Lobo da Beríngia

lobo-da-Beríngia
Dois modelos de lobos-da-Beríngia criados por paleoartistas.
Dois modelos de lobos-da-Beríngia criados por paleoartistas.
Estado de conservação
Pré-histórica
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Subordem: Caniformia
Família: Canidae
Género: Canis
Espécie: Canis lupus
Sinónimos

O lobo-da-Beríngia é uma população extinta de lobos (Canis lupus) que viveu durante a Era Glacial.

Distribuição

Ele habitou o que hoje corresponde ao Alasca, Yukon e ao norte da Colúmbia Britânica. Alguns desses lobos sobreviveram até o Holoceno. O lobo-da-Beríngia é um ecomorfo do lobo-cinzento e possivelmente o ancestral do lobo-do-Vale-Mackenzie (Canis lupus occidentalis), tendo sido estudado extensivamente por meio de diversas técnicas científicas que produziram novas informações sobre suas presas e comportamentos alimentares. Determinou-se que esses lobos eram morfologicamente distintos dos lobos norte-americanos modernos e geneticamente basais em relação à maioria deles. O lobo-da-Beríngia não recebeu uma classificação de subespécie, pois sua relação com o extinto lobo-das-cavernas europeu (Canis lupus spelaeus) ou com o canadense lobo-do-Vale-Mackenzie (Canis lupus occidentalis) ainda não é clara.

Mapa animado mostrando os níveis do mar da Beríngia, medidos em metros, de 21.000 anos atrás até o presente. A Beríngia já abrangeu o mar de Chukchi e o mar de Bering, unindo a Eurásia à América do Norte.

Descrição

O lobo-da-Beríngia era semelhante em tamanho ao lobo do interior do Alasca moderno (Canis lupus pambasileus) e a outros lobos-cinzentos do Pleistoceno tardio, porém era mais robusto e possuía mandíbulas e dentes mais fortes, um palato mais largo e dentes carniceiros proporcionalmente maiores. Em comparação ao lobo-da-Beríngia, o lobo-terrível (Aenocyon dirus), que ocorria mais ao sul, tinha tamanho semelhante, mas era mais pesado e apresentava crânio e dentição mais robustos. A adaptação particular do crânio e da dentição do lobo-da-Beríngia permitia-lhe produzir forças de mordida relativamente grandes, enfrentar grandes presas e, portanto, caçar e consumir a megafauna do Pleistoceno. O lobo-da-Beríngia caçava com mais frequência cavalos e bisontes-das-estepes além de caribus, mamutes e bois-almiscarados da floresta.

Extinção

No final da Era Glacial, com a perda das condições frias e secas e a extinção de grande parte de suas presas, o lobo-da-Beríngia também foi extinto. A extinção dessas presas é atribuída ao impacto das mudanças climáticas, à competição com outras espécies — incluindo os humanos — ou à combinação de ambos os fatores. Populações genéticas locais foram substituídas por outras da mesma espécie ou do mesmo gênero. Entre os lobos norte-americanos, apenas o ancestral do lobo-cinzento moderno sobreviveu. Restos mortais de lobos antigos com crânios e dentição semelhantes foram encontrados na Beríngia ocidental (nordeste da Sibéria). Em 2016, um estudo mostrou que alguns lobos que atualmente vivem em áreas remotas da China e da Mongólia compartilham um ancestral materno comum com um espécime de lobo-da-Beríngia oriental de 28.000 anos.

Taxonomia

A partir da década de 1930, representantes do Museu Americano de História Natural passaram a atuar em parceria com a Universidade do Alasca e a Fairbanks Exploration Company na coleta de espécimes obtidos por dragagem hidráulica de ouro nas proximidades de Fairbanks, no Alasca. Childs Frick, pesquisador associado em paleontologia do museu, trabalhou na região durante esse período. Em 1930, publicou um artigo listando “mamíferos extintos do Pleistoceno do Alasca-Yukon”, no qual incluiu um espécime que considerou pertencer a uma nova subespécie, denominada Aenocyon dirus alaskensis (“lobo-terrível do Alasca”). Na época, o Museu Americano de História Natural passou a referir-se ao táxon como representativo da fauna pleistocênica de Fairbanks.

Contudo, nenhum espécime-tipo, descrição formal ou localização precisa foi apresentada. Como lobos-terríveis não são conhecidos em regiões tão setentrionais, o nome foi posteriormente proposto como nomen nudum (inválido) pelo paleontólogo Ronald M. Nowak. Entre 1932 e 1953, vinte e oito crânios de lobos foram recuperados dos riachos Ester, Cripple, Engineer e Little Eldorado, situados ao norte e a oeste de Fairbanks. Estima-se que esses crânios tenham aproximadamente 10.000 anos.

O geólogo e paleontólogo Theodore Galusha, responsável por parte da organização das coleções de mamíferos fósseis reunidas por Frick no Museu Americano de História Natural, analisou os crânios ao longo de vários anos. Ele observou que, em comparação com lobos modernos, apresentavam um focinho proporcionalmente mais curto. O paleontólogo Stanley John Olsen deu continuidade aos estudos de Galusha e, em 1985, classificou os espécimes como Canis lupus (lobo-cinzento) com base em sua morfologia.

Descendentes

Em 2021, uma análise de dna de canídeos modernos e extintos semelhantes a lobos norte-americanos indicou que o lobo-da-Beríngia foi o ancestral do clado de lobos do sul, que inclui o lobo-mexicano, o lobo-do-Vale-Mackenzie e o lobo-das-grandes-planícies. O lobo-mexicano é o mais ancestral dos lobos-cinzentos que vivem na América do Norte atualmente. O coiote moderno apareceu há cerca de 10.000 anos. O clado de dna de coiote mais basal geneticamente é anterior ao Último Máximo Glacial e é um haplótipo que só pode ser encontrado no lobo-oriental. Isso implica que o grande coiote do Pleistoceno, semelhante a um lobo, foi o ancestral do lobo-oriental. Além disso, outro haplótipo antigo detectado no lobo-oriental pode ser encontrado somente no lobo-mexicano. O estudo propõe que a mistura do coiote do Pleistoceno e do lobo-da-Beríngia levou ao lobo-oriental muito antes da chegada do coiote moderno e do lobo moderno.[1]

Ver também

Referências