Luís Adriano Alves de Lima Gordilho

Luiz Adriano Alves de Lima Gordilho
Nome completoLuiz Adriano Alves de Lima Gordilho
Outros nomesBarão de Itapuã
Nascimento
12 de agosto de 1830

Mapele / Bahia
Morte
18 de outubro de 1892 (62 anos)

Salvador / Bahia
NacionalidadeBrasileira
EducaçãoFaculdade de Medicina da Bahia Faculdade de Medicina de Paris
OcupaçãoMédico, Professor Catedrático

Luiz Adriano Alves de Lima Gordilho, Barão de Itapuã (Mapele/Bahia, 12 de agosto de 1830 - Salvador/Bahia, 18 de outubro de 1892), foi um médico brasileiro, professor da Faculdade de Medicina da Bahia. Conselheiro do Império, recebeu o título de Barão de Itapuã. Também foi condecorado com a Comenda Imperial da Ordem da Rosa.

Biografia

Luiz Adriano Alves de Lima Gordilho nasceu em 12 de agosto de 1830, em Mapele, distrito de Simões Filho, na região metropolitana de Salvador, na Bahia,[1]. A fazenda Santana, onde nasceu, era propriedade de seus pais, o Tenente-Coronel João Pedro Alves da Costa Gordilho e Adriana Sofia de Lima Gordilho. Foi o segundo de um total de nove filhos.

Cursou a Faculdade de Medicina da Bahia, a primeira do Brasil, e formou-se em 1851,[2] aos 21 anos, apresentando a tese "A Medicação Revulsiva".[3] Após sua graduação, seguiu para a França, onde realizou um curso de extensão na Faculdade de Medicina de Paris. De regresso ao Brasil, prestou concurso e foi aprovado para a cátedra de Cirurgia, em 1856 (26). A seguir, em 1862 (32), também por concurso, assumiu a cadeira de Anatomia Descritiva.[4][5] Em 1875 (45), tornou-se professor de Ginecologia e Obstetrícia, prestando grandes contribuições para o desenvolvimento da área, na Bahia, durante o Império.[6][7] O Barão de Itapoã teve excepcional importância na medicina e na sociedade de sua terra.[4]

Em 1868 (38), foi memorialista, ou seja, um professor responsável por redigir a memória histórica da Faculdade de Medicina, retratando as ocorrências mais importantes daquele ano, adicionando comentários que o autor julgasse pertinentes.[8]

Durante sua estadia em Paris, enamorou-se de uma jovem francesa, Marie Augustine Blénard Bouchène, trazendo-a para o Brasil, em novembro de 1857 (27), quando celebraram seu casamento na Igreja da Sé, em Salvador. O casal não teve filhos, mas criou um sobrinho dele, Manoel de Sá Gordilho, que também se formou em medicina. Tiveram ainda outros afilhados, a quem ensinaram a língua francesa e proporcionaram uma educação primorosa. O Dr. Juliano Moreira, por exemplo, foi o que mais se destacou.

Ficou viúvo em 1879, aos 49 anos. Em 1881 (51), casou-se com Margarida Conceição Moreira Bastos, natural da cidade do Porto, em Portugal.[2] Tiveram três filhos: José, Adriano e Maria Margarida. Os dois meninos faleceram ainda na infância — um deles por Febre Amarela, comum naquela época e sem tratamento eficaz — no momento da sua aposentadoria como professor da Faculdade de Medicina. De acordo com o historiador e médico, Dr. Brás do Amaral, na sua biografia sobre o Dr. Gordilho, este ficou muito deprimido com essas perdas familiares. Era uma época anterior à descoberta dos antidepressivos. Como consequência, veio a cometer suicídio, em 18 de outubro de 1892, aos 62 anos, causando grande consternação aos colegas médicos e aos pacientes, assim como a toda sociedade baiana.[1][4] Era um profissional muito respeitado e querido.

Títulos

Em 27 de março de 1872 (42), por decreto imperial de D. Pedro II, de quem Dr. Gordilho era amigo e conselheiro, recebeu o título de Barão de Itapoã — o segundo.[9] Foi o único professor da Faculdade de Medicina da Bahia a receber um título de nobreza.[8] O primeiro título de Barão de Itapuã, por sinal, foi dado a José Joaquim Nabuco de Araújo (1764-1844), um juiz e político português, que viveu na Bahia. Nesse sentido, os títulos de nobreza do império brasileiro não eram hereditários. Quando os portadores morriam, eles voltavam para a coroa.

Foi agraciado, também, com a Comenda Imperial da Ordem da Rosa, no grau de Comendador, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à humanidade, como médico e professor.

Comenda da Ordem da Rosa
Retrato portando a comenda da Ordem da Rosa, numa homenagem dos alunos
Placa em prata cravada na moldura da pintura a óleo (imagem anterior) ofertada pelos alunos de Anatomia Descritiva da Faculdade de Medicina da Bahia, em reconhecimento.

Legado

Dr. Gordilho exerceu forte influência na vida acadêmica de muitos estudantes de Medicina, tendo sido reconhecido através de agradecimentos em suas dissertações de mestrado e doutorado. Um desses alunos, Dr. Abdon Baptista, escreveu no frontispício de sua tese de doutoramento, em 1874, um agradecimento de destaque ao Barão de Itapoã,[10] e a sua esposa, a Baronesa. Tendo se transferido para Santa Catarina, depois da sua graduação, teve relevante atuação como médico, político e jornalista, deixando um importante legado naquele estado.

Também foi padrinho do médico psiquiatra Dr. Juliano Moreira, filho de Galdina do Amaral, cozinheira na sua residência — e ex-escrava, alforriada por ele — e do português Manoel Moreira Junior, um funcionário público. Aos 14 anos, Juliano Moreira ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, formando-se aos 19. Naquela época, era permitido o acesso precoce ao curso de medicina, o que não ocorre atualmente.

Sempre foi muito querido pelos seus alunos. Várias turmas lhe ofertaram presentes, como o seu retrato a óleo, portando a Comenda da Ordem da Rosa. E um cartão de prata com a mensagem da turma dos formandos daquele ano: “Ao Professor Barão de Itapoã, Digno Professor de Anatomia Descritiva. Seus discípulos reconhecidos. Bahia, 1872”.

Segue um pequeno trecho do seu discurso, ao paraninfar a turma dos formandos de 1886:

“A Humanidade, Senhores Doutorandos,

É uma das mais belas virtudes que ornam o coração da criatura,

Porque ela nos torna capazes dos mais nobres esforços,

E da mais generosa dedicação, em prol dos nossos semelhantes.”

Uma exortação válida para os médicos da atualidade.

"Prof. Barão de Itapoan" — Fotografia tirada na década de 1860 (40 anos)
Retrato portando a Ordem da Rosa, presente na Sala dos Lentes — Faculdade de Medicina da Bahia
Retrato como professor catedrático de Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Bahia.

Referências

  1. a b Gordilho, Osvaldo V. (1993). Duzentos Anos da Família Gordilho. Salvador: Edição do autor. pp. 101–119 
  2. a b Fonseca, Jorge Ricardo Almeida (2012). Depois que atravessaram o mar: FAMÍLIA CASTRO E GRUPOS AFINS (1568-1750-2011). Salvador: Edição do autor. p. 203. ISBN 978-85-914457-0-7 
  3. Gordilho, Adriano (1851). «Tese Inaugural de Adriano A. L. Gordilho - Doutor em Medicina». Google Docs. Consultado em 4 de janeiro de 2022 
  4. a b c Amaral, Braz (1917). «Traços biographicos do Professor Barão de Itapoan». Rio de Janeiro: Typ. Besnard Frères. FORMULARIO PRATICO: Brinde aos Assignantes do Brazil-Medico: iii-x 
  5. Fortuna, Cristina M. M. (1992). «Memória Histórica da Faculdade de Medicina da Bahia (1916 –1923, 1925–1941)» (PDF). Centro Editorial e Didático da Universidade Federal da Bahia. Consultado em 20 de outubro de 2021 
  6. Silva, Caroline S. (julho de 2011). «O cuidado com o corpo feminino nas páginas da Gazeta Médica da Bahia: prática da Ginecologia e Obstetrícia em Salvador no séc. XIX» (PDF). XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH. Consultado em 10 de dezembro de 2021 
  7. Martins, Ana Paula V. (2004). Visões do feminino: a medicina da mulher nos séculos XIX e XX. Rio de Janeiro: SciELO Books - Editora FIOCRUZ. p. 150. ISBN 978-85-7541-451-4. OCLC 1096996697 
  8. a b "Teixeira", "Rodolfo" (2001). «MEMÓRIA HISTÓRICA DA FACULDADE DE MEDICINA DO TERREIRO DE JESUS (1943-1995)» (PDF). "Editora da Universidade Federal da Bahia". Consultado em 20 de outubro de 2021 
  9. Vasconcellos, Smith de (1917). Archivo Nobiliarchico Brasileiro. Lausanne: La Concorde. p. 219 
  10. Baptista, Abdon (1874). «Tese de Abdon Baptista - Doutor em Medicina». Google Docs. Consultado em 29 de janeiro de 2022