Madduwatta

Anatólia durante a Idade do Bronze Final.

Madduwatta (ou Madduwattas) foi um senhor da guerra da Idade do Bronze Superior que conquistou uma porção do sudoeste da Anatólia. É conhecido a partir do texto hitita [en] conhecido como a Acusação contra Madduwatta.

Contexto textual

Madduwatta é conhecido apenas pela Acusação contra Madduwatta (CTH 147), um texto hitita fragmentário que relata suas façanhas a partir de uma perspectiva hitita. A Acusação foi escrita durante o reinado do rei hitita Arnuwanda I [en], mas grande parte do texto aborda eventos do reinado de seu predecessor Tudália I/II e frequentemente cita ou menciona documentos anteriores que não sobreviveram. Não está claro se era um documento legal, um aviso diplomático ou outra coisa, e a cópia existente contém erros e correções que parecem sugerir que se tratava apenas de um rascunho.[1]

A Acusação é notável por conter a menção mais antiga a Ahhiyawa, que ela registra como "Ahhiya", bem como o nome Attarissiya, um dos únicos dois nomes pessoais aqueus seguramente identificados no corpus sobrevivente.[2] Ela fornece contexto histórico sobre o crescimento do poder micênico na Anatólia, bem como a estratégia dos hititas para manter sua tênue influência na costa do Egeu.[3]

Biografia

Madduwatta iniciou sua carreira como um "homem de importância" em uma entidade política desconhecida do oeste da Anatólia, dentro da esfera de influência hitita, mas fora de seu controle direto. Durante o reinado do rei hitita Tudália I/II, ele foi atacado por um senhor da guerra aqueu chamado Atarsia e forçado a fugir. Recebeu asilo de Tudhaliya, a quem prestou um juramento de lealdade. Madduwatta foi instalado como governante de Zippasla e da Terra do Rio Siyanta, aceitando obrigações de tratado que o impediam de estabelecer relações diplomáticas ou empreender ações militares, exceto através dos hititas.[4]

Madduwatta violou repetidamente esse acordo. Apesar da proibição explícita de Tudhaliya, empreendeu uma desastrosa invasão da vizinha Arzaua, na época governada pelo rei anti-hitita Kupanta-Kurunta [en]. Madduwatta não apenas não conseguiu conquistar Arzaua, como precisou de reforços hititas para ser resgatado. Pouco depois, negligenciou sua obrigação no tratado de combater atividades anti-hititas na região, ignorando uma segunda incursão de Attarissiya e mais uma vez necessitando de assistência militar hitita.[5]

No período subsequente, Madduwatta empreendeu várias campanhas militares bem-sucedidas e parece ter estabelecido controle sobre uma parcela considerável do sudoeste da Anatólia.[6] Atacou e ocupou terras súditas dos hititas, incluindo Hapalla [en] e territórios não identificados chamados Iyalanti, Zumarri e Wallarimma, que podem ter sido parte de Luca.[4] Recusou pedidos de extradição do rei hitita e incitou rebeliões anti-hititas entre outros estados vassalos:

Madduwatta também formou alianças com antigos inimigos. Buscou uma aliança matrimonial com o rei Arzauano Kupanta-Kurunta, embora tenha justificado esse movimento perante os hititas alegando que era apenas uma tentativa secreta de assassinato. Em seguida, aliou-se a Attarissiya para saquear a ilha de Alásia, que os hititas reivindicavam como sua. Em resposta aos protestos hititas, ele alegou ignorância:[8]

O texto sobrevivente da Acusação termina com um confronto verbal entre Madduwatta e um enviado de Arnuwanda I [en]. O destino final de Madduwatta é desconhecido.[10]

Ver também

Referências

Bibliografia

  • Beckman, Gary; Bryce, Trevor; Cline, Eric (2012). The Ahhiyawa Texts [Os textos Ahhiyawa]. Society of Biblical Literature. [S.l.: s.n.] p. 98. ISBN 978-1589832688