Lucélia Borges

Lucélia Borges
Nascimento19 de julho de 1981
Bom Jesus da Lapa
CidadaniaBrasil
Ocupaçãoartista, artista plástica

Lucélia Borges Pardim, também conhecida como Lucélia Borges (Bom Jesus da Lapa (Bahia), 19 de julho de 1981), é uma artista plástica, pesquisadora das tradições populares e contadora de histórias brasileira, que se dedica principalmente à arte da xilogravura.


Biografia

Borges possui graduação em Letras com habilitação em Línguas Portuguesa e Inglesa pela Universidade do Estado da Bahia - UNEB - (2002-2006) e é mestre em Estudos Culturais pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente reside em São Paulo, onde atua como produtora cultural, xilogravadora e contadora de histórias. [1][2]

Sua estreia profissional na xilogravura ocorreu em 2017, após uma oficina ministrada na cidade de Lorena (SP), por Valdeck de Garanhuns e Regina Dozina, seus mestres e verdadeiros iniciadores nesta arte milenar. A primeira capa para um folheto nasceu de uma encomenda do poeta Pedro Monteiro, que adaptou para o cordel a lenda piauiense do Cabeça de Cuia. Em um cenário predominantemente masculino, como o da xilogravura popular e do cordel, enfrentou, em vários momentos, o machismo e a misoginia, além de apropriações indevidas de sua arte.

Com vistas à promoção do cordel como patrimônio cultural brasileiro e de suas interfaces, assumiu, em dezembro de 2025, a presidência do Instituto Cordel sem Fronteiras, sediado em São Paulo, cuja diretoria é composta majoritariamente por mulheres. [3]

Usando a técina da xilogravura, ilustrou vários folhetos de cordel de autores como José Walter Pires, Nilza Dias, Daniella Bento, João Gomes de Sá, Josenir Lacerda, Maria Celma, Paulo Dantas e Isabelly Moreira, e os livros infantojuvenis Moby Dick em cordel, de Stélio Torquato (Nova Alexandria) e Ithale: fábulas de Moçambique, de Artinésio Widnesse (Editora de Cultura). Ilustrou, ainda, A jornada heroica de Maria, de Marco Haurélio (Melhoramentos), obra selecionada para o Catálogo da Feira do Livro de Bolonha (Itália) e premiada com os selos Altamente Recomendável, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e com o selo Seleção Cátedra-Unesco da PUC-Rio. [4] Colaborou com o pesquisador e cordelista Marco Haurélio na recolha e transcrição dos contos populares nos livros Vozes da Tradição (IMEPH) e Contos e fábulas do Brasil (Nova Alexandria). Assina ainda as xilogravuras do livro Contos encantados do Brasil (Aletria), de Marco Haurélio, premiado com o selo Seleção Cátedra-Unesco da PUC-Rio (produção de 2022). [5] O mesmo livro recebeu, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), o selo Altamente Recomendável na categoria Reconto.

Participou de importantes exposições pelo Brasil, entre elas as mostras Mulheres na xilogravura, do Museu do Folclore, no Rio de Janeiro, [6] e Vidas em Cordel, do Museu da Pessoa, atuando como curadora visual desta última. [7] Suas obras também fazem parte da exposição permanente  Migrar – Histórias Compartilhadas Sobre Nós, do Museu da Imigração de São Paulo. [8]

Obra

Como ilustradora
  • Moby Dick em cordel, de Stélio Torquato (Nova Alexandria, 2019).
  • Ithale: fábulas de Moçambique, de Artinésio Widnesse (Editora de Cultura, 2019).
  • A jornada heroica de Maria, de Marco Haurélio (Melhoramentos, 2019).
  • Contos Encantados do Brasil, de Marco Haurélio (Aletria, 2022).
  • O Sonho de Lampião, de Penélope Martins e Marco Haurélio (Principis/Ciranda Cultural, 2022).
  • O Dragão da Maldade e a Donzela Guerreira, de Marco Haurélio (Palavras, 2023).
  • Muntara, a Guerreira, de Penélope Martins e Tiago de Melo Andrade (Lê Editorial, 2024).
  • Cordéis antológicos de Bule-Bule. (Nova Alexandria, 2024).
  • Histórias por um mundo melhor, de Costa Senna (Global Editora, 2025).
  • Cordéis para a vida inteira, de Marco Haurélio (Movimenta, 2025)
Como autora
  • Vamos Todos Cirandar, parceria com Marco Haurélio. Ilustrações de Aline Guimarães (Movimenta, 2025).

Referências

  1. «Sarau Viva Nordeste». Biografia da artista. Consultado em 25 de junho de 2021 
  2. Matias, Karina. «Poetas em SP preservam e renovam a literatura de cordel, novo patrimônio cultura do Brasil». Folha de S. Paulo. Consultado em 20 de Julho de 2023 
  3. «Cordel, forró, amizade e bons livros!». Associação Portugal Brasil 200 anos. Consultado em 16 de dezembro de 2025 
  4. «Prêmio Seleção Cátedra Unesco». Relação de obras premiadas. Consultado em 25 de junho de 2021 
  5. «Prêmio Seleção Cátedra Unesco 2022». Relação de obras premiadas. Consultado em 1 de abril de 2023 
  6. «CNFCP/Iphan inaugura exposição Mulheres na Xilogravura, no RJ». Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Consultado em 29 de julho de 2025 
  7. «Vidas em Cordel». Museu da Língua Portuguesa. Consultado em 29 de julho de 2025 
  8. «São Paulo: conheça a nova exposição permanente do Museu da Imigração//». Viagem e Turismo. Consultado em 16 de dezembro de 2025