Lulu Belle Madison White

Lulu Belle Madison White
Foto de Lulu Belle Madison White
Nascimento
Elmo, Texas [en], EUA
Morte
06 de julho de 1957 (56 anos)

Alma materUniversidade Prairie View A&M [en]

Lulu Belle Madison White (31 de agosto de 1900 – 6 de julho de 1957)[1] foi uma professora e ativista dos direitos civis no Texas durante as décadas de 1940 e 1950.[2] Em 1939, White foi nomeada presidente da filial de Houston da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (sigla em inglês: NAACP) e, em 1943, tornou-se secretária executiva da filial.[3] Sob sua liderança, a filial de Houston da NAACP mais que dobrou de tamanho entre 1943 e 1948.[4]

Primeiros anos

Lulu White nasceu em Elmo [en], Texas, em 1900, filha de Henry Madison e Easter Madison. Seu pai, nascido escravizado em 1857 no Mississippi, casou-se com Easter Norwood aos 20 anos. Lulu foi a décima primeira de seus doze filhos, sete dos quais nasceram em Hattiesburg, Mississippi, antes de a família se mudar para Elmo após 1891.[5]

Elmo era uma comunidade predominantemente negra, localizada a 56 km ao norte de Dallas. A região era conhecida por seus costumes racistas, o que motivou White a se tornar uma ativista pelos direitos civis. Seu pai incentivou-a a buscar o caminho da educação.[6]

Carreira

Em 1923, White ingressou no Butler College [en] em Tyler, Texas, por um ano, antes de se transferir para o Prairie View College (atual Universidade Prairie View A&M [en]) em Hempstead, Texas, onde obteve um bacharelado em inglês em 1928.[4] Após a formatura, casou-se com Julius White, um empresário de Houston e membro da NAACP, envolvido em casos de direitos de voto. Devido à associação de seu marido com o movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, White não conseguiu emprego em Houston e aceitou um cargo de professora em Lufkin, Texas, onde lecionou inglês e educação física. Após nove anos como professora, renunciou para se dedicar integralmente ao ativismo na NAACP, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo de secretária executiva remunerada em tempo integral de uma filial local da organização.[6]

Como secretária executiva, White liderou a filial de Houston da NAACP em desafios legais cruciais contra as primárias brancas e a segregação escolar nos Estados Unidos [en]. Ela desempenhou um papel fundamental ao recrutar Heman Marion Sweatt como autor em um caso-teste para contestar a segregação na Faculdade de Direito da Universidade do Texas.[7] Sweatt venceu o caso histórico Sweatt v. Painter em 1950.

Em 1949, White deixou o cargo de secretária executiva da filial de Houston devido a desentendimentos com Carter Walker Wesley [en] sobre a questão da integração racial, mas continuou como Diretora de Filiais Estaduais. Ela liderou esforços para que o Conselho Municipal de Houston aprovasse uma portaria permitindo que hospitais municipais contratassem médicos negros, organizou protestos para que mulheres afro-americanas pudessem experimentar roupas em lojas de departamento e trabalhou pela integração de empresas de táxi. Posteriormente, atuou como trabalhadora de campo para a filial nacional da NAACP, que criou o Fundo de Liberdade Lulu White em sua homenagem. White permaneceu politicamente ativa até sua morte, em 6 de julho de 1957, devido a uma doença cardíaca.[4]

Direitos de voto e igualdade econômica

White liderou diversas iniciativas para garantir o direito de voto aos afro-americanos. Ela desempenhou um papel crucial na eliminação das primárias brancas em 1943, que restringiam a votação nas primárias do Partido Democrata apenas a brancos.[4]

White acreditava que era essencial que os afro-americanos tivessem liberdades civis e oportunidades econômicas iguais. Para promover essa ideia, incentivou afro-americanos a buscar empregos em estabelecimentos tradicionalmente considerados apenas para brancos. Embora ela própria defendesse a igualdade de oportunidades de emprego, frequentemente era rejeitada por gerentes que se recusavam a recebê-la. Para destacar a desigualdade nas oportunidades de trabalho entre brancos e afro-americanos, White organizou manifestações em grupo condenando esse comportamento dos gerentes. Como resultado, por vezes foi rotulada de comunista.[4]

Legado

White permaneceu ativa como defensora da comunidade negra até sua morte, em 6 de julho de 1957.[8] Suspeita-se que ela tenha falecido de uma doença cardíaca e está sepultada no cemitério Paradise South, em Houston, Texas. Na semana anterior à sua morte, a NAACP criou o Fundo de Liberdade Lulu White em sua homenagem.[9]

Referências

  1. «Lulu Belle Madison White». Findagrave.com. Consultado em 2 de fevereiro de 2025 
  2. Pitre, Merline (1 de março de 2010). In Struggle Against Jim Crow: Lulu B. White and the NAACP, 1900–1957 (em inglês). [S.l.]: Texas A&M University Press. ISBN 9781603441995 
  3. Pitre, Merline (2001). «Building and Selling the NAACP: Lulu B. White as an Organizer and Mobilizer». East Texas Historical Journal. 39 (1). 10 páginas 
  4. a b c d e Darlene Clark Hine (2005). «White, Lulu Belle Madison». Black Women in America (em inglês) 2nd ed. [S.l.]: Oxford University Press. ISBN 9780195156775. doi:10.1093/acref/9780195156775.001.0001 
  5. Pitre, Merline (1 de março de 2010). In Struggle Against Jim Crow: Lulu B. White and the NAACP, 1900–1957 (em inglês). [S.l.]: Texas A&M University Press. ISBN 9781603441995 
  6. a b Taylor, Quintard; Moore, Shirley Ann Wilson (1 de janeiro de 2003). African American Women Confront the West: 1600–2000 (em inglês). [S.l.]: University of Oklahoma Press. ISBN 9780806135243 
  7. Merline, Pitre (15 de junho de 2010). «White, Lulu Belle Madison». tshaonline.org. Consultado em 14 de fevereiro de 2017 
  8. «White, Lulu B.(1900–1957) | The Black Past: Remembered and Reclaimed». www.blackpast.org (em inglês). 21 de janeiro de 2007. Consultado em 21 de fevereiro de 2017 
  9. Merline, Pitre (15 de junho de 2010). «White, Lulu Belle Madison». tshaonline.org. Consultado em 14 de fevereiro de 2017