Luiz Carlos Pigatto da Silva

Sr. Caburé
Nome completoLuiz Carlos Pigatto da Silva
Pseudônimo(s)Caburé
Nascimento
Porto Alegre, RS
Morte
19 de dezembro de 2023 (90 anos)

Porto Alegre, RS
NacionalidadeBrasileiro
CônjugeZélia Conceição Mota da Silva
Filho(a)(s)José Luiz Mota da Silva, Adriana Mota da Silva Barcellos, Luiz Alexandre Mota da Silva
OcupaçãoEmpresário
PrêmiosPersonalidade do Ano, 2017 (Clube de Seguros de Vida e Benefícios/CVG)

Luiz Carlos Pigatto da Silva (Porto Alegre, 16 de julho de 1933 – Porto Alegre, 19 de dezembro de 2023), conhecido como Caburé, foi um empresário brasileiro e fundador do Grupo Caburé,[1] uma das principais administradoras de apólices de seguros de vida em grupo da América Latina.

Teve papel relevante na estruturação do modelo de seguro em grupo, com foco em parcerias institucionais e ampliação do acesso à proteção securitária no país. O Grupo Caburé, fundado em 1963, hoje é responsável pela administração de mais de R$ 28 bilhões em capitais segurados, atendendo cerca de mais de 2 milhões de segurados em todo o território nacional.

Biografia

Luiz Carlos Pigatto nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em uma família de cinco filhos. Durante a infância, enfrentou dificuldades socioeconômicas acentuadas e perdeu a mãe aos seis anos de idade. Estudou até a 3ª série do ensino fundamental e iniciou suas atividades laborais ainda criança, como engraxate e ajudante em pequenos comércios. A experiência precoce no trabalho moldou seu perfil empreendedor.

Na adolescência, foi diagnosticado com tuberculose, enfermidade considerada incurável na época, com prognóstico de 10 dias de vida. Após uma recuperação considerada “milagrosa”, Caburé iniciou um período de viagens pelo país, sem residência fixa, realizando trabalhos variados nos setores de serviços, alimentação e comércio. Esse período contribuiu para sua formação pessoal e consolidou sua trajetória como trabalhador autônomo.

Casamento de Luiz Carlos Pigatto da Silva e Zélia Conceição Mota da Silva

Durante esse período, conheceu Zélia Conceição Mota da Silva, com quem se casou após um tempo de convivência à distância, mantida por correspondências. O casal teve três filhos e viveu em diferentes cidades ao longo das primeiras décadas de união. Zélia teve papel importante no início da trajetória profissional de Caburé, sendo responsável por incentivá-lo a responder ao anúncio do jornal Correio do Povo que o levou à sua primeira oportunidade no setor de seguros, como agenciador.

Carreira

Início da carreira

Antes de atuar no setor de seguros, trabalhou em diferentes atividades comerciais, como vendedor de melancias, garçom no hotel Copacabana Palace e Buenos Aires, e ajudante de cozinha em São Paulo. Posteriormente, mudou-se para Vitória (ES), onde atuou no comércio local, auxiliando o irmão em um pequeno mercado. Adotava uma abordagem de venda direta, anotando os pedidos dos clientes da vizinhança e realizando as entregas de bicicleta.

Sua entrada no setor de seguros ocorreu em 1958. Inicialmente, atuou como autônomo e, posteriormente, foi contratado como inspetor com carteira assinada em Caxias do Sul. Na época, o setor segurador no Brasil era incipiente, voltado majoritariamente à venda de seguro patrimonial e apólices individuais, com baixa penetração nas classes populares.

Grupo Caburé

Em 1963, fundou o Grupo Caburé, estruturando um modelo de comercialização de seguros de vida em grupo. Por meio de parcerias com instituições como o Banco do Brasil e a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), contribuiu para a massificação do produto no mercado nacional. Esse modelo permitiu que trabalhadores de diferentes faixas de renda tivessem acesso à cobertura securitária, em um formato que unia escalabilidade e eficiência operacional.

Ao longo das décadas seguintes, a empresa expandiu sua base de atuação, consolidando-se como uma das maiores administradoras de apólices de seguros de vida em grupo da América Latina.

Origem do nome

Em meados de 1950, o jovem porto-alegrense Luiz, decidiu mudar-se para a cidade de Vitória, no Espírito Santo. Trabalhando como vendedor, ele já se destacava dos demais. Enquanto muitos comerciantes esperavam seus clientes, Luiz já fazia o contrário: ia até eles, pedalando pelas praias com sua bicicleta. Conhecido por estar sempre em movimento, alegre e próximo das pessoas, esse jovem corria atrás dos seus objetivos com muita determinação. Essas características marcantes lhe renderam o apelido de “Caburé”, nome de uma pequena coruja típica da região do Espírito Santo, que tem o hábito de perambular de um lado para o outro cantarolando. Apesar de muitos acharem, Caburé não é sobrenome de Luiz Carlos, mas sim o carinhoso apelido recebido pela comunidade.

Ao voltar para o Rio Grande do Sul, Luiz decidiu ingressar no mercado de seguros de vida, motivado por um anúncio que sua esposa recortou do jornal Correio do Povo, com uma oportunidade de trabalho na área. O negócio evoluiu e Luiz Carlos decide fundar sua própria empresa, inicialmente com outro nome, porém, pelo reconhecimento e carinho de seus clientes que a empresa foi rebatizada para Caburé Seguros. Com o tempo a empresa cresceu e expandiu com novas gerações, transformando-se em um legado: o Grupo Caburé.

Vida pessoal e legado

Sr. Caburé em Atlântida (RS) indo passear de helicóptero com a família.

O empresário é lembrado por muitos como uma figura carismática, excêntrica e generosa. Sua autenticidade se expressava em roupas chamativas, sempre acompanhadas do inseparável quepe de marinheiro. Na década de 1990, Luiz Carlos Pigatto da Silva adquiriu uma grande propriedade em Atlântida, no litoral do Rio Grande do Sul, onde passou a promover eventos sociais e culturais abertos ao público. As festas reuniam centenas de pessoas, muitas sem vínculo algum com ele, transformando a mansão em um ponto turístico da cidade e atraindo visitantes de todos os lugares para conhecer a famosa Rua Buriti. Nessas lendárias festividades, o Sr. Caburé reunia artistas, empresários, amigos e a comunidade em shows especiais, com glamour, muita música e diversão. O detalhe exótico estava no fato de não haver convites: a festa era para quem chegasse.

A comunidade que veraneava no litoral na década de 1990 relembra com nostalgia as grandes festas, os fogos de artifício, os desfiles de escolas de samba, as apresentações circenses e, principalmente, o parquinho inicialmente construído para os netos, com carrossel e roda-gigante, mas logo aberto a todas as crianças. Muitos moradores relatam que visitavam a propriedade apenas para ver sua coleção de carros icônicos, como Ferraris, Mercedes e Maseratis, além de presenciar as frequentes aterrissagens de helicóptero, sempre acompanhadas da distribuição de champanhe ao público que observava.

Luiz também se tornou conhecido por sua atuação em melhorias de infraestrutura na cidade, prezando pelo bem-estar da comunidade. Em homenagem ao seu impacto, após seu falecimento em 2023, a Rua Buriti, que o empresário tornou célebre, passou a se chamar Rua Caburé em 2024, eternizando sua história e contribuição para Xangri-Lá e o litoral norte gaúcho.

Morte

Caburé faleceu[2] em 19 de dezembro de 2023, aos 90 anos, em Porto Alegre. Sua morte foi noticiada por veículos de imprensa regional e nacional,[3] com destaque para sua contribuição ao setor de seguros e para sua trajetória como empreendedor de origem popular.

Legado

Luiz Carlos Pigatto da Silva é lembrado como um dos principais responsáveis pela introdução e consolidação do modelo de seguros de vida em grupo no Brasil. Sua atuação contribuiu para a ampliação do acesso à proteção securitária entre trabalhadores de diferentes níveis de renda, especialmente nas classes média e popular. O modelo implementado pelo Grupo Caburé influenciou outras empresas do setor, sendo considerado um marco no processo de democratização dos seguros no país.

Além de sua contribuição empresarial, Caburé teve impacto relevante no urbanismo e na vida comunitária do litoral norte do Rio Grande do Sul,[4] onde foi responsável por iniciativas de infraestrutura urbana. Seu estilo arquitetônico valorizava elementos como cercas vivas, ausência de muros e áreas de convivência pública.

Prémios e homenagens

Luiz Carlos Pigatto da Silva durante a cerimônia em que recebeu o prêmio de “Personalidade do Ano” de 2017.

Em 2017, Luiz Carlos Pigatto da Silva, foi agraciado com o prêmio "Personalidade" pelo Clube de Seguros de Vida e Benefícios/CVG, uma honra concedida pelo mercado segurador. O evento ocorreu em 29 de setembro de 2017.

Em janeiro de 2025, a antiga Rua Buriti foi oficialmente renomeada como Rua Caburé,[5] em homenagem póstuma aprovada pela Câmara de Vereadores de Xangri-lá.[6]

Referências