Salvador (futebolista)
| Informações pessoais | ||
|---|---|---|
| Nome completo | Milton Alves da Silva | |
| Data de nascimento | 16 de outubro de 1931 | |
| Local de nascimento | Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil | |
| Nacionalidade | brasileiro | |
| Data da morte | abril de 1972 | |
| Local da morte | São Paulo, São Paulo, Brasil | |
| Informações profissionais | ||
| Posição | volante (1949–1957) zagueiro (1958–1963) | |
| Clubes profissionais | ||
| Anos | Clubes | Jogos e gol(o)s |
| 1949 1950–1955 1955–1960 1961 1962 1963 |
Força e Luz Internacional Peñarol River Plate San Telmo Metropol |
|
| Seleção nacional | ||
| 1954 | Brasil | 1 (0) |
Milton Alves da Silva, mais conhecido como Salvador (Porto Alegre, 16 de outubro de 1931 - São Paulo, abril de 1972),[1] foi um futebolista brasileiro que jogava como volante,[2] no início da carreira, e zagueiro, ao final. Foi o primeiro brasileiro a vencer a Copa Libertadores da América:[3] venceu precisamente a edição inaugural, com o Peñarol,[4] além de entrar nas estatísticas da competição também como um dos jogadores presentes na primeira partida da história do torneio.[5]
Também é um dos maiores ídolos do Internacional,[2] eleito por três vezes para o time colorado dos sonhos,[6] em eleições promovidas pela revista Placar em 1982,[7] em 1994 [2] e em 2006.[1] Ganhou o apelido ainda em jogos colegiais, por marcar gols descritos como "salvadores".[5] Ele, porém, se consagraria como volante,[2] ou centromédio, como a posição também era chamada.[7]
Dotado de fôlego equiparado ao de um maratonista,[5] era elogiado por lançamentos "perfeitos" (na descrição de Carlitos)[2] e pela capacidade de organizar o jogo.[5] Gradualmente, passou a ser escalado de modo ainda mais recuado, como zagueiro,[3] posição em que já atuava quando venceu aquela Copa Libertadores de 1960.[8]
Carreira
Internacional
Começou no Força e Luz,[2] de onde foi prospectado pelo Internacional. Na época do chamado "Rolinho",[5] obteve quatro títulos gaúchos com o clube, em 1950, 1951, 1952 e 1953.[1] Chegou a polemizar por fraturar a perna do gremista Xisto em um Grenal,[7] lance que chegou a rotular Salvador como um jogador violento,[7] embora o passo do tempo voltasse a reconhecê-lo como um futebolista de jogadas limpas e habilidosas.[2] O título de 1952 incluiu gol dele, seu único em Grenais, em goleada de 5-1 (no antigo estádio dos Eucaliptos) em outro clássico, em 7 de dezembro, pela fase citadina do estadual.[9]
Em 1954, Salvador fez sua única partida pela Seleção Brasileira, em 9 de maio, contra um combinado da Colômbia.[10] Integrou a lista de pré-convocados à Copa do Mundo FIFA de 1954, mas terminou não mantido para a convocação final.[5] A própria possibilidade de sua presença, no contexto da época, era um logro raríssimo para jogadores de fora de Rio de Janeiro ou São Paulo, tardando-se até a Copa do Mundo FIFA de 1966 para que o Brasil levasse a um Mundial um futebolista que atuasse no Rio Grande do Sul (Alcindo).[11][12]
Ainda em 1954, em 20 setembro, ele também participou de Grenal amistoso, mas dos mais recordados: foi válido pelas festividades de inauguração do estádio Olímpico Monumental e terminou com goleada de 6-2 sobre os anfitriões.[13] Ao todo, Salvador tem conhecidas 187 partidas e quatorze gols como jogador do Internacional.[1] Foi incluído entre os cem maiores ídolos dos primeiros cem anos do clube, em edição especial preparada pela revista Placar comemorativa ao centenário colorado, em 2009.[14]
A revista Placar também elegeu por três vezes Salvador para o time dos sonhos do Inter,[6] escalando-lhe no meio-campo juntamente com Carpegiani e Falcão nessas três ocasiões, em 1982,[7] 1994 [2] e 2006.[1] Em nova eleição promovida em 2025 pela revista, os eleitores já preferiram inserir Andrés D'Alessandro junto aos outros dois.[15]
Peñarol
Salvador foi contratado em 1955 pelo Peñarol,[16] com a finalidade de substituir Obdulio Varela,[2] que ia parar de jogar.[17] Os aurinegros lhe conheceram após enfrentar o Internacional em amistoso ocorrido naquele mesmo ano:[5] em 18 de maio, exatamente quatro dias depois da última partida de Oddulio (contra o Danubio), o Inter pôde empatar em 3-3 dentro do Estádio Centenario.[17]
Os primeiros títulos de Salvador como carbonero vieram em 1956,[18] em sequência de competições amistosas, a exemplo da "Copa Competencia", do "Campeonato de Honor",[19] do "Torneio Triangular Santiago do Chile" ou da "Copa Embajada del Uruguay en Costa Rica", todas naquele ano.[18] Posteriormente, o brasileiro tornou-se presença recorrente no início do primeiro pentacampeonato uruguaio seguido da equipe, iniciado em 1958,[20] momento em que ele já vinha sendo escalado como zagueiro do flanco direito, em dupla com William Martínez.[21] Néstor Gonçalves havia estreado em 1957 e imediatamente se firmado como novo volante central.[22] A conquista do campeonato uruguaio de 1958, o primeiro desde 1954, veio com apenas um ponto de vantagem sobre o arquirrival Nacional.[21]
O bicampeonato seguido em 1959, por sua vez, só foi assegurado já no ano seguinte, após a dupla Nacional e Peñarol ter terminado igualada na liderança.[23] Mesmo sem ter participado da temporada regular de 1959, o reforço Alberto Spencer, contratado em janeiro de 1960, foi autorizado a participar do jogo extra determinado pelo regulamento,[24] em final travada em 20 de março de 1960. Salvador foi um dos sete aurinegros que terminaram a partida, com o Superclásico encerrado com quatro expulsões para cada lado e vitória peñarolense por 2-0.[8] Praticamente um mês depois, o brasileiro participou do jogo inaugural da Copa Libertadores da América, em goleada de 7-1 sobre o Jorge Wilstermann, em 19 de abril de 1960.[25]
Os carboneros avançaram também sobre o San Lorenzo e eventualmente foram campeões,[8] com Salvador presente nas duas partidas finais com o Olimpia e tornando-se o primeiro brasileiro a vencer a competição.[3][5] Salvador teve também a atuação mais elogiada dentre os jogadores do Peñarol no empate sem gols contra o Real Madrid no jogo de ida da primeiro Mundial Interclubes;[26][27] ele e Néstor Gonçalves souberam anular Alfredo Di Stéfano e Ferenc Puskás no Estádio Centenario.[28] Contudo, o adversário sagraria-se campeão ao golear no Santiago Bernabéu.[29]
O último título de Salvador com o Peñarol foi o torneio uruguaio do mesmo ano de 1960,[18] com o tricampeonato seguido do chamado primeiro Quinquenio de Oro se assegurando em 18 de dezembro, em triunfo de 3-1 sobre o Cerro.[8] Em 29 de dezembro, foi então acertada sua venda ao River Plate, com a equipe argentina permitindo-lhe que passasse ainda em Montevidéu as festas de fim de ano.[30] A negociação envolveu a troca com o peruano Juan Joya, por sua vez encaminhado pelo River ao Peñarol.[20]
O brasileiro tem conhecidas 209 partidas e cinco gols marcados pela equipe uruguaia.[18]
Final
Salvador chegou a Buenos Aires em contexto de contratação em larga escala de brasileiros por equipes argentinas:[31] ele chegou a integrar um elenco riverplatense om outros três conterrâneos - Moacyr, Delém e Roberto Frojuello.[32] Também figurou em um Superclásico em que todos os quatro gols foram de brasileiros: Delém para o River, enquanto Paulo Valentim fez os três do Boca Juniors, pelo campeonato de 1961. Salvador jogou ao todo quatorze vezes na primeira divisão argentina daquele ano, com um gol marcado, em chute de forte de fora da área sobre o Gimnasia La Plata.[33]
Ele não conseguiu prosperar no River, seguindo carreira por clubes bastante pequenos.[2][7] Uma fratura teria iniciado decadência súbita em Salvador,[5] inicialmente emprestado em 1962 ao San Telmo, então clube da segunda divisão argentina.[34] Neste clube, Salvador contabilizou dezessete jogos e três gols.[35]
Posteriormente, defendeu equipes do interior brasileiro.[20] Em abril de 1963, quando ele já atuava no Metropol, então campeão catarinense de 1962, chegou a ser noticiado que Salvador pararia de jogar para tornar-se técnico desta equipe de Criciúma.[36]
Sabe-se que faleceu pobre e precocemente, em abril de 1972.[1]
Títulos
Internacional
- Campeonato Gaúcho: 1950, 1951, 1952 e 1953 [1]
Peñarol
- Campeonato Uruguaio: 1958, 1959 e 1960 [18]
- Copa Libertadores da América: 1960 [1][3][5]
Referências
- ↑ a b c d e f g h Fernandão e mais dez (dezembro de 2006). Placar n. 1301-B. São Paulo: Editora Abril, pp. 48-49
- ↑ a b c d e f g h i j «Salvador». Placar n. 1098, p. 72. Novembro de 1994. Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ a b c d DINIZ, Guilherme (19 de junho de 2020). «[Imortais do Futebol] Há 60 anos, o Peñarol se consagrava como o primeiro campeão da Libertadores». Trivela. Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ NAPOUT, Juan Ángel (28 de setembro de 2015). «Peñarol, o 1º campeão da Libertadores está de festa». Conmebol. Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ a b c d e f g h i j STEIN, Leandro (20 de abril de 2020). «Libertadores, 60 anos: As histórias do primeiro jogo do torneio e da estreia brasileira, com o Bahia». Trivela. Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ a b «Os Times dos Sonhos eleitos nas edições de 1982, 1994 e 2006». Placar. 16 de janeiro de 2025. Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ a b c d e f «Todos concordam: o melhor de todos foi mesmo Falcão». Placar n. 644, pp. 43-47. 24 de setembro de 1982. Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ a b c d ANTÚÑEZ, Marcos Silveira (2011). 1960. Club Atlético Peñarol 120. Montevidéu: Ediciones El Galeón, pp. 108-113
- ↑ Em cada jogo, uma guerra (maio de 2005). Placar Especial 35 Anos - Coleção de Aniversário n. 2, "Os Grandes Clássicos". Editora Abril, pp. 90-97
- ↑ «SALVADOR». Placar n. 1094, p. 101. Maio de 1994. Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ OLIVEIRA, Rodrigo (28 de novembro de 2013). «Alcindo e a derrota na Inglaterra: "Jogamos a Copa de 66 com o time de 58"». Zero Hora. Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ RIZZATII, Lucas (23 de outubro de 2012). «A guerra de Alcindo: a noite em que caiu a 'Cortina de Ferro' no Olímpico». Globo Esporte. Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ Que visita... (abril de 2009). Placar n. 1329-A. São Paulo: Editora Abril, p. 56
- ↑ Salvador (abril de 2009). Placar n. 1329-A. São Paulo: Editora Abril, p. 49
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- ↑ a b c «Elementos em comum entre River e Internacional». Futebol Portenho. 3 de abril de 2019. Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ a b ANTÚÑEZ, Marcos Silveira (2011). 1958. Club Atlético Peñarol 120. Montevidéu: Ediciones El Galeón, p. 105
- ↑ ANTÚÑEZ, Marcos Silveira (2011). 1957. Club Atlético Peñarol 120. Montevidéu: Ediciones El Galeón, p. 104
- ↑ ANTÚÑEZ, Marcos Silveira (2011). 1959. Club Atlético Peñarol 120. Montevidéu: Ediciones El Galeón, pp. 106-107
- ↑ BASSORELLI, Gerardo (2012). El Negro Spencer. Héroes de Peñarol. Montevidéu: Editorial Fin de Siglo, pp. 140-147
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- ↑ «Temporada 1962». Soy de Telmo. Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ «SALVADOR É TÉCNICO». Jornal do Dia. 26 de abril de 1963. Consultado em 6 de fevereiro de 2026