Manifesto Dadaísta

O Manifesto Dadaísta de Ball (em francês: Le Manifeste DaDa) é um texto do escritor e poeta alemão Hugo Ball, criado em 14 de julho de 1916 e lido no mesmo dia no Waag Hall em Zurique. Considerado a primeira publicação do movimento Dadá [1], conhecido como dadaísmo. Nesse manifesto, Hugo Ball expressa a sua objeção à transformação para um movimento artístico, mesmo sendo um dos fundadores e estado ativamente inserido por 6 meses, e esta foi sua primeira ruptura com os seus amigos, nomeadamente com Tristan Tzara.[2] A leitura do manifesto inaugurou uma nova era na arte moderna.

Hugo Ball

Em 1918, Tzara publicou outro manifesto, tido como um dos principais documentos do movimento, juntamente com o de Ball e o Manifesto Dadaísta de Richard Huelsenbeck, proferido alguns meses antes, naquele mesmo ano. Este último, dos muitos manifestos dadaístas, é o mais elaborado, o mais famoso e o mais discutido.

Contexto histórico

O Manifesto Dadaísta surgiu em um contexto de grande turbulência social e política. A Primeira Guerra Mundial estava em curso e a Europa vivia um período de grande destruição e sofrimento. O dadaísmo surgiu como uma resposta a essa realidade, buscando negar os valores tradicionais da arte e da sociedade.

O dia 5 de fevereiro de 1916 marcou o nascimento do movimento Dadá, graças aos poetas Hugo Ball, Richard Huelsenbeck, Tristan Tzara, aos pintores Jean Arp, Marcel Janco, Sophie Taeuber. Eles tomaram posse de uma taberna na Spiegelstrasse, transformaram-na em um café literário e artístico e a renomearam Cabaret Voltaire. Para ganhar a confiança do proprietário do local, Hugo Ball alegou querer perpetuar a tradição berlinense e parisiense dos cabarés pré-guerra, mas, na realidade, demonstrava outras ambições mais radicais: espírito de negação e escárnio, destruição voluntária da linguagem, criação de outra linguagem não corrompida por convenções, invenção de sons e poesia onomatopaica, ambos cantados e, se possível, acompanhados por instrumentos de percussão e gritados, com figurinos provocativos, como um traje rígido de papelão prateado representando um falo.

Hugo Ball no Cabaré Voltaire

Em março de 1917, os poetas inauguraram a Galeria Dadá, que oferecia palestras, performances e visitas guiadas a exposições educativas. Porém, Ball não compartilhava da ambição de Tzara de expandir o Dadá para um vasto movimento internacional.

Propostas e impacto

O Manifesto Dadaísta é um texto curto e contundente. Nele, Ball critica a racionalidade e a lógica que, segundo ele, levou à guerra e à destruição, e também critica a cultura tradicional e a arte academicista, que considera irrelevantes para o mundo moderno.

O Manifesto Dadaísta de Ball propõe uma nova estética, baseada na negação, na irracionalidade e no caos. Defende a liberdade de expressão e a experimentação artística, sem se preocupar com regras ou convenções. Teve um impacto significativo na arte moderna e inspirou o desenvolvimento de diversos movimentos artísticos de vanguarda, como o surrealismo e o expressionismo abstrato.

À época, surgiram críticas argumentando que o Manifesto era um texto niilista e negativo, além da falta de clareza e de propostas concretas.

Apesar das críticas, o Manifesto Dadaísta de Ball é um documento importante para a história da arte, uma vez que representa um momento de ruptura com a tradição e um marco na busca por novas formas de expressão artística.

Referências

  1. Motherwell, Robert (1951). The Dada painters and poets; an anthology. New York: Wittenborn, Schultz. OCLC 1906000 
  2. Goldberg, Roselee. Thomas & Hudson / L'univers de l'art, ed. La Performance (em francês). [S.l.: s.n.] p. Chapitre 3 / Dada : la revue et la galerie. ISBN 978-2-87811-380-8