Luigi Barlassina

Luigi Barlassina
Patriarca da Igreja Católica
Patriarca Latino de Jerusalém e Reitor e Administrador Permanente dos Cavaleiros do Santo Sepulcro
Info/Prelado da Igreja Católica
Atividade eclesiástica
Diocese Patriarcado Latino de Jerusalém
Nomeação 8 de março de 1920
Entrada solene 15 de julho de 1920
Predecessor Filippo Cardeal Camassei
Sucessor Alberto Gori, OFM
Mandato 1920-1947
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 22 de dezembro de 1894
Nomeação episcopal 4 de agosto de 1918
Ordenação episcopal 8 de setembro de 1918
Roma
por Basilio Cardeal Pompilj
Dados pessoais
Nascimento Turim
30 de abril de 1872
Morte Jerusalém
27 de setembro de 1947 (75 anos)
Nacionalidade Italiano
Funções exercidas - Bispo auxiliar de Jerusalém (1918-1920)
Títulos anteriores - Bispo titular de Cafarnaum (1918-1920)
Categoria:Igreja Católica
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Luigi Barlassina (Turim, 30 de abril de 1872 - Jerusalém, 27 de setembro de 1947) foi um clérigo católico italiano que serviu como Patriarca Latino de Jerusalém a partir de 1920 e reitor e administrador permanente da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém de 1928 até sua morte.

Biografia

Barlassina nasceu no Reino da Itália; órfão de pai muito cedo, herdou da mãe a devoção a Virgem Maria. Foi ordenado sacerdote em 22 de dezembro de 1894. Reconhecido pregador, estudou na Escola de Liturgia e Cerimônias dos Padres Oratorianos e dirigiu a Escola Alfieri-Carrú das Filhas da Caridade em Turim. Em 1900, ele começou a pregar na forma de diálogo na inauguração da igreja de Nossa Senhora do Imaculado Coração de Maria. O sucesso foi imediato e quando foi nomeado reitor de Santa Pelagia em 1901, a igreja se tornou uma das mais frequentadas da cidade.[1] Depois, em Roma, trabalhou como diretor espiritual do colégio de Propadanda Fide e como pároco da Basílica de Latrão.[2] Ele falava italiano, francês, inglês e alemão.[1]

O Papa Bento XV em 4 de agosto de 1918 nomeou-o bispo titular de Cafarnaum e bispo auxiliar de Jerusalém. Recebeu a consagração episcopal em 8 de setembro de 1918, em Roma, pelo Cardeal Basilio Pompilj; os principais co-consagradores foram os arcebispos Pietro Alfonso Jorio e Americo Bevilacqua.[3]

Em 28 de outubro do mesmo ano, Barlassina fez sua entrada em Jerusalém e no dia seguinte foi nomeado vigário geral do Patriarcado.[1] Em 16 de dezembro de 1919, tornou-se Administrador Apostólico de Jerusalém, com a saída do Patriarca Camassei. Ainda em 1919, fundou a missão de Tulkarem.[1] O Papa Pio XI o nomeou Patriarca Latino de Jerusalém em 8 de março de 1920.[3] No dia de sua inauguração e entrada cerimonial na Basílica do Santo Sepulcro, em 15 de julho, Monsenhor Barlassina dedicou sua diocese a "Nossa Senhora, Rainha da Palestina".[2]

Barlassina iniciou a construção e consagrou o santuário mariano de Deir Rafat. Em 1927, fundou a congregação Ancillae (Servas) de Nossa Senhora Rainha da Palestina, que se fundiu com a Congregação de Nossa Senhora de Sião em 1936. Composta por irmãs de diferentes origens, o objetivo desta instituição religiosa era estabelecer as bases para a conversão entre os não cristãos, especialmente entre os judeus da Palestina quando estava sob o mandato britânico. Gradualmente, a missão das Irmãs perdeu de vista seu objetivo principal, especialmente após o Concílio Vaticano II, e se tornou uma instituição dedicada ao diálogo e às relações judaico-cristãs.[1][2]

Em 1921, Monsenhor Barlassina reabriu o seminário do Patriarcado Latino em Beit Jala, quase destruído durante a Primeira Guerra Mundial, e o confiou aos Padres Beneditinos; em 1927, o seminário foi trazido de volta a Jerusalém e em 1932 confiado aos Padres de Bétharram; por fim, em 1936, transferiu o seminário de volta para Beit Jala. No Ano Santo especial de 1934, o Patriarca reconstituiu a procissão do Domingo de Ramos, de Betfagé a Jerusalém.[1][2]

Monsenhor Barlassina era conhecido por ser um antissionista e seu escritório promoveu a leitura de Os Protocolos dos Sábios de Sião, um texto antissemita fabricado.[4] Ele compartilhava da oposição do Vaticano à imigração de judeus para a Palestina e ao estabelecimento de um estado judeu lá, um sentimento compartilhado por católicos palestinos, tanto latinos, quanto orientais. Barlassina compartilhava a equação católica generalizada de judeus com comunismo e se preocupava que o aumento da presença de judeus na área levaria à disseminação do comunismo. Ele entraria em conflito com o cardeal Eugène Tisserant, secretário da Congregação para as Igrejas Orientais da Santa Sé, que era mais aberto ao diálogo com organizações judaicas e, ao contrário de Barlassina e muitos clérigos da igreja latina, ansioso para promover a união dos católicos latinos e orientais.[5]

Quando o Papa Pio XI renunciou ao título de Grão-Mestre da Ordem do Santo Sepulcro, em 1928, entregando a Ordem à autoridade exclusiva do Patriarca Latino de Jerusalém, Barlassina, a quem foi dado o título de “Reitor e Administrador Permanente dos Cavaleiros do Santo Sepulcro”. Como resultado dos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, Barlassina foi privado da comunicação com Roma e com os membros da Ordem e, portanto, a seu pedido, o Papa nomeou em 1940 o Cardeal Nicola Canali como protetor da Ordem. Durante o período do patriarcado de Barlassin, um novo estatuto de ordem foi adotado (1932).[2]

O Patriarca sofreu em 13 de março de 1945 um grave ataque cardíaco em Rafat e faleceu em 27 de setembro de 1947, de angina, aos 75 anos.[1]

Referências

  1. a b c d e f g «V - Patriarch Luigi Barlassina». Latin Patriarchate of Jerusalem (em inglês). Consultado em 3 de fevereiro de 2025 
  2. a b c d e «Luigi Barlassina – Rytířský řád Božího hrobu jeruzalémského» (em checo). Consultado em 3 de fevereiro de 2025 
  3. a b «Patriarch Luigi Barlassina [Catholic-Hierarchy]». www.catholic-hierarchy.org. Consultado em 3 de fevereiro de 2025 
  4. «Mgr. Luigi Barlassina, Latin Patriarch in Jerusalem, Arrives in New York» (PDF). The Jewish Daily Bulletin. 14 de fevereiro de 1926. p. 4. Consultado em 2 de fevereiro de 2025 
  5. Ketzer, David (5 de outubro de 2021). «A Liminal Church». Quest. Issues in Contemporary Jewish History (em inglês). Consultado em 3 de fevereiro de 2025