Literatura marginal

A literatura marginal, também conhecida como literatura periférica, é um movimento literário brasileiro que emergiu em duas fases distintas: primeiramente na década de 1970, associado à poesia marginal, e posteriormente nos anos 1990, quando foi retomado por autores das periferias urbanas. O termo marginal refere-se tanto à posição alternativa desses escritores em relação ao mercado editorial convencional quanto ao conteúdo que aborda realidades sociais marginalizadas.[1][2][3]

Histórico

Década de 1970: Poesia Marginal

Na década de 1970, durante o regime militar, surgiu a poesia marginal, caracterizada por sua produção independente e distribuição fora dos canais tradicionais.[4] Autores como Chacal, Ana Cristina Cesar e Cacaso utilizavam mimeógrafos para reproduzir seus trabalhos, evitando a censura e o circuito editorial dominante. Essa produção era marcada por uma linguagem coloquial e temas cotidianos, em oposição ao formalismo literário da época.[5][6]

Década de 1990: Renascimento Periférico

Nos anos 1990, o termo literatura marginal ressurgiu associado a autores das periferias urbanas, especialmente de São Paulo. Diferentemente da geração dos anos 1970, esses escritores traziam uma perspectiva mais engajada, retratando a vida nas favelas, a violência urbana, o racismo e a cultura hip-hop. Autores como Ferréz, Sérgio Vaz e Alessandro Buzo ganharam destaque, muitas vezes publicando de forma independente ou por meio de coletivos culturais.[7][8]

Características

A literatura marginal e periférica apresenta as seguintes características:

Autores e obras representativas

Alguns dos principais autores e obras do movimento incluem:

Impacto cultural

A literatura marginal exerceu influência significativa na cultura brasileira, contribuindo para a valorização de narrativas periféricas no cenário literário nacional, o fortalecimento de coletivos culturais, como a Cooperifa. [11]Além da inclusão de autores marginalizados em políticas públicas de leitura, como o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).[4]

Ver também

Referências

  1. Matos, Edmar Ferreira De (13 de maio de 2023). «A CONCEPÇÃO DA LITERATURA MARGINAL». Verbum (1): 241–243. ISSN 2316-3267. doi:10.23925/2316-3267.2023v12i1p241-243. Consultado em 28 de dezembro de 2023 
  2. Nascimento, Érica Peçanha do. (2006). Literatura marginal: os escritores da periferia entram em cena. Universidade de São Paulo (USP).
  3. Eble, Taís Aline; Lamar, Adolfo Ramos. (2015). A literatura marginal/periférica: cultura híbrida, contra-hegemônica e a identidade cultural periférica. Especiaria - Cadernos de Ciências Humanas. v. 16, n. 27, p. 193-212.
  4. a b Junior, Valdemar Valente (28 de dezembro de 2018). «Poesia marginal: rascunhos da cultura urbana moderna». Estação Literária: 135–147. ISSN 1983-1048. doi:10.5433/el.2018v22.e33952. Consultado em 27 de junho de 2025 
  5. Hollanda, Heloisa Buarque de (2004). Impressões de viagem: CPC, vanguarda e desbunde. [S.l.]: Editora Aeroplano 
  6. Candido, Antonio (1978). «Literatura e Subdesenvolvimento». Revista Argumentos 
  7. Ferréz (2005). Literatura Marginal: Talentos da Escrita Periférica. [S.l.]: Aeroplano 
  8. «A literatura marginal-periférica em debate». SciELO. Consultado em 20 de junho de 2024 
  9. Certeau, Michel de (2014). A Invenção do Cotidiano. [S.l.]: Vozes 
  10. Dalcastagnè, Regina (2012). Literatura Brasileira Contemporânea: Um Território Contestado. [S.l.]: Horizonte. pp. 87–112  (nova fonte acrescentada sobre o contexto contemporâneo)
  11. Pereira, Marina (1 de julho de 2023). «À LUZ DA PALAVRA | Entrevista com o criador do Sarau da Cooperifa, Sérgio Vaz». Sesc São Paulo. Consultado em 27 de junho de 2025