Luís de Toledo Piza Sobrinho
Iniciou sua carreira política como vereador municipal, presidente da Câmara e Prefeito do Município de Pirajuí, E. F. Noroeste, onde possuía uma propriedade agrícola cafeeira.
Em 1919, foi eleito deputado estadual pelo antigo 5.º Distrito, sendo reeleito até 1930.
A sua passagem pela Câmara Estadual foi assinalada por uma notável atividade em pról da região que mais diretamente representava, devendo-se a PIZA SOBRINHO a criação de quase todos os municípios, distritos de paz e comarcas, bem como são de sua iniciativa, a localização de numerosíssimas escolas públicas, grupos escolares, delegacias de polícia e tudo, enfim, que diz com o progresso dessa extensa área do Estado.
Após a revolução de 30, foi fundador e presidente da “Ação Nacional do Partido Republicano”, ala moça da tradicional agremiação política de São Paulo, que, posteriormente, com a “Federação dos Voluntários” e o “Partido Democrático”, formaram o “Partido Constitucionalista”, que elegeu o saudoso e eminente Armando de Salles Oliveira, primeiro governador constitucional do Estado, na Segunda República.
Tomou parte ativa na Revolução Constitucionalista de 1932, sendo-lhe confiada a Superintendência Geral do famoso Serviço de Intendência de Guerra, “M.M.D.C.”, modelar instituição, em que PIZA SOBRINHO revelou os seus dotes de organizador e administrador.
Vencida a Revolução, pelas armas ditatoriais, esteve preso com os chefes do movimento paulista, sendo exilado para a Europa, onde permaneceu durante um ano.
De regresso à pátria, foi eleito, em 1935, por expressiva votação, deputado federal pelo Partido Constitucionalista, renunciando, porém, à sua cadeira, para ocupar a pasta da Agricultura, Indústria e Comércio, no notável governo do grande estadista Armando de Salles Oliveira.
Nesse novo posto, foi, sem favor, qualificado o melhor Secretário que já passou por êsse importantíssimo departamento da administração pública.
Reorganizou a Secretaria da Agricultura, dando-lhe uma eficiência até então nunca conhecida. Valorizou o agrônomo, acreditando-o junto dos agricultores, que antes o recebiam com reserva e desconfiança.
Reestruturou o Instituto Agronômico de Campinas, atualizando-o, de acôrdo com os progressos da ciência agronômica. Criou, nessa reestruturação, entre os novos serviços, dois, destinados a influírem decisivamente na exploração agrícola, até então, rotineira, desenvolvendo a produção e consequentemente, a economia nacional:
1.º — A secção de estudos de solos, pelo perfeito conhecimento dos seus diferentes tipos, em todo o território paulista, possibilitando a sua recuperação, combate à erosão, adubação, estudo de irrigação, etc., etc. Para dirigir essa nova secção, contratou o professor Paulo Vagler, da Universidade de Berlim, um dos cientistas, na especialidade, de maior renome mundial. O professor Vagler, depois de aparelhar os laboratórios da secção, projetou, ao iniciar os seus trabalhos, o levantamento da planta agro-geológica do Estado, que deveria ser elaborada por etapas, em cerca de 10 anos. Concluiu a primeira etapa. E, quando mais promissora se desenvolvia a tarefa que se propôs realizar (inclusive a formação de técnicos nacionais), foi dispensado da chefia da secção, no governo ditatorial, quando interventor o Sr. Ademar de Barros.
2.º — O Serviço Científico do Algodão, entregue à competência do grande técnico brasileiro Raymundo Cruz Martins, no qual foram reunidos todos os estudos de fomento da produção algodoeira. Esse serviço, verdadeiramente modelar, mereceu os maiores encômios não só dos entendidos do país, como do estrangeiro, chegando um técnico norte-americano a afirmar que, na especialidade, era o serviço mais perfeito do mundo.
Para completar esse Serviço, foi contratado pelo Secretário PIZA SOBRINHO, o maior técnico conhecido de algodão, o eminente professor S. C. Harland, da Inglaterra, criador de inúmeras variedades da preciosa malvácea.
A respeito desse notável cientista, ocorreu, igualmente o que acontecera ao professor Vagler: — com o advento da ditadura de 37, pouco tempo depois, foi dispensado, truncando-se a perfeita organização deixada no governo por PIZA SOBRINHO.
O Serviço Científico do Algodão, hoje, é uma pálida lembrança do que fôra no governo Armando de Salles Oliveira. A sua desorganização é patente e os agricultores sofrem as duras consequências do desmantelo dêsse departamento, outrora orgulho e glória da agricultura paulista.
Criou, ainda, o Secretário PIZA SOBRINHO, por essa ocasião, a Secção de Sericicultura, no Departamento de Indústria Animal, pois, até aí, nada existia na Secretaria a respeito de tão importante ramo da economia. Para a efetivação dêsse novo serviço, foi instalado o bem aparelhado Instituto de Campinas, que começou logo a preencher a sua finalidade, sob a direção do ilustre técnico-agrônomo Francisco de Assis Iglesias.
O desenvolvimento a que atingiu êsse serviço durante a última guerra, bem demonstrou a visão do Secretário que o criou, e que infelizmente não foi bem compreendida pelas administrações posteriores.
O Departamento de Assistência ao Cooperativismo, recém-criado, ao assumir a pasta PIZA SOBRINHO, teve da sua parte especial carinho. Organizou-o, sob a direção do grande cooperativista brasileiro, de renome internacional, dr. Luiz Amaral, assentando, pôde dizer-se, em bases sólidas, o cooperativismo em São Paulo, a começar da sua ação educativa, nos grupos escolares, onde foram criadas cerca de 200 cooperativas escolares.
O próprio e defeituosíssimo decreto-lei que regulava o cooperativismo no país, em 1936, foi, graças aos esforços de PIZA SOBRINHO e Luiz Amaral, substituído pela magnífica lei ainda em vigor.
Também, êsse Departamento, foi desmantelado pela Ditadura.
PIZA SOBRINHO promoveu, também, a criação das escolas-práticas de agricultura, idéia excelente, desnaturada de sua finalidade, pelos governos que o sucederam.
Concluiu, PIZA SOBRINHO, na Secretaria, o grande edifício do Instituto Biológico, dando-lhe uma estação experimental no interior, a fazenda “Mato Dentro”, em Campinas, preenchendo, assim, a falha de que tanto se ressentia para os seus trabalhos de pesquisas e experimentações.
Criou a “Coudelaria Paulista”, em Colina, para a seleção e cruzamento em estudos experimentais de equinos, e asininos de trabalho, bem como o Pôsto Experimental de Criação para aperfeiçoamento de bovinos das raças indianas e criação de suínos, de Araçatuba.
Reorganizou os serviços do Departamento de Imigração, Terras e Colonização, construindo as novas e excelentes instalações não só do Departamento como da Hospedaria de Imigrantes.
Deixou a Secretaria da Agricultura, em Novembro de 1936, para ocupar a Presidência do Departamento Nacional do Café, que renunciou quatro meses depois para acompanhar o seu amigo e chefe, Armando de Salles Oliveira, na propaganda de sua candidatura à Presidência da República, em 1937.
A “União Democrática Brasileira”, que se formou para apoiar a candidatura daquele grande estadista, elegeu PIZA SOBRINHO seu secretário geral.
Sobrevindo o golpe que instituiu a ditadura do Estado Novo, PIZA SOBRINHO foi novamente exilado para o estrangeiro, em 1938, com Armando de Salles Oliveira, Octavio Mangabeira, Lindolfo Collor, Julio Mesquita Filho, Mario Brant e outros democratas, só regressando ao país depois de sete anos, em 1945.
Eleito deputado para a Constituinte, em 1946, tomou parte ativa nos trabalhos de elaboração do novo estatuto fundamental da República, pronunciando um discurso sobre o problema agrário brasileiro, que mereceu francos elogios de seus pares e da imprensa do país.
Transformada a Constituinte em Congresso ordinário, fez parte, desde o início da legislatura, da Comissão de Finanças e Orçamento, da qual é dos mais assíduos e operosos membros, constituindo-se ali, sentinela avançada dos interêsses econômicos do Brasil e principalmente de São Paulo.
Além de relator dos orçamentos dos Ministérios da Guerra e Marinha, relatou dois projetos de relevante importância para a economia brasileira e do Estado que representa: o que libera os bens dos súditos do Eixo e o que concede uma bonificação de Cr$ 10,00 por arroba de algodão, aos produtores e maquinistas que, compulsoriamente, entregaram ao Banco do Brasil os algodões ali financiados, por ocasião da grave crise que os atingiu durante a última guerra.
Em grande parte devido à sua combatividade pelas causas justas que afetam à produção nacional, se deve o andamento feliz, não sem grandes tropeços, dessas duas vitais proposições legislativas para a economia brasileira e paulista.
Foi, também, relator do projeto, já convertido em lei, que facilita a mecanização da lavoura, bem como o que cria uma rede de armazéns e transportes frigoríficos.
PIZA SOBRINHO impediu, na Comissão de Finanças, que fôsse desviado de sua finalidade, o patrimônio do Departamento Nacional de Café, no valor de cerca de 1.800.000 contos, que passaria ao fundo do Plano Salte.
Essa medida foi pleiteada pelo govêrno federal, em mensagem enviada ao Congresso. PIZA SOBRINHO, com cerrada argumentação jurídica e sob o aspecto moral da questão, conseguiu se retirasse do Plano, essa dotação.
A lavoura cafeeira, em face da crise que, recentemente, atingiu os preços do café, encontrou na palavra de PIZA SOBRINHO, na Câmara, o seu melhor e mais denodado defensor, bem como a desastrosa atuação do ex-Ministro da Fazenda, Sr. Correia e Castro, nessa ocasião, relativamente às medidas pleiteadas pelas classes produtoras, o seu mais veemente crítico.
Inegavelmente, foi êle quem provocou a demissão do Ministro, e, consequentemente, a melhoria da situação do café.
A questão do preço mínimo do arroz e do milho, da última safra, foi levada à tribuna da Câmara pela palavra do representante paulista, interessando, depois, deputados de outros Estados, e, as providências do govêrno sôbre o caso, em grande parte se deve à ação de PIZA SOBRINHO.
Não há assunto que diga com o interêsse econômico de São Paulo, em que não se tenha feito sentir a diligência do deputado bandeirante.
Cumpre assinalar que o trabalho mais eficiente dos Parlamentos, não está nos discursos pronunciados no Plenário, mas no seio tranquilo das Comissões técnicas, onde os seus membros estudam detidamente os projetos e elaboram os pareceres, que são ali debatidos com argumentos sérios, produtos daquele estudo.
Dentre as Comissões da Câmara dos Deputados, a de Finanças é a mais importante, e aí vão 99% dos projetos. As suas reuniões são diárias.
Basta dizer que PIZA SOBRINHO é o membro mais assíduo dêsse órgão e o que maior volume de trabalho apresenta em relatórios.
| Luís de Toledo Piza Sobrinho | |
|---|---|
| Nascimento | 3 de setembro de 1888 São Paulo |
| Morte | 19 de maio de 1983 (94 anos) São Paulo |
| Cidadania | Brasil |
| Ocupação | político |
Luís de Toledo Piza Sobrinho (São Paulo, 3 de setembro de 1888 — São Paulo, 19 de maio de 1983) foi um político brasileiro. Exerceu o mandato de deputado federal constituinte por São Paulo em 1946.[1]
Referências
- ↑ «Luís de Toledo Piza Sobrinho». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 31 de outubro de 2017