Mamífero marinho




Os mamíferos marinhos são mamíferos aquáticos que dependem dos ecossistemas marinhos para a sua existência. Incluem os pinípedes (focas, leões-marinhos, morsas), cetáceos (baleias, golfinhos, toninhas), sirenios (peixes-boi, dugongos), lontras-marinhas e ursos-polares. Não constituem um táxon diferenciado nem uma unidade sistemática, mas sim um grupo polifilético, resultante da evolução convergente, uma vez que partilham um modo de vida semelhante sem possuírem um ancestral comum recente.
A adaptação biológica dos mamíferos marinhos a um estilo de vida aquático varia consideravelmente entre as espécies. Tanto os cetáceos como os sirénios são totalmente aquáticos e nunca visitam terra firme. As focas e os leões-marinhos são semi-aquáticos, pois, embora passem a maior parte do tempo na água, necessitam regressar a terra para se reproduzir, descansar e mudar de pelagem. Em contraste, as lontras-marinhas e os ursos-polares estão muito menos adaptados à vida aquática.
As dietas dos mamíferos marinhos também variam bastante: alguns alimentam-se de zooplâncton, outros de peixes, lulas, moluscos, plantas marinhas, e alguns poucos predam outros mamíferos. Embora o número de espécies de mamíferos marinhos seja reduzido em comparação com os terrestres, o seu papel em diversos ecossistemas é fundamental, especialmente na manutenção do equilíbrio ecológico, por exemplo através da regulação das populações das suas presas. Este papel ecológico torna preocupante o facto de cerca de 23% das espécies marinhas se encontrarem atualmente ameaçadas.

Os mamíferos marinhos foram caçados desde tempos remotos por povos indígenas para obtenção de alimento e outros recursos. Muitos foram também alvo da exploração comercial, o que provocou um declínio acentuado nas populações das espécies exploradas, como as baleias e as focas. A caça comercial levou à extinção da Hydrodamalis gigas e da Neomonachus tropicalis. Após o fim dessa prática, algumas espécies, como a baleia-cinzenta e o elefante-marinho-do-norte, recuperaram em número; por outro lado, outras, como a baleia-franca-do-Atlântico-Norte, permanecem em perigo crítico.
Origem
Como os mamíferos desenvolveram-se originariamente na terra, sua espinha dorsal é otimizada para correr, permitindo movimentos verticais, mas pequenos movimentos laterais. Além disso, os mamíferos marinhos nadam tipicamente movendo sua espinha para cima e para baixo. Por contraste, os peixes normalmente nadam movendo sua espinha para os lados. Por esta razão, a maioria dos peixes têm uma nadadeira vertical na cauda, enquanto os mamíferos marinhos possuem nadadeira horizontal na cauda.
Grupos
Existem seis grupos de mamíferos marinhos:
- Ordem Sirenia: peixe-boi, dugongo.
- Ordem Carnivora, família Ursidae: urso-polar.
- Ordem Carnivora, superfamília Pinnipedia: pinípedes, leão-marinho, foca e morsa
- Ordem Carnivora, família Mustelidae: lontra-marinha e lontra-felina
- Ordem Cetacea: baleia, golfinho e marsuíno
- Ordem †Desmostylia
Quando grupos diferentes de mamíferos marinhos originam-se de diferentes ancestrais, este é um caso de convergência evolutiva.
Classificação das espécies existentes
- Ordem Cetartiodactyla[1]
- Subordem Whippomorpha
- Família Balaenidae (baleias-francas), dois géneros e quatro espécies
- Família Cetotheriidae (baleia-anã), uma espécie
- Família Balaenopteridae (rorquais), dois géneros e oito espécies
- Família Eschrichtiidae (baleia-cinzenta), uma espécie
- Família Physeteridae (cachalote), uma espécie
- Família Kogiidae (cachalotes-pigmeus e anões), um género e duas espécies
- Família Monodontidae (narval e beluga), dois géneros e duas espécies*** Família Ziphiidae (zifídeos), seis géneros e 21 espécies
- Família Delphinidae (golfinhos marinhos), 17 géneros e 38 espécies
- Família Phocoenidae (botos), dois géneros e sete espécies
- Subordem Whippomorpha
- Ordem Sirenia [1]
- Subordem Cynodontia
- Família Trichechidae (manatins), um género e três espécies
- Família Dugongidae (dugongos), uma espécie
- Subordem Cynodontia
- Ordem Carnivora [1]
- Subordem Caniformia
- Família Mustelidae (lontra-marinha norte-americana e sul-americana), dois géneros e duas espécies
- Família Ursidae (urso-polar), uma espécie
- Subordem Pinnipedia
- Família Otariidae (leões-marinhos), 7 géneros e 15 espécies
- Família Odobenidae (morsas), uma espécie
- Família Phocidae (focas), 14 géneros e 18 espécies
- Subordem Caniformia
Principais diferenças
Algumas das diferenças principais entre os mamíferos marinhos e outros habitantes marinhos são:
- Mamíferos marinhos respiram ar, enquanto a maioria dos outros animais marinhos extraem o oxigênio da água.
- Mamíferos marinhos possuem cabelo. Cetáceos possuem pouco ou nenhum cabelo, geralmente algumas poucas cerdas ao redor da cabeça ou boca. Todos os membros da ordem Carnivora têm uma camada de pele ou cabelo, mas são mais espessos e importantes para a termorregulação em lontras marinhas e ursos polares do que em focas ou leões marinhos. As densas camadas de pele contribuem para arrastar-se enquanto nada, tornando os mamíferos lentos, o que causa uma desvantagem na velocidade do nado.
- Mamíferos marinhos possuem grossas camadas de gordura, usadas para isolar seus corpos e prevenir a perda de calor. Lontras marinhas e ursos polares são exceção, dependendo mais da pele para se afastar da hipotermia.
- A maioria dos mamíferos marinhos dão à luz um filhote por vez, e não são capazes de parir gêmeos ou ninhadas maiores.
- E um grande detalhe, a presença do ouvido interno, como é no caso das lontras, baleias, focas, peixes-boi.
Ligações externas
- A 2005 Report by the National Academy of Sciences entitled Marine Mammal Populations and Ocean Noise, is available for free online reading and research
- «Uma baleia consegue viver em água doce?». no ComoTudoFunciona.
- ↑ a b c «Lista taxonómica de espécies e subespécies do Comité de Taxonomia da Society for Marine Mammalogy» (PDF). 2014. Consultado em 25 de junho de 2016