Manhunt (jogo eletrônico)

Manhunt
DesenvolvedoraRockstar North
PublicadoraRockstar Games
ProdutoresAndy Hay
Leslie Benzies
EscritoresAlan Davidson
James Worrall
Christian Cantamessa
ProgramadoresJohn Whyte
Obbe Vermeij
Adam Fowler
ArtistasAndy Hay
Aaron Garbut
CompositorCraig Conner
MotorRenderWare
SérieManhunt
PlataformasPlayStation 2
Windows
Xbox
LançamentoPlayStation 2
  • AN: 19 de novembro de 2003
  • EU: 21 de novembro de 2003
Windows e Xbox
  • AN: 20 de abril de 2004
  • EU: 23 de abril de 2004
GéneroFurtividade
Modos de jogoUm jogador

Manhunt é um jogo eletrônico de furtividade de 2003 desenvolvido pela Rockstar North e publicado pela Rockstar Games. foi lançado para PlayStation 2 em novembro de 2003, seguido por versões para Microsoft Windows e Xbox em abril de 2004.[1][2] Ambientado na fictícia Carcer City, os jogadores controlam um condenado à morte chamado James Earl Cash, que é forçado a participar de uma série de filmes snuff, matando membros de gangues criminosas enviados para caçá-lo diante das câmeras.

O jogo recebeu avaliações positivas, com elogios ao seu tom sombrio e jogabilidade violenta, embora o combate e o design de níveis tenham sido criticados. Devido à sua violência gráfica, Manhunt foi alvo de significativa controvérsia no mundo dos jogos eletrônicos e banido em diversos países. Também foi associado a um assassinato pela mídia britânica, embora essa acusação tenha sido posteriormente rejeitada pela polícia e pelos tribunais. Embora não tenha sido um sucesso comercial, Manhunt conquistou um público fiel considerável e ganhou uma sequência independente, Manhunt 2, em 2007. O jogo foi relançado através da PlayStation Network para PlayStation 3 em 2013 e PlayStation 4 em 2016.

Jogabilidade

Manhunt é um jogo de furtividade jogado em terceira pessoa. O jogo consiste em vinte níveis, chamados de "cenas", além de quatro cenas bônus desbloqueáveis.[1] Os jogadores sobrevivem às cenas eliminando membros de gangues inimigas, ocasionalmente com armas de fogo, mas principalmente executando-os furtivamente.[3] Ao final de cada cena, os jogadores são avaliados com base em seu desempenho e recebem de uma a cinco estrelas. Conteúdo desbloqueável fica disponível quando o jogador conquista três ou mais estrelas em um determinado número de níveis. Na dificuldade normal (chamada de "Fetish"), os jogadores podem ganhar apenas quatro estrelas; uma é concedida por completar a cena dentro de um determinado tempo, e de uma a três estrelas são concedidas com base na brutalidade das execuções realizadas durante a cena. Na dificuldade difícil (chamada de "Hardcore"), os jogadores são avaliados em até cinco estrelas; uma para velocidade, de uma a três para brutalidade e uma para completar a cena. Para obter o número máximo de estrelas, um determinado número de execuções brutais deve ser realizado ao longo de cada cena; lutas cara a cara não concedem estrelas.[3]

Para executar um inimigo, o jogador deve se aproximar dele por trás, sem ser detectado. Para facilitar isso, cada cena é repleta de "pontos escuros", sombras onde o jogador pode se esconder. Os inimigos não conseguem ver através das sombras, a menos que vejam o jogador entrando na área. Uma técnica padrão no jogo é se esconder nas sombras e tocar em uma parede para atrair a atenção de um caçador próximo. Quando o caçador examina a área e se afasta, o jogador pode facilmente emboscá-lo e executá-lo.[4] O jogo possui três níveis de execução, cada um progressivamente mais violento e gráfico que o anterior: execuções "rápidas" são velozes e pouco sangrentas, "violentas" são consideravelmente mais sangrentas e "horripilantes" são assassinatos sangrentos e exagerados. O jogador controla o nível de execução; uma vez que a mira trava em um inimigo, a cor da mira muda ao longo do tempo para indicar os três níveis: branco, amarelo e vermelho.[5][6]

Ao longo do jogo, os jogadores podem usar uma grande variedade de armas, incluindo sacos plásticos, tacos de beisebol, pés de cabra e diversos objetos cortantes. Mais tarde no jogo, armas de fogo ficam disponíveis para uso quando as execuções se tornam impraticáveis. Caso os jogadores sofram dano, sua saúde diminui; a saúde pode ser restaurada com o uso de analgésicos, que estão disponíveis em cada cena.[4] Os jogadores têm uma barra de resistência que diminui enquanto correm, mas se regenera automaticamente quando permanecem parados.[3] Manhunt utiliza o microfone USB opcional do PlayStation 2 e o recurso de microfone do Xbox Live no Xbox em suas respectivas versões do jogo. Quando um desses dispositivos está conectado, os jogadores podem usar o som de sua própria voz para distrair os inimigos no jogo e ouvir os comandos do diretor diretamente pelo headset. Isso adiciona um elemento extra ao aspecto furtivo e à imersão do jogo, já que os jogadores devem evitar fazer barulhos como tossir, pois esses sons também podem atrair a atenção de inimigos próximos.[3]

Sinopse

Cenário

Manhunt se passa na fictícia Carcer City, uma cidade decadente da região industrial, repleta de corrupção e crimes.[7][8] À espreita pela cidade, diversas gangues violentas procuram encontrar e matar o jogador.[9] O jogo se passa em um universo compartilhado com a série Grand Theft Auto.

Trama

No ano de 2003 em Carcer City, uma jornalista (Kate Miller)[10] faz uma reportagem sobre James Earl Cash (Stephen Wilfong),[10] um condenado à morte que foi recentemente executado por injeção letal. No entanto, Cash estava apenas sedado e acorda ao som de uma voz desconhecida que se autodenomina "O Diretor" (Brian Cox),[10] dando-lhe instruções através de um fone de ouvido. O Diretor promete a Cash a sua liberdade, mas apenas se ele matar os "Caçadores" – membros de gangues enviados para caçá-lo – em áreas específicas de Carcer City, monitoradas por câmeras de segurança. Cash enfrenta inicialmente os Hoods, uma gangue de criminosos perigosos e policiais corruptos que patrulham uma área abandonada da cidade. Após eliminá-los, ele é sequestrado pela Cerberus, a unidade de segurança pessoal do Diretor, que o leva para outra parte de Carcer City.

Enquanto o Diretor monitora suas ações, Cash é forçado a matar mais criminosos em vários locais abandonados, encontrando uma gangue de skinheads supremacistas brancos chamada Skinz, um grupo paramilitar sádico chamado Wardogs, uma gangue de foras da lei chamada Innocentz (composta principalmente pelos ocultistas hispânicos Skullyz e pelos Babyfaces, um grupo formado por pedófilos e assassinos com deficiência mental) e um grupo de ex-internos de um hospício chamado Smileys. Eventualmente, o Diretor trai Cash e, após ordenar a morte de sua família, tenta assassiná-lo também, como parte do clímax de seu filme. Cash sobrevive à armadilha e escapa após jurar vingança contra o Diretor.

Os Wardogs restantes, liderados por Ramirez (Chris McKinney),[10] o braço direito do Diretor, são enviados para recapturar Cash e conseguem prendê-lo em um jogo de gato e rato. Cash prevalece e mata Ramirez e seus homens, antes de ser resgatado pela jornalista que o investigava, a qual revela que o Diretor é Lionel Starkweather, um ex-produtor de cinema de Los Santos que produz para uma rede de filmes snuff. A jornalista conseguiu provas suficientes contra Starkweather para condená-lo, mas precisa que Cash a acompanhe até seu apartamento para obtê-las. Enquanto isso, Starkweather chantageia o chefe de polícia corrupto Gary Schaffer para que envie seus homens para matar Cash e a jornalista, mas os dois conseguem escapar. Após recuperar as provas, Cash diz à jornalista para deixar a cidade com elas enquanto ele vai atrás de Starkweather.

Perseguido pela polícia e pela SWAT pelo metrô e pelas ruas, Cash acaba encurralado em um pátio ferroviário e quase é executado sumariamente. Ele é salvo pela Cerberus, que matam os policiais da SWAT e levam Cash para a mansão de Starkweather para que eles mesmos o executem. Os Cerberus se distraem quando Piggsy (Hunter Platin)[10] se liberta. Piggsy é um maníaco com uma motosserra que Starkweather mantinha acorrentado no sótão da mansão; Cash escapa e confronta Piggsy nos andares superiores da mansão. Incapaz de lutar diretamente com ele, Cash usa ataques furtivos contra Piggsy antes de enganá-lo para que fique em pé sobre uma grade, que desaba sob seu peso, permitindo que Cash pegue sua motosserra e o finalize com ela. Depois de eliminar os Cerberus restantes, Cash confronta Starkweather em seu escritório e o mata com a motosserra.

A mídia e a polícia chegam à mansão enquanto a jornalista expõe a rede de venda filmes snuff de Starkweather e a cumplicidade da polícia, o que leva Schaffer a ser processado criminalmente por corrupção. Cash, no entanto, não é encontrado em lugar nenhum.

Desenvolvimento

A Rockstar North começou o desenvolvimento de Manhunt em 2000, construindo o jogo com o motor RenderWare que havia sido usado para os títulos de Grand Theft Auto.[11] Em setembro de 2003, a GamesMaster publicou uma prévia de Manhunt, comentando: "[A Rockstar North] usou toda a sua imaginação para distorcer ainda mais a forma como os jogos são feitos no futuro e entrega um ataque contundente e sem remorso aos padrões dos jogos. [...] possui uma sutileza distorcida que questiona a realidade dos jogos... Cria uma experiência árida, dura e violenta e, em seguida, a perfura com algo psicodélico e sombriamente cômico...".[12] Em um artigo retrospectivo, um ex-funcionário da Rockstar admitiu que o jogo quase causou uma revolta na empresa, dizendo que a equipe "já havia enfrentado muita controvérsia com Grand Theft Auto III e Vice City — não éramos estranhos a isso — mas Manhunt era diferente. Com GTA, sempre tínhamos a desculpa de que a jogabilidade era livre — você nunca precisava machucar ninguém que não fosse um 'vilão' em uma das missões. Você podia jogar de forma completamente ética se quisesse, e o jogo era uma paródia de qualquer maneira, então relaxa".[13]

Manhunt foi anunciado na E3 em maio de 2003.[14] O jogo estava originalmente previsto para ser lançado em outubro,[15][16][17] e acabou sendo lançado para PlayStation 2 em 19 de novembro de 2003 na América do Norte, seguido por um lançamento europeu em 21 de novembro.[18][19] Durante seu primeiro mês de vendas, o jogo vendeu 75.000 cópias nos Estados Unidos, "uma fração" das cópias vendidas por Grand Theft Auto III e Grand Theft Auto: Vice City, jogos também distribuídos pela Rockstar.[20] Apesar dessas vendas comparativamente baixas,[21] o jogo recebeu uma versão para Windows e Xbox, lançada na América do Norte em 20 de abril de 2004 e na Europa em 23 de abril.[22][23][24] A Rockstar lançou produtos exclusivos, edições limitadas e bônus de pré-venda, como trilhas sonoras oficiais, uma figura de Piggsy e um modificador de voz portátil.[25]

O jogo foi disponibilizado pela Steam em janeiro de 2008.[26][27] Manhunt foi incluído gratuitamente para jogadores que pré-encomendaram a versão para PC de Manhunt 2 em novembro de 2009.[28] Em 14 de maio de 2013, Manhunt foi disponibilizado para compra no PlayStation 3 na categoria Clássicos do PS2 da PlayStation Network.[29] Foi lançado novamente para PlayStation 4 em 22 de março de 2016, com suporte a 1080p e troféus.[30]

Recepção

As versões para PlayStation 2 e PC de Manhunt receberam "críticas geralmente favoráveis", enquanto a versão para Xbox recebeu críticas "mistas ou medianas", de acordo com o site agregador de críticas Metacritic.[31][32][33] Em 26 de março de 2008, a série Manhunt havia vendido 1.7 milhão de cópias em todo o mundo.[34] No 7º Annual Interactive Achievement Awards, o jogo foi indicado para "Jogo de Ação/Aventura para Console do Ano".[35] Manhunt recebeu um prêmio de vendas "Ouro" da Entertainment and Leisure Software Publishers Association (ELSPA),[36] indicando vendas de pelo menos 200.000 cópias no Reino Unido.[37]

O tom sombrio e niilista do jogo e sua natureza violenta foram destacados por muitos críticos como algo único no mundo dos videogames. O GameSpot concluiu que, "quer queiramos ou não, o jogo ultrapassa os limites da violência nos videogames e mostra inúmeras cenas de carnificina totalmente sem censura e altamente estilizada".[38] A Game Informer elogiou a audácia e as capacidades técnicas competentes da versão para PS2, afirmando: "É uma premissa assustadora que coloca os jogadores em um impasse psicológico. Os crimes que você comete são indescritíveis, mas a jogabilidade que leva a esses atos horrendos é tão refinada e intensa que chega a ser emocionante".[39] A IGN elogiou o desafio geral da versão para console, chamando-a de "uma experiência sólida e profunda para jogadores experientes que anseiam por jogos hardcore e desafiadores".[1] A Edge deu à mesma versão para console oito de dez, dizendo: "Como GTA, há mais aqui do que choque e admiração. Dentro de sua estrutura linear, há muita liberdade para agir, muito mais do que Splinter Cell e Metal Gear Solid 2, os títulos aos quais Manhunt mais se assemelha".[40]

O jornalista Ben Rayner, do Toronto Star, elogiou a relevância do jogo, defendendo sua violência e natureza gráfica como um produto típico de sua época e condenando os apelos para que fosse proibido;

Como entretenimento e artefato cultural, Manhunt é totalmente perturbador. Mas o mesmo se aplica aos noticiários da noite, à loucura do "eu como qualquer coisa por dinheiro de Fear Factor e o tiroteio desenfreado e misantrópico de Bad Boys II, então, defenderei até meu último suspiro o direito da Rockstar de me vender esse conteúdo e a qualquer outra pessoa que o queira. ... Será que jogos como esses podem ter consequências psicológicas graves, principalmente para os jovens? Como sempre, permaneço neutro quanto ao assunto. Quem sabe, na verdade? O debate nunca será resolvido. O exército americano obviamente acha que há algo aí: a nova e preocupante campanha publicitária na TV para a reserva dos EUA atrai jovens soldados em potencial com histórias de aventura acompanhadas de animações descaradas no estilo de videogames. E, curiosamente, ninguém reclamou ou tentou banir SOCOM U.S. Navy SEALs, nos quais o sigilo e a capacidade de matar são ainda mais importantes do que em Manhunt.[41]

O Chicago Tribune foi especialmente elogioso com o jogo, argumentando que ele marcou um momento significativo na história dos videogames;

Manhunt é facilmente o jogo mais violento já feito. Provavelmente será descartado por muitos como um simulador de assassinatos repugnante, sem razão para existir. Mas Manhunt também é o Laranja Mecânica dos videogames, mantendo seus olhos bem abertos para que você não perca nenhum respingo – perguntando: é isso mesmo que você gosta de assistir? Se Manhunt tivesse sido mal feito, usando o tema de filmes snuff como um artifício barato, o jogo teria sido vergonhoso e explorador. O que o eleva a uma obra de arte grotesca e arrepiante é tanto a apresentação quanto a jogabilidade. Manhunt é sólido como jogo; é envolvente usar o modo furtivo enquanto você se esgueira pelas ruas desta cidade perversa, usando sua inteligência para evitar a morte, enquanto distribui muita porrada. Se Manhunt fizer sucesso no varejo, dirá mais sobre o fascínio dos Estados Unidos pela violência do que qualquer discurso político ou debate social. Isso faz de Manhunt o videogame mais importante dos últimos cinco anos.[42]

O jogo recebeu algumas críticas. Certos elementos de jogabilidade, como a mecânica de tiro, foram considerados "frustrantes" pela Eurogamer, que afirmou que "mais da metade das vezes a mira se recusa a reconhecer um inimigo se aproximando até que ele esteja virtualmente na sua frente".[43] A GameSpot concordou, observando que a "IA é muito pior nos níveis mais voltados para a ação".[4] A 1UP.com disse que rapidamente se "cansava da violência... das peculiaridades da IA ​​[e] do design repetitivo dos níveis".[5]

Controvérsias

As controvérsias em torno do jogo decorrem principalmente da forma gráfica como o jogador executa os inimigos. Em 2007, o ex-funcionário da Rockstar, Jeff Williams, revelou que até mesmo a equipe do jogo se sentia um tanto desconfortável com o nível de violência; "quase houve um motim na empresa por causa daquele jogo". Williams explicou que o jogo "simplesmente nos deixava todos com uma sensação ruim. Era tudo sobre violência, e era violência realista. Todos sabíamos que não havia como explicar aquele jogo. Não havia como racionalizá-lo. Estávamos cruzando uma linha".[13]

A violência no jogo chamou a atenção do representante estadunidense Joe Baca, que patrocinou um projeto de lei para multar quem vendesse jogos com temática adulta para jogadores menores de 17 anos. Baca disse sobre Manhunt: "está ensinando crianças a matar alguém e usa métodos cruéis, sádicos e violentos para matar".[44] A mídia foi envolvida no debate. Por exemplo, o jornal The Globe and Mail escreveu: "Manhunt é uma desconexão venal para o gênero. Não há desafio, apenas um massacre ritualístico em série. É menos um videogame e mais uma arma de destruição pessoal. Trata-se de acumular corpos. Talvez o fato mais assustador de todos: Manhunt é tão fácil de usar que qualquer criança esperta de 12 anos poderia terminar o jogo inteiro de uma só vez".[45]

Assassinato de Stefan Pakeerah

Em 28 de julho de 2004, o jogo foi associado ao assassinato de Stefan Pakeerah, de 14 anos, por Warren Leblanc, de 17 anos, em Leicestershire, Inglaterra. Os primeiros relatos da mídia afirmavam que a polícia havia encontrado uma cópia do jogo no quarto de Leblanc. Giselle e Patrick Pakeerah, pais da vítima, alegaram que o jogo havia influenciado LeBlanc e desempenhado um papel no assassinato.[46][47][48] A Entertainment and Leisure Software Publishers' Association (ELSPA) ofereceu condolências à família Pakeerah, mas rejeitou qualquer ligação entre o jogo e o assassinato. A ELSPA também observou que o jogo era classificado como impróprio para menores de 18 anos pelo British Board of Film Classification e não era destinado a menores.[49] Devido à controvérsia, o jogo foi retirado das prateleiras de alguns vendedores, incluindo a Game e a Dixons. Em resposta, a Rockstar reiterou que o jogo era destinado a adultos e negou qualquer ligação com o assassinato.[50] A especulação da mídia sobre uma possível proibição do jogo aumentou a demanda por ele em varejistas físicos e online.[51] Giselle Pakeerah afirmou sua decepção com o aumento do interesse no jogo.[52]

Em 30 de julho de 2004, o advogado estadunidense Jack Thompson, defensor do combate à violência em videogames, afirmou ter alertado a Rockstar antes do lançamento do jogo de que ele poderia inspirar assassinatos por imitação.[53] Em 2 de agosto de 2004, foi noticiado que os Pakeerahs haviam contratado Thompson para representá-los em um processo de indenização por homicídio culposo no valor de £50 milhões contra a Sony Computer Entertainment (SCE) e a Rockstar Games. Naquele dia, a polícia negou oficialmente qualquer ligação entre o jogo e o assassinato, citando roubo relacionado a drogas como motivação e revelando que o jogo havia sido encontrado no quarto de Pakeerah, e não no de Leblanc, como relatado inicialmente.[54][55][56] Ao término da investigação, a polícia reafirmou que não havia encontrado provas suficientes que ligassem o jogo ao assassinato.[57] O juiz responsável pelo caso atribuiu a responsabilidade exclusiva a Leblanc após condená-lo à prisão perpétua.[56] O processo movido pelos Pakeerahs contra a SCE e a Rockstar foi arquivado logo em seguida.

Houve uma nova controvérsia após o anúncio de Manhunt 2 em fevereiro de 2007, com os Pakeerahs condenando seu lançamento.[58] A Take-Two Interactive, empresa controladora da Rockstar, emitiu um comunicado afirmando que "o juiz, a defesa, a acusação e a polícia de Leicester" no caso refutaram qualquer ligação com o jogo.[59] Jack Thompson tentou, sem sucesso, proibir Manhunt 2,[60] alegando que a Take-Two havia mentido sobre o incidente e que a polícia estava incorreta ao afirmar que o jogo pertencia a Pakeerah.[61]

Na Nova Zelândia, o jogo foi proibido em 11 de dezembro de 2003,[62][63] sendo a posse considerada uma ofensa. Bill Hastings, o Chefe de Censura, afirmou: "é um jogo onde a única coisa que você faz é matar todos que vê... Você tem que, no mínimo, concordar com esses assassinatos e possivelmente tolerá-los, ou até mesmo começar a apreciá-los, o que é prejudicial ao bem público".[64] Em 2023, o Escritório reconsiderou Manhunt e o classificou como R18.[65]

Na Austrália, o jogo foi inicialmente permitido sob a classificação MA15+, mas essa decisão foi revertida pelo Conselho de Classificação Australiano em setembro de 2004, após um recurso do Procurador-Geral Philip Ruddock. Como consequência, o jogo foi efetivamente proibido, obrigando o recolhimento de todas as cópias ainda vendidas nas lojas. Antes do recolhimento, Manhunt já havia vendido 18.000 unidades na Austrália.[66]

No Canadá, após uma reunião em Toronto em 22 de dezembro de 2003, entre Hastings e funcionários do Ministério de Serviços ao Consumidor e Empresas de Ontário, Manhunt tornou-se o primeiro jogo eletrônico em Ontário a ser classificado como filme e foi restrito a adultos em 3 de fevereiro de 2004. Além de Ontário, no entanto, Manhunt teve poucos ou nenhum problema de classificação em outras partes da América do Norte. O Escritório de Classificação de Filmes da Colúmbia Britânica revisou o jogo após a controvérsia em Ontário e considerou a classificação Mature (para maiores de 17 anos) da ESRB apropriada.[67]

Na Alemanha, o Amtsgericht de Munique confiscou a versão para PlayStation 2 de Manhunt em 19 de julho de 2004, por violação do § 131 StGB ("representação da violência"). Segundo o tribunal, o jogo retrata o assassinato de seres humanos como algo divertido. Eles também disseram que glorificava o vigilantismo, o que consideraram prejudicial.[68] Todas as outras versões foram indexadas.[69]

Problemas de proteção contra cracks na Steam

Para combater a pirataria, a versão comercial continha duas camadas de gerenciamento de direitos digitais (DRM): o sistema SecuROM e diversos mecanismos que quebravam o jogo e eram ativados quando o SecuROM estava ausente. Para disponibilizar o jogo na Steam sem DRM de terceiros, a Rockstar Games o relançou com um crack já existente criado por Razor 1911. Como isso foi descoberto em 2010, a empresa lançou rapidamente uma nova versão da versão comercial com apenas o SecuROM removido. As medidas proprietárias não foram corrigidas, o que levou à venda de uma versão defeituosa no Steam. Antes de 2023, os mecanismos de proteção contra cracks, como portões e portas que não funcionavam corretamente e bloqueavam o progresso no jogo, eram interpretados como problemas de compatibilidade com sistemas operacionais mais recentes. No entanto, descobriu-se que a versão do Steam tinha medidas de proteção contra cracks ativas, apesar de ser uma versão oficial, devido à remoção incompleta do DRM.[70] Em seguida, surgiram avaliações no Steam reclamando das medidas antipirataria e da venda de uma versão crackeada do jogo. Essa versão permanece inalterada até setembro de 2023.

Legado

Manhunt conquistou um público fiel entre os fãs,[71] e foi citado por um artigo da Vice em março de 2016 como um dos "melhores jogos da Rockstar. Da mesma forma, a Game Informer considerou o jogo uma "obra-prima sombria e subestimada".[72] Foi reconhecido como um exemplo do "melhor do terror nos jogos" pela VentureBeat em outubro de 2011, incluído na lista dos 1001 Jogos de Videogame Que Você Deve Jogar Antes de Morrer em 2010 e listado em 85º lugar na lista dos "100 Melhores Jogos de PlayStation 2" da IGN naquele mesmo ano.[73]

Uma sequência, Manhunt 2, foi lançada em outubro de 2007 nos Estados Unidos e em outubro de 2008 na Europa.[74][75] Embora a sequência mantenha muitos dos elementos de furtividade usados ​​em seu antecessor, o enredo de Manhunt 2 não é relacionado ao do primeiro jogo.

Referências

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