Márcia Prado

Márcia Prado
NascimentoMárcia Regina de Andrade Prado
17 de novembro de 1968
Morte14 de janeiro de 2009
Avenida Paulista
CidadaniaBrasil
Causa da morteatropelamento

Márcia Regina de Andrade Prado (17 de setembro de 1968[1] - 14 de janeiro de 2009,[2] São Paulo) foi cicloativista brasileira e organizadora da Massa Crítica de São Paulo.[3] Morreu atropelada por um ônibus na altura do número 1 150 da Avenida Paulista enquanto se deslocava ao trabalho, o que gerou uma sequência de manifestações e protestos por cicloativistas por mais segurança no trânsito, tendo notoriedade nacional.[4]

Memorial

Memorial à ciclista Márcia Prado

Uma bicicleta-fantasma, memorial em sua homenagem, foi instalada pela Massa Crítica no local do atropelamento na Avenida Paulista, que àquela época ainda não contava com a ciclovia que possui atualmente.[5][6]

O memorial sofreu por vandalismo ao longo dos anos,[7] mas esteve presente ao menos até março de 2022.[8] De lá para cá, o terreno em frente aonde o atropelamento aconteceu passou a contar com um shopping center, e a administração do mesmo propôs remover o monumento e substitui-lo por um no interior do estabelecimento, o que foi negado pela comunidade dos ciclistas.[9] Em novembro de 2024, ou algum momento anterior a esta data, o memorial foi removido.[10]

Processos judiciais

Criminal

O motorista que a atropelou, Márcio José de Oliveira, seria após quatro anos e meio considerado culpado por "praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor", sendo condenado a 3 anos, 6 meses e 20 dias de detenção, "ficando suspensa sua habilitação para dirigir veículo automotor no mesmo intervalo." Por outro lado, não foi preso, pois a sentença afirma que "Por estarem presentes as condições previstas no art. 44 do Código Penal, sua pena privativa de liberdade foi substituída por prestação de serviços à comunidade, por igual período, mais 10 dias multa."[2] O promotor do caso, Roberto Livianu, pediu que o motorista prestasse serviços comunitários relacionados aos ciclistas,[11] mas esse direcionamento específico do serviço comunitário foi negado pelo juiz.[1]

Ele deve se engajar com a associação dos bicicleteiros em um projeto social e se submeter a um curso, em que vai repensar a questão da postura do motorista com o ciclista.
 
Roberto Livianu, promotor do Ministério Público do Estado de São Paulo, [11].
A dor pelo óbito causado, bem como a pena ora aplicada, inclusive com suspensão de habilitação a impedir que o réu, já com 57 anos, continue exercendo sua profissão, são mais que suficientes para lhe despertarem a consciência da necessidade de respeito ao ciclista no trânsito. (...) A frequência em cursos de convivência com o ciclista apenas infligiria sofrimento e constrangimento inúteis ao réu.
 
Trecho da sentença proferida por juiz do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, [1].

Cível

A empresa para a qual o motorista conduzia o ônibus, Viação Oak Tree, foi condenada a pagar indenização no valor de R$ 100 000 à família de Márcia.[9] No acórdão,[12] o desembargador Felipe Ferreira declararia que:

O réu conduzia um veículo de grande porte, visualizou a ciclista na sua frente e mudou de faixa para ultrapassá-la. Exigia-se aqui que agisse com máxima prudência, certificando-se de que já a tinha deixado para trás e numa distância segura, bem como que se acautelasse também com sua integridade. Assim, não fazendo, concorreu culposamente para o evento (...) o simples fato de buzinar e dar seta indicando que pretendia mudar de faixa não se mostra suficiente para elidir a sua responsabilidade, pois deveria cercar-se de todas as cautelas possíveis para evitar o atropelamento.
 
Desembargador Felipe Ferreira do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, [13].

Rota Márcia Prado

Posteriormente, teve o seu nome homenageado na Rota Márcia Prado, que consiste no trajeto que liga São Paulo a Santos pela antiga Estrada de Manutenção da Rodovia Imigrantes, a qual foi reformada para possibilitar ciclo-viagens entre São Paulo e Santos.[14][15]

Grupo de ciclistas descendo a Rota Márcia Prado, com a rodovia Imigrantes no horizonte.
Ciclistas na Rota Márcia Prado, com uma cachoeira ao fundo.

Referências

  1. a b c Cruz, Willian (16 de janeiro de 2009). «Quem foi Márcia Prado». Vá de Bike. Consultado em 4 de setembro de 2025 
  2. a b Cruz, Willian (15 de janeiro de 2014). «A condenação do motorista que atropelou Márcia Prado». Vá de Bike. Consultado em 4 de setembro de 2025 
  3. «Após morte de ciclista, movimento faz ato na Avenida Paulista». Estadão. 15 de janeiro de 2009. Consultado em 4 de setembro de 2025. Arquivado do original em 20 de janeiro de 2009 
  4. «Saiba quem foi Márcia Prado». Vá de Bike. 16 de janeiro de 2009. Consultado em 5 de dezembro de 2022 
  5. Dal Poggetto, Priscila (15 de janeiro de 2009). «Ciclista atropelada na Avenida Paulista é homenageada». G1. Consultado em 5 de dezembro de 2022. Arquivado do original em 19 de janeiro de 2009 
  6. «1230 Av. Paulista - Google Maps». Google Maps. Fevereiro de 2010. Consultado em 4 de setembro de 2025 
  7. «Memorial Márcia Prado sofre tentativas de depredação e precisa de sua ajuda». Vá de Bike. 20 de abril de 2011. Consultado em 4 de setembro de 2025 
  8. «1230 Av. Paulista - Google Maps». Google Maps. Março de 2022. Consultado em 9 de abril de 2025 
  9. a b «A bicicleta branca de Marcia Prado, na Avenida Paulista, em São Paulo». Vá de Bike. 13 de janeiro de 2012. Consultado em 4 de setembro de 2025 
  10. «1230 Av. Paulista - Google Maps». Google Maps. Novembro de 2024. Consultado em 4 de setembro de 2025 
  11. a b «SP: MP quer condenação 'emblemática' de atropelador de ciclista». Terra. 10 de abril de 2013. Consultado em 4 de setembro de 2025 
  12. Ferreira, Felipe (3 de dezembro de 2014). «ACÓRDÃO». Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Consultado em 4 de setembro de 2025 
  13. Bertolini, Enzo (12 de janeiro de 2015). «Empresa de ônibus é condenada a pagar R$100 mil à família da ciclista Márcia Prado». Vá de Bike. Consultado em 4 de setembro de 2025 
  14. «Novo trecho de ciclovia integrará Rota Cicloturística Márcia Prado». G1. Consultado em 5 de dezembro de 2022 
  15. Cardoso, William (10 de outubro de 2022). «Ciclovia na Imigrantes sai do papel com atraso e mais cara que o previsto». Folha de S.Paulo. Consultado em 5 de dezembro de 2022