Madhuca longifolia

Madhuca longifolia

Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: Planta vascular
Clado: Angiosperma
Clado: Eudicotyledoneae
Clado: Asterídeas
Ordem: Ericales
Família: Sapotaceae
Gênero: Madhuca
Espécie: M. longifolia
Nome binomial
Madhuca longifolia
(J.Konig) J.F.Macbr.

Madhuca longifolia é uma árvore tropical indiana amplamente encontrada nas planícies e florestas do centro, sul e norte da Índia, além de Nepal, Myanmar e Sri Lanka. É comumente conhecida como madhūka, mahura, madkam, mahuwa, mohulo, iluppai, mee ou ippa-chettu.[1] Trata-se de uma árvore de crescimento rápido que alcança cerca de 20 metros de altura, com folhagem perene ou semidecídua, pertencente à família Sapotaceae.[2] Adapta-se bem a ambientes áridos e é uma espécie proeminente nas florestas decíduas mistas tropicais da Índia, presente em estados como Maarastra, Orissa, Chatisgar, Jarcanda, Utar Pradexe, Biar, Andra Pradexe, Madia Pradexe, Querala, Guzerate, Bengala Ocidental e Tâmil Nadu.[3]

Usos

É cultivada em regiões quentes e úmidas por suas sementes oleaginosas (produzindo entre 20 e 200 kg de sementes por ano por árvore, dependendo da maturidade), flores e madeira. A gordura (sólida à temperatura ambiente) é usada para cuidados com a pele, na fabricação de sabões ou detergentes e como manteiga vegetal. Também pode ser utilizada como combustível. Os bolos de sementes, obtidos após a extração do óleo, são excelentes fertilizantes. As flores servem para produzir uma bebida alcoólica na Índia tropical, conhecida por afetar também animais.[4] Diversas partes da árvore, incluindo a casca, têm propriedades medicinais.

M. longifolia em Haiderabade, Índia

As folhas de Madhuca indica (sinônimo de M. longifolia) são alimento da mariposa Antheraea paphia, que produz seda tussar [en], uma forma de seda selvagem [en] de importância comercial na Índia.[5] Folhas, flores e frutos também são cortados para alimentar cabras e ovelhas.[6] O óleo das sementes de Madhuca indica pode ser usado para sintetizar resinas poliméricas. Em uma tentativa, foi utilizado para preparar resinas de poliuretano tipo alquídica, que são uma boa fonte de revestimentos orgânicos anticorrosivos.[7]

Os tâmeis têm vários usos para M. longifolia (iluppai em tâmil). O ditado "aalai illaa oorukku iluppaip poo charkkarai" sugere que, na ausência de açúcar de cana, a flor de M. longifolia pode ser usada por sua doçura. No entanto, a tradição tâmil alerta que o uso excessivo dessa flor pode desequilibrar o pensamento e até levar à loucura.[8]

Os alcaloides do bolo de prensagem das sementes de mahura são supostamente usados para matar peixes em tanques de aquicultura em algumas partes da Índia. O bolo também fertiliza o tanque, que pode ser drenado, seco ao sol, reabastecido com água e repovoado com alevinos.[9][10]

Flores de mahura

Flores de mahura

As flores de mahura são comestíveis e constituem um alimento para comunidades tribais, que as utilizam para fazer xarope com fins medicinais.[3]

Ricas em açúcares totais, especialmente açúcares redutores, as flores também são fermentadas para produzir a bebida alcoólica conhecida como vinho mahura.[11] Tribos do cinturão central da Índia, como as de Dahanu em Maarastra, Surguja e Bastar em Chatisgar, oeste de Orissa, Santhals de Santhal Paraganas (Jarcanda), Koya do nordeste de Andra Pradexe e Bhil no oeste de Madia Pradexe, consideram a árvore e a bebida mahura parte de sua herança cultural. O mahura é essencial para homens e mulheres tribais durante celebrações.[12]

Os frutos de mahura são um alimento essencial em Maarastra, oeste de Orissa e no cinturão central da Índia, onde a árvore tem grande significado cultural. Diversos pratos são preparados com seus frutos e flores. Em Maarastra e oeste de Orissa, as pessoas oram à árvore durante festivais.

As flores de mahura também são usadas para fabricar geleia por cooperativas tribais no distrito de Gadchiroli, Maarastra.[13]

Em muitas partes de Biar, como vilarejos do distrito de Siwan, as flores de mahura são secas ao sol, moídas em farinha e usadas para fazer diversos tipos de pão.

Os locais também usam flores de mahura para fazer vinho
Secagem ao sol de mahura (Madhuca) usando um supa tradicional de bambu em uma vila de Chatisgar, Índia

Literatura

O vinho preparado com flores de Madhūka (Madhuca longifolia) é mencionado em várias obras da literatura hindu, jainista e budista.[14] Também é citado nos Samhitas do Ayurveda, que o lista entre diferentes tipos de vinho.[15]

''Kali, que está sentada em um lótus vermelho em plena floração, seu belo rosto radiante, observando Mahākāla, que, embriagado pelo delicioso vinho da flor de madhūka, dança diante dela...'' — Mahānirvaņa Tantra[16]

Árvore sagrada

A árvore Madhūka ou mahura é sagrada em vários templos do sul da Índia, como o Templo Irumbai Mahaleswarar [en], o Templo Iluppaipattu Neelakandeswarar [en], Tirukkodimaada Senkundrur em Tiruchengode [en] e Tiruvanantapura.[17] Acredita-se que o santo-filósofo tâmil Tiruvalluvar tenha nascido sob uma árvore iluppai no Templo Ekambareshwarar [en] em São Tomé de Meliapor, tornando o madhūka a árvore sagrada do santuário de Valluvar dentro do complexo do templo.[18]

Óleo de mahura

  • Teor médio de óleo: 32,92 a 57,53%[19]
  • Índice de refração: 1,452
  • Composição de ácidos graxos (ácido, %): palmítico (C16:0): 24,5; esteárico (C18:0): 22,7; oleico (C18:1): 37,0; linoleico (C18:2): 14,3
  • Elementos: carbono (C), cálcio (Ca), nitrogênio (N), magnésio (Mg), fósforo (P), sódio (Na)[20]

O site Trifed, do Ministério dos Assuntos Tribais da Índia, relata: "O óleo de mahura tem propriedades emolientes e é usado em doenças de pele, reumatismo e dores de cabeça. Também é laxante, considerado útil contra constipação habitual, hemorroidas e como emético. Tribos nativas o utilizam como iluminante e fixador de cabelo."[3]

Também foi utilizado como biodiesel.[21]

Outros nomes

Outros nomes botânicos:

  • Bassia longifolia L.
  • B. latifolia Roxb.
  • Madhuca indica J. F. Gmel.
  • M. latifolia (Roxb.) J.F.Macbr.
  • Illipe latifolia (Roxb.) F.Muell.
  • Illipe malabrorum (Engl.)
  • Nota: o gênero autêntico Bassia pertence à Amaranthaceae. Os nomes B. longifolia e B. latifolia são ilegítimos.

Variedades:

  • M. longifolia var. latifolia (Roxb.) A.Chev. (=B. latifolia (Roxb))
  • M. longifolia var. longifolia

Nomes vernáculos:

  • Bengali: mohua (মহুয়া)
  • Oriá: "Mahula" (ମହୂଲ)
  • Francês: illipe, arbre à beurre, bassie, madhuca
  • Índia: moha, mohua, madhuca, kuligam, madurgam, mavagam, nattiluppai, tittinam, mahwa, mahura, mowa, moa, mowrah, mahuda (Guzerate-મહુડા)
  • Marata: "Mahu" e "muvda" na língua tribal local Pawari (Nandurbar, Maarastra) / "Moha"
  • Tâmil: iluppai (இலுப்பை)
  • Telugo: vippa (విప్ప)
  • Nepal: Chiuri (चिउरी)

Nomes sinônimos em alguns estados indianos:

  • mahwa, mahula, Mahula em oriá
  • mahwa e mohwro em Maarastra
  • mahuda em Guzerate
  • ippa puvvu (em telugo: ఇప్ప) em Andra Pradexe
  • mahula, moha e modgi em Orissa (oriá).[3]

Diferentes visões e aspectos de M. longifolia var. latifolia

Referências

  1. Suryawanshi, Yogesh Chandrakant; Mokat, Digambar Nabhu (1 de março de 2021). «Morphophysiological Seed Variability in Mahua Trees from Western Ghats and Its Impact on Tribal Life». Proceedings of the National Academy of Sciences, India Section B: Biological Sciences. 91 (1): 227–239. doi:10.1007/s40011-020-01223-w 
  2. Pankaj Oudhia, Robert E. Paull. Butter tree Madhuca latifolia Roxb. Sapotaceae p827-828. Encyclopedia of Fruit and Nuts - 2008, J. Janick e R. E. Paull - editores, CABI, Wallingford, Reino Unido
  3. a b c d «Product profile, Mahuwa, Trifed, Ministry of Tribal Affairs, Government of India». Trifed.nic.in. Consultado em 21 de novembro de 2013. Cópia arquivada em 19 de junho de 2009 
  4. «50 drunken elephants ransack village in India, drink 130 gallons of moonshine». 7 de novembro de 2012 
  5. «Non-Wood Forest Products in 15 Countries Of Tropical Asia : An Overview». Fao.org. Consultado em 21 de novembro de 2013. Cópia arquivada em 18 de abril de 2014 
  6. Heuzé V., Tran G., Archimède H., Bastianelli D., Lebas F., 2017. Mahua (Madhuca longifolia). Feedipedia, um programa da INRA, CIRAD, AFZ e FAO. https://www.feedipedia.org/node/131
  7. V. J. Patil, 2024. Madhuca indica (Mahua) seed oil towards synthesis of alkyd-type polyurethane anticorrosive coatings. Industrial Crops and Products, Vol. 219, página 119059
  8. Dr. J.Raamachandran, HERBS OF SIDDHA MEDICINES-The First 3D Book on Herbs, pp38
  9. Keenan, G.I., 1920. The microscopical identification of mohraw meal in insecticides. J. American Pharmaceutical Assoc., Vol. IX, No. 2, pp.144-147
  10. T.V.R.Pillay e M.N.Kutty, 2005. Aquaculture: Principles and Practices. 2ª Edição. Blackwell Publishing Ltd., p.623
  11. Suryawanshi, Yogesh; Mokat, Digambar (2020). «Variability studies in Madhuca longifolia var. latifolia flowers from Northern Western Ghats of India». Indian Journal of Hill Farming. 33 (2): 261–266 
  12. «Mahuwah». India9.com. 7 de junho de 2005. Consultado em 21 de novembro de 2013 
  13. «Forest department, LIT develop new products from mahua». The Times of India. 4 de dezembro de 2012. Cópia arquivada em 13 de fevereiro de 2014 
  14. Thomas, P. (1966). Incredible India. |página 97| D. B. Taraporevala Sons
  15. An English Translation of the Sushruta Samhita, p461, Kunja Lal Bhishagratna (Kairaj), 1907.
  16. Avalon, A. (2017). Mahanirvana Tantra.
  17. «Shaivam.org - Devoted to God Shiva - An abode for Hindu God Shiva on the Internet». www.shaivam.org 
  18. Ramakrishnan, Deepa H. (15 de novembro de 2019). «As a war of words rages outside, peace reigns inside this temple». The Hindu. Chennai: Kasturi & Sons. p. 3. Consultado em 5 de janeiro de 2020 
  19. Suryawanshi, Yogesh; Mokat, Digambar (2021). «Morphophysiological Seed Variability in Mahua Trees from Western Ghats and Its Impact on Tribal Life.». Proc. Natl. Acad. Sci., India, Sect. B Biol. Sci. 91: 227–239. doi:10.1007/s40011-020-01223-w 
  20. Suryawanshi, Yogesh; Mokat, Digambar (2019). «GCMS and Elemental Analysis Of Madhuca Longifolia Var. Latifolia Seeds». International Journal of Pharmaceutical Sciences and Research. 10 (2): 786–789. doi:10.13040/IJPSR.0975-8232.10(2).786-89 
  21. «Farm Query - Mahua oil». The Hindu. Chennai, Índia. 22 de janeiro de 2014 

Bibliografia

  • Boutelje, J. B. 1980. Encyclopedia of world timbers, names and technical literature.
  • Duke, J. A. 1989. Handbook of Nuts. CRC Press.
  • Encke, F. et al. 1993. Zander: Handwörterbuch der Pflanzennamen, 14. Auflage.
  • Govaerts, R. & D. G. Frodin. 2001. World checklist and bibliography of Sapotaceae.
  • Hara, H. et al. 1978–1982. An enumeration of the flowering plants of Nepal.
  • Matthew, K. M. 1983. The flora of the Tamil Nadu Carnatic.
  • McGuffin, M. et al., eds. 2000. Herbs of commerce, ed. 2.
  • Nasir, E. & S. I. Ali, eds. 1970–. Flora of [West] Pakistan.
  • Pennington, T. D. 1991. The genera of the Sapotaceae.
  • Porcher, M. H. et al. Searchable World Wide Web Multilingual Multiscript Plant Name Database (MMPND) - recurso online.
  • Saldanha, C. J. & D. H. Nicolson. 1976. Flora of Hassan district.
  • Saldanha, C. J. 1985–. Flora of Karnataka.

Ligações externas

  • "What foods did your ancestors love?" Vídeo da apresentação de Aparna Pallavi no TEDxCapeTownWomen, com mahura como exemplo central de fonte alimentar indígena comum, negligenciada pela sociedade dominante.