprensa da Universidade de Coimbra / Coimbra University Press
- ↑ Ferreira-Deusdado, Manuel Antonio (1912). Escorços trasmontanos, ensaio de literatura regional. [S.l.]: Livrarias Aillaud e Bertrand
- ↑ O Instituto: revista scientifica e literária. [S.l.]: Imprensa da Universidade. 1916
- ↑ «PT-ADBGC-PRQ-BGC07-003-00002_m0001.tif - Registo de óbitos - Arquivo Distrital de Bragança - DigitArq». digitarq.adbgc.arquivos.pt. Consultado em 17 de novembro de 2024
- ↑ «PT-ADBGC-PRQ-BGC07-003-00002_m0001.tif - Registo de óbitos - Arquivo Distrital de Bragança - DigitArq». digitarq.adbgc.arquivos.pt. Consultado em 17 de novembro de 2024