Luís Gonçalves Malafaia

Luís Gonçalves Malafaia
Rico-Homem e Vedor da Fazenda
Dados pessoais
Nascimentoc. 1389
Morte22 de outubro de 1464 (75 anos)
CônjugeFilipa de Azevedo, filha dos senhores de S. João de Rei
Descendência
PaiGonçalo Peres, Regedor da Casa do Cível e senhor de Belas
MãeMaria Anes
Irmão(ã)Pedro Gonçalves Malafaia
Título(s)Rico-homem
OcupaçãoEstadista, Diplomata, Militar
Filho(s)
Filha(s)

Luís Gonçalves Malafaya (c. 1389 – 1464) foi um estadista, militar e diplomata português do século XV, referido por vários autores como sendo um dos Doze de Inglaterra. Tomou parte na conquista de Ceuta e foi embaixador a Castela e a Roma.

Biografia

Nasceu cerca de 1389,[1] filho de Gonçalo Peres (c. 1350 – 1424[1]), senhor do Paço de Belas,[1] escrivão da chancelaria do rei D. Fernando e regedor da casa do cível de D. João I[2] e de sua mulher, Maria Anes.[3]

Juntamente com seu irmão, Pedro Gonçalves Malafaya, esteve na conquista de Ceuta em 1415,[4] sendo um dos cerca de 160 fidalgos[4] que acompanharam D. João I e os Infantes na expedição à cidade.

Regressou a Ceuta em 1419, para tomar parte da expedição de socorro à praça – então cercada por forças do sultão de Marrocos, Abuçaíde Otomão III - liderada pelos Infantes D. João e D. Henrique. Depois de levantado o cerco, esteve em missões diplomáticas em território marroquino.[5] Segundo relata Zurara, na página 315 da Crónica do Conde D. Pedro de Meneses,[6] Luís Gonçalves Malafaya, num regresso de Ceuta, capturou "uma grande, e poderosa Carraca, partindo de Ceuta para Portugal, a qual andava a tráfego de Mouros, e foi achado nella muy grande riqueza, de que este Cavaleiro levou fundamento de viver sempre abastado[7]".

Em 1431, foi enviado em outra missão diplomática, desta vez a Castela e de novo na companhia de seu irmão, para participar nas negociações que culminaram na assinatura do Tratado de Paz de Medina del Campo (30.10.1431), depois ratificado em Almeirim em 17.01.1432. Sobre essa missão de Luís Gonçalves, relata António Carvalho da Costa, no Tomo I da sua Corografia Portuguesa do ano de 1706 que “vendo-o El Rey de Castela falar com grande resolução, disse, que lhe não chamaria Malafaya, senão Bonafaya”.[8]

A sua assinatura, bem como a do seu irmão Pedro Gonçalves, consta na ratificação de Almeirim, na lista das testemunhas do Conselho e do Desembargo régio.[9]

Em 1452, D. Afonso V enviou-o a Roma,[10] juntamente com Rui Gomes de Alvarenga, em missão diplomática com o propósito de desanuviar as relações entre Portugal e o papado, algo abaladas na sequência da morte em combate do infante D. Pedro em Alfarrobeira. A irmã do infante, D. Isabel, era duquesa de Borgonha e tinha solicitado o apoio do papa na defesa da memória do irmão, incluindo um tratamento adequado aos seus restos mortais e aos seus filhos. Por essa missão, Malafaya, Alvarenga e a comitiva receberam a quantia de 2385 dobras; em súplicas da abril e junho do mesmo ano, Luís Gonçalves Malafaya defendeu a nomeação de D. Jaime, filho do infante morto em Alfarrobeira, para a posição de Cardeal.[11]

Foi um rico e influente cortesão dos três primeiros monarcas da dinastia de Avis. Com a designação de rico-homem (que na época significava alguém com altas funções na corte), foi membro do conselho de D. João I (desde 1431) e depois de D. Duarte - de quem foi também vedor da Fazenda, a partir de 1435 - sendo por fim conselheiro de D. Afonso V a quem, a partir de 1441, serviu igualmente como vedor da Fazenda.

Faleceu antes de 22.10.1464, data de um documento de D. Afonso V nomeando um sucessor para o cargo de contador-mór, “em substituição de Luís Gonçalves, do meu Conselho”, que morrera.[1]

Vários autores o referem como sendo um dos participantes no lendário episódio dos Doze de Inglaterra.[1] [12]

Foi cavaleiro da Ordem de Santiago.[11]

Casamento e Descendência

Do seu casamento com D. Filipa de Azevedo, filha de Lopo Dias de Azevedo (1363 – 1441[1]), 1.º senhor de S. João de Rei e de D. Joana Gomes da Silva, herdeira da honra e quintã de Silva, teve os seguintes filhos:

Referências


  1. a b c d e f Soveral, Manuel Abranches do. «Casa da Trofa - Lopo Dias de Azevedo e sua mulher D. Joana Gomes da Silva». Consultado em 15 de setembro de 2019 
  2. a b Freire, Anselmo Braamcamp (1921). Brasões da Sala de Sintra, Livro Terceiro. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra. p. XII, 277. Consultado em 15 de setembro de 2019 
  3. Gonçalo Peres Malafaia foi um dos fidalgos que D.João I armou cavaleiro, antes da batalha de Aljubarrota. Ver Felgueiras Gayo, Nobiliário das Famílias de Portugal, Tomo I, p. 9. Acessível aqui: http://purl.pt/12151/4/hg-40102-v/hg-40102-v_item4/index.html
  4. a b Cruz, Abel dos Santos (1995). A Nobreza portuguesa em Marrocos no século XV (1415 - 1464) (PDF). Porto: [s.n.] p. 53, 35. Consultado em 17 de setembro de 2019 
  5. Cardoso, Augusto-Pedro Lopes (dezembro de 2018). «O Bispo D. João de Azevedo, avô do Beato Inácio de Azevedo». Brotéria Cristianismo e Cultura, volume 187: 5 (787). Consultado em 15 de setembro de 2019 
  6. Zurara, Gomes Eanes de (1998). Crónica do Conde Dom Pedro de Meneses. Porto: [s.n.] 
  7. Santos, Ana Maria dos. «A Nobreza e a Expansão no Norte de África (o caso de Ceuta)» (PDF). Biblioteca digital da Faculdade de Letras da Universidade do Porto: 15 (138), 20 (143), 20 (143, n. 66). Consultado em 15 de setembro de 2019 
  8. a b Costa, António Carvalho da (1706). Corografia Portuguesa (PDF). Lisboa: Valentim da Costa Deslandes. p. 388, 388. Consultado em 15 de setembro de 2019 
  9. MONUMENTA H E N R I C I N A VOLUME IV (1431-1434) (PDF). Coimbra: Tipografia Atlântida. 1962. p. 86. Consultado em 11 de outubro de 2025. e Pero Gonçalluez, ueedor da fazenda delrrey, todos do conselho do dicto ssenhor rrey, e o doutor Gil Martijnz, seu chanceler moor, e Luis Gonçalluez, do conselho do jfante dom Joham 
  10. Salazar y Castro, Luis de (1685). Historia genealogica de la casa de Silva, II parte (em espanhol). Madrid: [s.n.] p. 105 
  11. a b c Lima, Douglas Mota Xavier de (2016). A diplomacia portuguesa no reinado de D. Afonso V (1448-1481). Niterói: Universidade Federal Fluminense. p. 199, 388, 387. Consultado em 29 de setembro de 2019 
  12. Álvarez-Cifuentes, Pedro (2016). «El Episodio De Los Doce De Inglaterra En La Literatura Barroca Ibérica: Textos E Intertextos/the Episode of the Twelve of England in Iberian Baroque Literature: Texts and Intertexts» (em espanhol): 48, 53. Consultado em 9 de julho de 2023 
  13. Joana Braga (20 de maio de 2013). «Extinção dos morgados e capelas». Consultado em 26 de abril de 2024. Testamento de D. Filipa de Azevedo, condessa de Atouguia, pelo qual instituiu o morgado de Vaqueiros. 1519-05-18. Portugal, Torre do Tombo, Morgados e capelas, Núcleo Antigo 212 
  14. «Testamento de D. Filipa de Azevedo, condessa de Atougia, pelo qual instituiu o morgado de Vaqueiros. Feito em 18 de maio de 1519 - Arquivo Nacional da Torre do Tombo - DigitArq». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 28 de setembro de 2024 
  15. Salazar y Castro, op. cit., p. 105: "D. Joana de Azevedo [era neta] de D. Joana Gomes da Silva (...), irmã de João Gomes da Silva, 2.º senhor da Casa de Vagos, por cuja linha tinham Afonso Teles e D. Joana de Azevedo parentesco no quarto grau"
  16. António de Mattos e Silva. «Anuário da Nobreza de Portugal - 2006 - III. Tomo III.». biblioteca-genealogica-lisboa.org. pp. 259–264. Consultado em 6 de maio de 2025. Malafaya Freire Teles de Almeida Mascarenhas, da casa de Serrazes, em São Pedro do Sul