Luis Gálvez Rodríguez de Arias
Luis Gálvez Rodríguez de Arias | |
|---|---|
![]() Gálvez retratado em artigo do n.º 184 da revista argentina Caras y Caretas, de 12 de abril de 1902[1] | |
| 1.º e 3.º Presidente do Acre | |
| Período | 14 de julho de 1899 até 1 de janeiro de 1900 |
| Antecessor(a) | Cargo criado |
| Sucessor(a) | Antônio de Sousa Braga |
| Período | 30 de janeiro de 1900 até 15 de março de 1900 |
| Antecessor(a) | Antônio de Sousa Braga |
| Sucessor(a) | Joaquim Vítor da Silva |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 26 de janeiro de 1864 San Fernando, Andaluzia |
| Morte | 1935 (71 anos) Madrid |
| Partido | Desconhecido |
| Profissão | advogado e aventureiro |
Luis Gálvez Rodríguez de Arias (San Fernando, 26 de janeiro de 1864[2] – Madrid, 1935) foi um advogado[3] e aventureiro espanhol que em 1899 proclamou a República do Acre, que governou sem nenhum reconhecimento internacional entre 14 de julho de 1899 e 1 de janeiro de 1900 pela primeira vez, e entre 30 de janeiro e 15 de março de 1900, pela segunda e última vez.
Biografia
Origens
Gálvez era filho de José Gálvez Álvarez, auditor da Marinha da Espanha[4], e da aristocrata Juana Rodríguez de Arias y Fernández de Villavicencio. Seu avô materno foi José Rodríguez de Arias, importante marinheiro e militar espanhol, 21.º capitão-geral da Real Armada[5]. Entre seus tios maternos, um era o senador José Ignacio Rodríguez de Arias[6] e outro, Rafael Rodríguez de Arias, ministro da Marinha[7].
Sua família transfere-se para Madrid pouco depois da Revolução de 1868. Estudou Direito na capital espanhola, onde frequentava os círculos aristocráticos e sua vida noturna[2].
Ingressa em 1884, por concurso, no Banco da Espanha, tendo sido enviado à sucursal de São Sebastião no País Basco. Em 1890, é expulso da instituição por assinar cheques sem fundos, emitidos para saldar uma dívida de jogo. Julgado e condenado, a dívida é paga por seu pai, mas a vergonha obriga Luis Gálvez a emigrar. Aquele erro juvenil será uma mácula para toda a vida. Reabilitar-se perante sua família e perante a história será para ele uma obsessão. Um objetivo que está na origem da aventura que mais tarde empreenderia no Acre[2].
A aventura sul-americana
Luis Gálvez chega à cidade de Buenos Aires, onde passa a trabalhar como corretor da bolsa local. Envolvido em duelos motivados por romances, resolver mudar-se para o Rio de Janeiro, onde administra um negócio de frontões de pelota basca. Torna-se figura conhecida na vida social local[2].
Em 1898, parte para Manaus, iniciando sua aventura amazônica. Lá, graças à sua habilidade social, torna-se taquígrafo do Congresso do Amazonas (atual assembleia legislativa), depois administrador do influente jornal Commercio do Amazonas. Também gerenciou um restaurante-cabaré frequentado pelos círculos mais boêmios da cidade[2].
A campanha do Acre
Logo depois de o governo boliviano celebrar um acordo de comércio e exportação de borracha, através de um Contrato de Arrendamento com um sindicato de capitalistas estrangeiro, o Bolivian Syndicate, presidido pelo filho do então presidente dos Estados Unidos, Gálvez recebe uma cópia do documento para ser traduzido para o inglês do funcionário do Consulado boliviano em Belém.[8]
Leva então o assunto ao conhecimento do governador Ramalho Júnior e revela seu intento de promover a independência do Acre. O governador apoia a ideia clandestinamente, fornecendo recursos financeiros, armas, munições, provisões, um navio especialmente fretado e equipado com um canhão e uma guarnição de vinte homens.[8]
Lidera então uma rebelião no Acre, com seringueiros e veteranos da guerra de Cuba, no dia 14 de julho de 1899, propositadamente a data do aniversário de cento e dez anos da Queda da Bastilha. Fundou a República Independente do Acre, justificando que “não podendo ser brasileiros, os seringueiros acreanos não aceitavam tornar-se bolivianos”. Implantou o governo do país, que os Estados Unidos classificaram como um país da borracha.
Chamado Imperador do Acre, assumiu o cargo provisório de presidente, instituiu as Armas da República, a atual bandeira, organizou ministérios, criou escolas, hospitais, um exército, corpo de bombeiros, exerceu funções de juiz, emitiu selos postais e idealizou um país moderno para aquela época, com preocupações sociais, de meio ambiente e urbanísticas. Também baixou decretos e envia despachos a todos os países da Europa, além de designar representantes diplomáticos.[8]
Um golpe de Estado em seu governo com apenas seis meses de existência o retirou do cargo, sendo substituído pelo seringalista cearense Antônio de Sousa Braga, que um mês depois devolveu o poder a Gálvez.
O Tratado de Ayacucho, assinado em 1867 entre o Brasil e a Bolívia, reconhecia o Acre como possessão boliviana. Por isso, o Brasil despachou uma expedição militar composta por quatro navios de guerra e um outro conduzindo tropas de infantaria para prender Luis Gálvez, destituir a República do Acre e devolver a região aos domínios da Bolívia. No dia 11 de março de 1900, Luis Gálvez rendeu-se à força-tarefa da marinha de guerra do Brasil, na sede do seringal Caquetá, às margens do rio Acre, para depois ser exilado em Recife, Pernambuco. Mais tarde foi deportado para a Europa.
Em 1902, voltou à América do Sul, desembarcando em Buenos Aires, na Argentina, onde foi retratado e entrevistado pela revista Caras y Caretas, que informou em artigo que ele havia regressado ao país natal para se recuperar do beribéri que teve durante a aventura no Acre[1].
Gálvez ainda retornou ao Brasil, anos depois, mas o governo do Amazonas o prendeu e o recambiou para o Forte de São Joaquim do Rio Branco, hoje estado de Roraima, de onde fugiria tempos depois. Morreu na Espanha só e pobre em 1935[7].
Homenagens
- Existe um rio com seu nome no Acre.
- Na entrada da Assembleia Legislativa do Estado do Acre (ALEAC) há uma estátua de Gálvez e atrás dele a bandeira do Estado Independente do Acre. Nela, está escrito “Se a Pátria não nos quer, criamos outra! Viva o Estado Independente do Acre!”, frase que foi dita por Gálvez no dia 14 de julho de 1899, durante a declaração da República do Acre perante a população que ali habitava. A frase virou um bordão e, até hoje - mais de um século depois de dita por Gálvez - a maioria dos acrianos não a conhece perfeitamente[carece de fontes].
Representações culturais
- Galvez - Imperador do Acre é a primeira novela folhetinesca de Márcio de Souza, lançado em 1976 e com catorze edições até 2007.
- Em 2007, a Rede Globo exibiu uma minissérie intitulada Amazônia, de Galvez a Chico Mendes, dedicada à região do estado do Acre. O ator José Wilker interpreta Luis Gálvez Rodríguez de Arias.
- O escritor espanhol Alfonso Domingo publicou em 2003 uma novela histórica cuja principal personagem é Luis Gálvez[4].
Referências
- ↑ a b «Caras y caretas (Buenos Aires), 12/4/1902, n.º 184 [Ejemplar]». Biblioteca Nacional de España. 12 de abril de 1902. Consultado em 7 de agosto de 2025
- ↑ a b c d e Alfredo Domingo (Andalucía en la Historia - Centro de Estudios Andaluces) (abril de 2007). «La estrella solitaria: la historia de Luis Gálvez en las selvas amazónicas» (em espanhol)
- ↑ Alfredo Serrano (El Heraldo de Madrid) (26 de outubro de 1928). «De una aventura política extraordinaria» (em espanhol). Consultado em 27 de dezembro de 2025
- ↑ a b Domingo, Alfonso (2003). La Estrella Solitaria (PDF). Sevilha: Algaida. p. 24. ISBN 9788498777079
- ↑ Real Academia de la Historia. «José Rodríguez de Arias y Álvarez Campana» (em espanhol). Consultado em 27 de dezembro de 2025
- ↑ Senado da Espanha. «Expediente personal del Senador D. Ignacio José Rodríguez Arias, por la provincia de Murcia» (em espanhol). Consultado em 27 de dezembro de 2025
- ↑ a b Juan Carlos de la Cal (El Mundo) (27 de abril de 2003). «El español que fue presidente» (em espanhol). Consultado em 27 de dezembro de 2025
- ↑ a b c ALBUQUERQUE, Ivo de. Tratado de Petrópolis - 100 anos - As lutas pela posse do Acre.
| Precedido por — |
Presidente do Acre 1899 — 1900 |
Sucedido por Antônio de Sousa Braga |
| Precedido por Antônio de Sousa Braga |
Presidente do Acre 1900 |
Sucedido por Joaquim Vítor da Silva |
