Lucy Seki

Lucy Seki
Lucy Seki em sua primeira visita ao Xingu, no Posto Indígena Leonardo Villas Bôas (1968)
Outros nomesLucy Soares Ferreira
Nascimento
Morte
23 de junho de 2017 (78 anos)

Nacionalidadebrasileira
CônjugeHiroshi Seki (marido)[1]
Alma materUniversidade Patrice Lumumba
Ocupaçãolinguista e professora universitária

Lucy Seki, nascida Lucy Soares Ferreira (Belo Horizonte, 27 de março de 1939Campinas, 23 de junho de 2017), foi uma linguista brasileira, especialista em línguas indígenas sul-americanas. É autora de uma conceituada gramática da língua Kamaiurá.[2]

Biografia

Seki graduou-se em História pela Universidade Federal de Minas Gerais e obteve seu mestrado em Filologia, com especialidade Língua e Literatura Russa (1969) e doutorado (1973) em Filologia, com especialização Línguas Indígenas Americanas, pela Universidade Patrice Lumumba, em Moscou. Fez estudos de pós-doutorado na Universidade do Texas em Austin (EUA). Foi uma das principais pesquisadoras das Línguas indígenas do Brasil e a maior especialista na língua Kamaiurá. Foi coodernadora de projetos de documentação linguística e educação no Parque Indígena do Xingu. Lecionou, desde 1977, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde era professora titular da área de Linguística Antropológica . Seki também fundou a Revista LIAMES] - Línguas Indígenas Americanas, periódico científico dedicado exclusivamente às línguas indígenas do continente. Em 2010 foi eleita membro honorário da Sociedade Linguística da América (LSA), em reconhecimento das suas substanciais contribuições à linguística.[3]

Publicou a Gramática do Kamaiurá - Língua Tupi-Guarani do Alto Xingu, uma das mais importantes gramáticas sobre línguas indígenas brasileiras (UNICAMP/Imprensa Oficial, 2000) e organizou a coletânea bilíngue Kamaiurá/Português de mitos Kamaiurá Jene Ramyjwena Juru Pytsaret: O que habitava a boca de nossos ancestrais (Museu do Índio, 2010), além do livro Linguística Indígena e Educação na América Latina (UNICAMP, 1993).

Seu aprofundado trabalho sobre a língua krenak, em processo de extinção, qualificou-a como uma das maiores especialistas na problemática das línguas em perigo e sobre a obsolescência linguística no Brasil.[4]

Lucy Seki faleceu no dia 23 de junho de 2017.[4]

Publicações

Livros

Artigos

  • 2002. Krenak (Botocudo/Borum) e as línguas Jê. In: Línguas Jê: Estudos Vários, ed. Ludoviko dos Santos and Ismael Pontes, pp. 15–40. Londrina: Universidade Estadual Londrina.
  • 2000. Línguas indígenas do Brasil no limiar do século XXI. Impulso 12 (27) edição sobre os 500 anos de Brasil. Universidade Metodista de Piracicaba.
  • 1999. A lingüística indígena no Brasil. D.E.L.T.A. 15, N.º especial, 1999: 257-290 (PDF).
  • 1993. Notas sobre a história e a situação linguística dos povos indígenas do Parque Xingu. In: Seki. Lucy (org.) Linguística indígena e educação na América Latina. Campinas: Editora da Unicamp.
  • 1991. Perspectivas para os estudos linguísticos no Brasil. Boletim da ABRALIN, 12. Campinas: IEL / Unicamp: 7-2.
  • 1990. Kamaiurá (Tupi-Guarani) as an active-stative language. In D.L. Payne (ed.), Amazonian linguistics: Studies in Lowland South American languages, University of Texas Press.
  • 1990. Apontamentos para a bibliografia da língua Botocudo/Borum. Cadernos de Estudos Lingüísticos 18: 115-142. Campinas.
  • 1989. Evidências de relações genéticas na família Jê. Estudos Lingüísticos, XVIII (Anais de Seminários do GEL): 604-611. Lorena: Prefeitura Municipal/GEL.
  • 1985. "A Note on the Last Botocudo Language", International Journal of American Linguistics 51 (4, octubre 1985): 581-583.
  • 1985. Reduplication and CV skeleta in Kamaiurá. Com Daniel Everett. Linguistic Inquiry 16. 326–330.
  • 1984. Problemas no estudo em uma língua em extinção. Boletim da ABRALIN, 6, 109-118.
  • 1982. Marcadores de pessoa do verbo Kamaiurá. Cadernos de Estudos Lingüísticos 3.22-40. Campinas: Unicamp/Funcamp.
  • 1981. A note on COMPas a universal. LI 12:659-65. Com Frank Branden.
  • 1976. O Kamaiurá: língua de estrutura ativa. Língua e Literatura. Rev. dos Deptos. de Letras da Fac. de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Univ. de São Paulo 5: 217-227.

Vídeo

Referências

  1. NEVINS, Andrew. Entrevista: Lucy Seki. Revista Linguíʃtica / Revista do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Volume 13, n.1 jan de 2017, p. 11-19. ISSN 2238-975X 1.
  2. Aikhenvald, Alexandra (2002). Resenha de Gramática da língua Kamaiurá, língua Tupi-Guarani do Alto Xingu. Language, Vol. 78, No. 2 (Jun., 2002), pp. 316-319.
  3. "Lucy Seki agraciada com 'honorary membership' da LSA". Lista Etnolingüística, 13 de fevereiro de 2010.
  4. a b «Lucy Seki (1939-2017) - Biblioteca Digital Curt Nimuendajú». www.etnolinguistica.org (em inglês). Consultado em 21 de setembro de 2018 

Ligações externas