Rivalidade entre Brighton & Hove Albion F.C. e Crystal Palace F.C.

Brighton & Hove Albion vs. Crystal Palace
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Informações gerais
Brighton & Hove Albion 51 vitória(s), gol(s)
Crystal Palace 51 vitória(s), gol(s)
Empates 41
Total de jogos 143
Primeira partida
Resultado Brighton & Hove Albion 0-2 Crystal Palace
Competição Southern Football League de 1919–20
Data 25 de dezembro de 1920
Última partida
Resultado Crystal Palace 2–1 Brighton & Hove Albion
Competição Premier League de 2024–25
Data 5 de abril de 2025
Local Selhurst ParkLondres

A rivalidade entre Brighton & Hove Albion F.C. e Crystal Palace F.C., também conhecido como A23 Derby ou M23 Derby, é um clássico intermunicipal do futebol inglês. Apesar dos clubes estarem em cidades diferentes, o Brighton & Hove está localizado em Brighton e o Crystal Palace em Londres, existe uma grande animosidade entre eles devido à fatos históricos.

Contexto

O Brighton e o Crystal Palace foram ambos membros fundadores da Terceira Divisão da Liga de Futebol em 1920, tendo sido transferidos da Liga de Futebol do Sul com outros membros fundadores; os dois clubes enfrentavam-se em jogos regulares da Liga do Sul desde 1906. Durante as décadas de 1940 e 1950, os clubes se enfrentaram 21 vezes em doze anos – incluindo duas partidas memoráveis consecutivas no dia de Natal e no Boxing Day de 1951. No entanto, a animosidade entre as duas torcidas só surgiu em meados da década de 1970.

As equipas não se enfrentavam há 11 anos, quando jogaram entre si no dia de abertura da temporada 1974–75 na Terceira Divisão, depois de o Palace ter sido despromovido da segunda divisão na temporada anterior. O Brighton era então treinado por Peter Taylor, após a recente saída de Brian Clough, e o Palace pelo extravagante Malcolm Allison. Foram destacados reforços policiais para controlar a multidão de 26.000 pessoas, muito superior à assistência habitual do Brighton, e houve várias detenções e brigas entre adeptos dentro e fora do Goldstone Ground, com o consumo excessivo de álcool devido ao tempo quente a ser apontado como responsável pelos distúrbios.[1][2] O Brighton venceu por 1-0, com o Palace a vencer o jogo de volta mais tarde nessa temporada por 3-0.

Na temporada seguinte, os dois clubes disputaram a promoção. O jogo da liga entre as duas equipes no Selhurst Park foi disputado diante de mais de 25.000 espectadores, a maior assistência do Palace em casa nos últimos dois anos. Allison reclamou que o Brighton havia garantido a vitória por 1 a 0 com táticas excessivamente físicas. O Evening Argus relatou que o jogo foi disputado em um "clima de partida de copa", com "ataques e contra-ataques realizados com o entusiasmo de rivais mortais".

A partida de volta no Goldstone Ground contou com mais de 33.000 pessoas lotando o estádio para assistir a um jogo da terceira divisão. Esse jogo, que a equipa da casa venceu por 2 a 0 com dois gols de Sammy Morgan, é geralmente atribuído como o nascimento do atual apelido do Brighton, "Seagulls" (gaivotas) (antes eram conhecidos como "the Dolphins", traduzindo para o português, os golfinhos), mais tarde adotado oficialmente pelo clube (ver abaixo), pois era cantado nas arquibancadas como um contra-canto humorístico ao "Eagles!" do Palace. A vitória da equipa da casa foi ofuscada por mais problemas com a torcida, já que o árbitro Ron Challis ameaçou abandonar o jogo devido aos torcedores do Palace atirarem bombas de fumo e outros objetos no campo.

Ambas as equipes perderam por pouco a promoção naquele ano. No verão de 1976, Terry Venables tornou-se treinador do Crystal Palace e Alan Mullery, treinador do Brighton. Os dois tinham jogado juntos no Tottenham e Venables era o segundo no comando, atrás do capitão Mullery no clube; Mullery descreveu essa dinâmica de poder como uma razão para a rivalidade entre eles. Enquanto esteve no Tottenham, Venables não teria tido um bom relacionamento com o seu treinador, Bill Nicholson, acreditando que ele tinha uma atitude negativa que "esgotava o seu entusiasmo". Venables também sentia que não era apreciado pelos torcedores do Spurs, em contraste com Mullery, que era o favorito de Nicholson e dos torcedores.[3]

Os dois jovens treinadores receberam a mesma tarefa: subir da Terceira Divisão.[4]

O primeiro encontro entre os clubes naquela temporada foi a partida da liga no The Goldstone, em 2 de outubro, que terminou em 1 a 1; durante o jogo, bombas de fumo foram lançadas no campo e a partida foi interrompida três vezes ao longo da partida.[3]

Os clubes voltaram a se enfrentar na primeira rodada da FA Cup, disputada em 20 de novembro no The Goldstone; a partida terminou em 2 a 2. Após o jogo, Mullery criticou o seu homólogo, lamentando o que considerava serem as táticas negativas do Palace.[3]

Três dias depois, houve uma repetição no Selhurst Park; o jogo terminou em 1 a 1 após a prorrogação e as equipes enfrentaram um segundo replay. O Brighton foi descrito como dominante em grande parte das duas partidas, que atraíram um público de quase 30.000 pessoas. Esse número representou um aumento significativo em relação à média de ambos os clubes na temporada, com o Palace registrando uma média de apenas 15.925 e o Brighton, 20.197.

O segundo replay, adiada duas vezes devido ao mau tempo, ocorreu em Stamford Bridge, em 6 de dezembro. O Palace assumiu a liderança aos 18 minutos, através de Phil Holder. O Brighton dominou grande parte do restante do jogo, com o atacante Peter Ward a ter um gol anulado pouco depois, por ter sido considerado que ele tinha tocado na bola com a mão, embora Jim Cannon, do Palace, tenha dito mais tarde que isso só ocorreu porque ele empurrou o avançado do Brighton. Aos 78 minutos, o Brighton recebeu um pênalti que foi convertido por Brian Horton, mas foi anulado porque o árbitro Ron Challis considerou que os jogadores haviam invadido a área penal. Horton cobrou o pênalti novamente e, desta vez, o goleiro do Palace, Paul Hammond, defendeu. A partida terminou em 1 a 0 para o Crystal Palace.[4]

Após o apito final, Mullery abordou Challis para discutir a decisão e foi escoltado para fora do campo pela polícia enquanto fazia gestos obscenos e xingava os torcedores do Palace nas arquibancadas. O treinador do Brighton então teria entrado no vestiário do Palace, jogado £5 no chão e dito a Venables:"A sua equipe não vale isso". Mullery foi multado em £100 pela FA por manchar a reputação do jogo.[4]

Em 12 de março de 1977, as duas equipas se enfrentaram novamente na liga em Selhurst, e o Palace venceu por 3 a 1.[4] Uma multidão de 28.808 pessoas, quase o dobro da média do Palace na temporada, estava presente.[3]

Naquela temporada, ambas as equipas foram promovidas, com o Brighton terminando em segundo lugar, dois pontos à frente do Palace. O Brighton também mudou o seu apelido oficial de Dolphins (Golfinhos) para Seagulls (Gaivotas), em oposição direta ao apelido do Crystal Palace, Eagles (Águias).[4]

A rivalidade continuou com os clubes a encontrarem-se com o mesmo objetivo e os mesmos treinadores nas temporadas de 1977–78 e 1978–79, desta vez disputando uma vaga na primeira divisão do futebol inglês.

Em 1978, o Brighton perdeu a promoção por diferença de gols, terminando em quarto lugar e bem à frente do Crystal Palace, em nono, mas a batalha frente a frente continuou na temporada seguinte. Ambos os encontros da liga entre as duas equipes em 1977–78 terminaram empatados.

O Brighton terminou a temporada 1978–79 no topo da tabela. O Palace, porém, ainda tinha um jogo a menos contra o Burnley devido a adiamentos ao longo da temporada; o Palace venceu a partida, disputada diante de 51 mil espectadores, e conquistou o título por um ponto. Pela segunda vez em três anos, os dois clubes foram promovidos juntos. O Palace também se gabou da vitória frente ao Brighton nessa temporada, depois de ter derrotado o Brighton por 3 a 1 em Selhurst, uma vitória que se revelaria vital no final da temporada, enquanto o jogo de volta em fevereiro terminou sem gols.[3]

Os dois clubes se enfrentaram posteriormente na primeira divisão do futebol inglês na temporada 1979–80, e o Brighton saiu com a vantagem no início da temporada, ao derrotar o Palace por 3 a 0 no Boxing Day de 1979, em Goldstone.[3]

Mullery afirma que a rivalidade foi alimentada tanto pela competição entre as equipes como diretamente entre os treinadores. Terry Venables, de forma altamente controversa, deixou o Palace em 1980 para ir para o Queens Park Rangers, enquanto Alan Mullery deixou o Brighton em 1981.

Ambos os clubes foram rebaixados da primeira divisão em poucos anos, o Palace em 1981 e o Brighton em 1983. Os dois anos que o Brighton passou acima do Palace, de 1981 a 1983, foram os únicos anos em que o Brighton competiu numa liga superior à do Crystal Palace.[3]

Mullery passou a treinar o Crystal Palace por duas temporadas (1982-1984) e depois voltou ao Brighton para a temporada 1986–87.[4]

Referências

  1. Carder, Tim (1993). Seagulls! The Story of Brighton and Hove Albion FC. [S.l.: s.n.] 197 páginas 
  2. Vignes, Spencer (2018). Bloody Southerners. [S.l.: s.n.] 188 páginas 
  3. a b c d e f g Howland, James (31 de julho de 2017). «Brighton? Why Brighton?». TheEaglesBeak.com (em inglês). Consultado em 25 de outubro de 2025 
  4. a b c d e f Burnton, Simon (27 de setembro de 2011). «How Brighton v Crystal Palace grew into an unlikely rivalry». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 25 de outubro de 2025