Médio Sudoeste da Bahia

O Médio Sudoeste da Bahia é um Território de identidade da Bahia, localizado no sudoeste do estado. Abrange treze municípios: Caatiba, Firmino Alves, Ibicuí, Iguaí, Itambé, Itapetinga, Itarantim, Itororó, Macarani, Maiquinique, Nova Canaã, Potiraguá e Santa Cruz da Vitória.[1][2][3]

Histórico

O Território de Identidade teve sua povoação iniciada no final do século XIX por aventureiros em busca de terras férteis para a agricultura e a pecuária. A região passou a ser reconhecida em 1912, quando o pioneiro Bernardino Francisco de Souza, acompanhado de alguns parentes e trabalhadores, ao tentar localizar a estrada entre Vitória da Conquista e Ilhéus, fixou-se às margens do Rio Catolé, dedicando-se às atividades agrícolas.[1][2]

Geografia

Clima

A região integra a área de abrangência do Semiárido, estando sua maior parte inserida na Região Semiárida. Apenas os municípios de Firmino Alves, Ibicuí e Santa Cruz da Vitória não se encontram nessa delimitação. Predomina o clima subúmido a seco, com registros também de clima úmido a subúmido e semiárido. O clima subúmido a seco apresenta pequeno ou nenhum excedente hídrico, com chuvas concentradas na primavera/verão. Já na parte central do território de identidade (TI), as chuvas são escassas e, quando ocorrem, concentram-se na primavera/verão — característica típica do semiárido.[1][2][3]

No nordeste do TI, a temperatura média é superior a 18ºC, com clima úmido a subúmido. Na área de influência do semiárido, como no município de Itapetinga, a faixa de pluviosidade varia entre 500 mm e 800 mm, sendo a menor registrada. De forma mais abrangente, o clima subúmido a seco apresenta índices pluviométricos entre 850 mm e 950 mm. Nos trechos mais úmidos de Firmino Alves, Ibicuí e Santa Cruz da Vitória, a pluviosidade pode alcançar até 2.000 mm. As temperaturas médias aproximadas são de 18ºC (mínima), 29ºC (máxima) e 22ºC (média anual). Os índices climáticos demonstram que há deficiência hídrica em todo o território de identidade, menos acentuada na porção nordeste, onde ocorre o tipo úmido a subúmido, de clima mais ameno.[1][3]

Hidrografia

A bacia hidrográfica mais importante do TI é a do Rio Pardo, que atravessa a porção central no sentido oeste-leste. Além do Rio Pardo, integram essa bacia os rios Alegria, Bonito e Catolé Grande. O regime dos rios da Bacia do Pardo é variado, com cursos d’água intermitentes e permanentes, sendo o Rio Pardo o mais relevante por seu caráter permanente. Ele constitui limite municipal entre Itambé, Macarani, Itapetinga, Itarantim e Potiraguá.[1][2]

As demais bacias do TI são: a do Rio de Contas, localizada na porção centro-norte; a do leste, com os rios Colónia e Salgado como principais tributários; e a do Jequitinhonha, que atravessa o sudeste do território de identidade. O Rio Jequitinhonha abriga o espelho d’água mais importante do TI: a Barragem de Itapebí, cuja margem esquerda pertence ao município de Itarantim.[1][2]

Economia

O Território de Identidade Médio Sudoeste da Bahia (TI) é composto por 13 municípios, sendo Itapetinga o de maior destaque, por ser o mais antigo, possuir a maior população e apresentar dinamismo econômico diferenciado, abrigando a indústria calçadista Vulcabras-Azaleia.[1][3]

De acordo com o Censo Demográfico de 2010, a população total do TI era de 247.180 habitantes. Na distribuição por gênero, 50,4% eram do sexo masculino e 49,6% do sexo feminino, ou seja, para cada 100 mulheres havia 101,7 homens. Na composição populacional entre os municípios, Itapetinga concentrava 27,6% da população total, com 68.273 habitantes em 2010. Os demais municípios variavam entre 10,4% e 2,2% da população do território.[1]

Do total de habitantes, 78,8% residiam em áreas urbanas e 21,2% em áreas rurais, resultando em um grau de urbanização de 78,8%, superior à média estadual de 72,1%.[1]

Quanto ao Produto interno bruto (PIB) do TI, o setor de serviços apresentava maior participação (66,9% em 2012), seguido pela indústria (23,1%) e pela agropecuária (10,0%). Os municípios com maior equilíbrio na distribuição setorial entre indústria e serviços eram Itapetinga, com 36,3% de indústria, 61,3% de serviços e baixa participação da agropecuária (2,3%); e Maiquinique, com 30,8% de indústria, 58,4% de serviços e 10,8% de agropecuária. Ambos possuíam indústrias de transformação calçadista em 2011, mas em 2012 a empresa Vulcabras Azaleia encerrou suas atividades em Maiquinique.[1]

Infraestrutura

O território não é cortado por rodovias federais, havendo apenas uma ligação pela BA-680 entre Potiraguá e a BR-101. As principais rodovias estaduais que atravessam os municípios são: BA-130, que conecta Maiquinique, Itapetinga, Itororó, Firmino Alves e Ibicuí; e a BA-270, que liga Potiraguá, Itarantim e Maiquinique. Há apenas um aeroporto com pista pavimentada, destinado a pequenas aeronaves, localizado em Itapetinga.[1][3]

População

Em 2010, Itapetinga registrou população censitária de 68.273 habitantes, três vezes maior que a média populacional do TI (19.014 habitantes). O município também concentrava 44,1% da riqueza gerada no território. A maioria dos municípios apresentava altas taxas de urbanização, exceto Nova Canaã (41,0%) e Caatiba (47,3%).[1][3]

O TI apresentou, em 2010, taxa média de analfabetismo de 23,7%, superior à média estadual de 16,3%. A população em situação de extrema pobreza representava 10,3%, destacando-se o município de Iguaí, com 23,9% da população nessa condição.[1]

Apesar da proeminência de Itapetinga, o território de identidade apresenta relativa homogeneidade no desempenho dos demais municípios em termos de comportamento econômico e estrutura social: predominância do setor de comércio e serviços (média de 66,9%), elevado índice de urbanização (média de 73,8%) e número reduzido de habitantes (média inferior a 20 mil). Esse comportamento socioeconômico similar facilita a construção e implementação de projetos voltados ao desenvolvimento regional.[1]

Cultura

O processo de ocupação do Território de Identidade Médio Sudoeste da Bahia (TI) tem forte relação com a presença da pecuária bovina, atividade de grande abrangência cultural. A influência dessa prática veio do Norte de Minas Gerais e do Sudoeste Baiano. Alguns municípios, como Caatiba e Macarani, por exemplo, foram desmembrados de Vitória da Conquista. Assim, o território de identidade foi conformado também pela expansão de populações oriundas dessas áreas, em busca de terras para agricultura e pecuária, integrando a Cultura sertaneja.[1][2][3]

Esse processo de ocupação, apesar do enriquecimento cultural, resultou na extinção da Vegetação natural, substituída por pastagens, predominantes no TI. Entre as manifestações culturais, destacam-se as festas de vaqueiro, provenientes da já mencionada influência sertaneja, que constituem um importante difusor regional do modo de vida e dos costumes característicos do território.[1][2][3]

A presença das comunidades quilombolas também marca o processo de ocupação, com três representantes que, de alguma forma, refletem influências culturais na região. Duas delas são certificadas pela Fundação Cultural Palmares, e uma foi identificada pelo Projeto GeografAR. No município de Itambé, encontra-se a comunidade Pedra, certificada, com cerca de 35 famílias. Já em Itororó, está localizada a comunidade Rua da Palha, também certificada, embora não haja informações sobre o número de famílias. A comunidade Guerém, em Nova Canaã, identificada mas ainda não certificada pela Fundação Cultural Palmares, reúne aproximadamente 38 famílias. Vale ressaltar que esses números são estimativos.[1][2][3]

Ver também

Referências

Ligações externas