Lopo Furtado de Mendonça

Lopo Furtado de Mendonça
Conde do Rio Grande
1.º Conde do Rio Grande
Reinado5 de março de 168920 de novembro de 1730
Antecessor(a)Título criado
Sucessor(a)Sem descendência
Dados pessoais
Nascimentofevereiro de 1661
Reino de Portugal
Morte20 de novembro de 1730 (69 anos)
Reino de Portugal
CônjugeD. Antónia Maria Francisca Josefa Barreto de Sá
ReligiãoCatolicismo romano

Lopo Furtado de Mendonça, 1.º Conde do Rio Grande (Reino de Portugal, fevereiro 166120 de novembro de 1730) foi um almirante português filho de Jorge Furtado de Mendonça e Brites de Lima e Távora. Em 5 de março de 1689, o Rei D. Pedro II nomeia-o Conde do Rio Grande, logo após o casamento com Antónia Maria Francisca Josefa Barreto de Sá.[1][2][3][4][5]

Biografia

Retrato de Lopo Furtado de Mendonça, por Domingos Vieira (1635)[nota 1]

Mendonça nasceu em fevereiro de 1661 e faleceu a 20 de novembro de 1730. Era filho de Jorge Furtado de Mendonça, mestre de campo no Algarve[3] e general da armada da Junta do Comércio, e de sua mulher, D. Brites de Lima e Távora.[1]

Foi criado Conde de Rio Grande, por Carta de 5 de março de 1689.[3]

Foi comendador de Loulé na Ordem de Santiago,[4] capitão da Guarda Real,[4] marechal de campo, conselheiro do Conselho de Guerra[4] e serviu em Mazagão[3] e durante a Guerra da Sucessão de Espanha, com o posto de mestre de campo dos Terços de Setúbal, Almada e Algarve.[3] Foi nomeado almirante em 1702.[3][7] Em 1704, combateu contra a Espanha, guerra na qual atingiu o posto de marechal de campo, apesar de já ser almirante.[4][7]

Em 1717, comandou a armada que D. João V enviou ao Mediterrâneo para combater os Turcos, a pedido do Papa Clemente XI, tendo-se tornado célebre pela vitória alcançada na Batalha de Matapão.[1][3][7]

A frota partiu de Lisboa e, após várias tentativas de localizar a frota otomana, decidiu regressar. Contudo, em abril de 1717 voltou a zarpar e, a 19 de julho desse ano, ao passar pelo Cabo Matapão, no sul do Peloponeso, a frota luso-papal-maltesa-veneziana, composta por 35 navios, encontrou a frota otomana, de 55 navios. Iniciada a batalha, cinco navios portugueses, Nossa Senhora do Pilar, Fortuna Guerreira, Santa Rosa, Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora da Assunção, avançaram contra os turcos, enquanto outros cinco navios (quatro portugueses e um veneziano) enfrentavam quinze navios inimigos.[2]

No regresso, foi nomeado comendador de Borba, na Ordem de Avis.[1] O Rei concedeu-lhe também o cargo de Contador-Mor do Reino.[5]

Casou com D. Antónia Maria Francisca Josefa Barreto de Sá,[3] nascida em 1735 e falecida a 20 de julho de 1759, filha e herdeira de Francisco Barreto de Meneses,[3] general das guerras da Restauração e do Brasil, e de sua primeira esposa, D. Maria Francisca de Sá e Lima, Dama da Rainha D. Luísa de Gusmão e filha do 2.º Conde de Penaguião.[1]

Além das filhas que teve, Lopo teve um filho, chamado José António Barreto Furtado de Mendonça e Meneses, capitão de cavalos da Província do Alentejo, que nasceu em 1688 e faleceu solteiro a 2 de agosto de 1707.[5]

Faleceu em Lisboa, a 20 de novembro de 1730, após alguns dias de enfermidade.[8] A Gazeta de Lisboa descreveu a sua carreira e as exéquias fúnebres:[8]

«...tendo servido esta Coroa durante cerca de sessenta anos, parte na Fortaleza de Mazagão, parte nas Esquadras da Costa, na expedição de Corfu e nas campanhas da última guerra. Foi sepultado na Igreja das Chagas de Cristo, na Capela dos Mareantes, onde toda a Nobreza da Corte assistiu às suas exéquias.»

Faleceu sem deixar descendência viva, que lhe sucedesse nas honras.[1]

Honras

Notas

  1. Até esta data, assumiu-se tratar-se do retrato de Lopo Furtado de Mendonça, Almirante e 1.º Conde do Rio Grande. Contudo, esta personagem viveu entre 1661 e 1730, muito depois da pintura original, que data de 1635. Trata-se, portanto, de um familiar ascendente com o mesmo nome (avô)[6]

Referências

  1. a b c d e f g Zuquete, Afonso Eduardo Martins (1961). Nobreza de Portugal. 3. Lisboa: Editorial Enciclopédia, Limitada. p. 226 
  2. a b Filha de Francisco Barreto de Meneses, governador geral do Brasil, e de D. Maria Francisca de Sá, filha de Francisco de Sá de Meneses, conde de Penaguião - Revista trimensal do Instituto Historico, Geographico e Ethnographico do Brazil, Volume 35, Parte 2, J.M.N. Garcia, 1872, pág. 74
  3. a b c d e f g h i Pinto, Albano da Silveira (1890). Resenha das famílias titulares e grandes de Portugal. 2. Lisboa: Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva. p. 428 
  4. a b c d e Cutileiro, Alberto (julho 1979). «Evolução histórica dos uniformes na Armada» (PDF). Revista da Armada (94): 254. Consultado em 8 de novembro de 2025 
  5. a b c «Condes do Rio Grande». Casa de S.A. o Sereníssimo Senhor D. Filipe, Conde do Rio Grande. Consultado em 8 de novembro de 2025 
  6. «Museu de Marinha – Inventário: MM.07490». Museu de Marinha. 14 de novembro de 2019. Consultado em 12 de novembro de 2022 
  7. a b c Frazão, Mário de Mendonça (novembro 1986). «Um quinhão para os Mendonças» (PDF). Revista da Armada (182). 375 páginas. Consultado em 8 de novembro de 2025 
  8. a b «No. 47». Gazeta de Lisboa. Lisbon. 23 de novembro 1730. p. 356. Consultado em 8 de novembro de 2025