Literatura indígena

A Literatura indígena, também conhecida como Literatura ameríndia, compreende a produção literária dos povos ameríndios no período pré-colonial e posterior, em línguas indígenas ou em línguas estrangeiras - principalmente, mas não exclusivamente, em línguas europeias, como o castelhano, o português e o inglês. No período anterior à colonização, sua expressão se deu de forma predominantemente oral.[1]

A literatura elaborada pelos povos indígenas da América foi frequentemente abordada pela antropologia e pelo ponto de vista do folclore, enquanto que sua dimensão estética subestimada, raramente estudada em associação com a teoria literária.[2]

História

Período pré-colonial

A literatura ameríndia pré-colonial distingue-se em formas escritas e orais. Enquanto que a segunda encontra-se bem estabelecida em várias formas de transmissão e registros posteriores, a possibilidade de uma literatura pré-colonial escrita é discutida, dado a ausência de um sistema de escrita fonética nesse período. Porém, algumas pesquisadores adotam definições inclusivas de escritas, que compreendem inscrições visuais convencionais, que existiam na América pré-colonial sob formas de registros numéricos, hieroglíficos e mnemônicos.[3]

Em culturas mesoamericanas são encontrados uma diversidade de formas gráficas. Os náuatles, por exemplos, possuíam pictogramas, caracteres quase fonéticos e ideogramas. A escrita maia, por outro lado, é formada por glifos complexos, até hoje apenas parcialmente decifrados. Os códices mesoamericanos, quase que inteiramente destruidos durante a invasão espanhola, oferecem exemplos de ricos conjuntos de inscrições destinados a servir de guia em lições orais, contendo narrativas mitológicas e históricas que dividem-se entre a literatura e as artes visuais.[3]

Fase colonial

Nova Espanha (1535-1821)

No Vice-Reino da Nova Espanha (Virreynato da Nueva España) a literatura indígena era representada por diferentes tipos de escrita, a depender do período histórico e da localização geográfica no Vice-Reino.[4]

Um desses tipos são as escritas feitas pelos indígenas usando sua própria língua, mas com o alfabeto latino aprendido com os conquistadores, ou então usando a língua castelhana, como é possível ver no livro Popol Vuh (em português: "Livro da comunidade"), livro escrito no século XVI, entre 1554 e 1558, na versão clássica da língua maia quiché (K'iche'), contudo, usando o alfabeto latino. Trata-se de uma obra que utiliza uma prosa poética para narrar a cosmologia maia.[5]

Outros textos escritos no contexto cultural maia são os livros de Chilam Balam de Chumayel e o Chilam Balam de Maní, ambos escritos entre os séculos XVII e XIX na língua maia iucatecana (Maya t’aan), um idioma do tronco linguístico maia, porém, no alfabeto latino. Estes textos mesclam um estilo poético com um discurso religioso.[4]


Referências

  1. Thiél 2012, p. 32.
  2. Lacerda 2016, p. 13.
  3. a b Gómez Sánchez 2017, p. 3.
  4. a b Fernández Guillermo 2012, p. 478.
  5. Barisone 2013, p. 161.

Bibliografia

  • ALMIRÓN, ABRAHAM ERMITANIO HUAMÁN; LANDEO, ÁNGEL HÉCTOR GÓMEZ (2018). LITERATURA INDÍGENA AMAZÓNICA. [S.l.: s.n.] ISBN 978-612-00-3109-4 
  • Barisone, José Alberto (2013). «Problemas en el estudio de las literaturas indígenas». Zama. 5: 153-167 
  • Fernández Guillermo, Leonor (2012). «Mariana Masera y Enrique Flores, coord. Ensayos sobre literaturas y culturas de la Nueva España». Revista de Literaturas Populares. 9 (2). Consultado em 29 de dezembro de 2025 
  • Gómez Sánchez, Darío (2017). «Literaturas precolombinas: entre lo ancestral y lo colonial». Co-herencia 
  • Thiél, Janice Cristine (2012). Pele silenciosa, pele sonora: a literatura indígena em destaque. [S.l.]: Autêntica 
  • Husson, Jean-Philippe, ed. (2005). Entre tradición e innovación - Cinco Siglos de Literatura Amerindia. [S.l.: s.n.] ISBN 9972-42-714-5 
  • Herman, Matthew (2010). Politics and Aesthetics in Contemporary Native American Literature. [S.l.]: Routledge 
  • Lacerda, Gabriela Ismerim (2016). As metamorfoses em Poranduba amazonense (Tese). Expediente: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - USP 
  • Monani, Salma; Adamson, Joni, eds. (2017). Ecocriticism and Indigenous Studies - Conversations from Earth to Cosmos (em inglês). [S.l.]: Routledge 
  • Christie, Stuart (2009). Plural Sovereignties and Contemporary Indigenous Literature (em inglês). [S.l.]: palgrave macmillan 
  • BURDETTE, HANNAH (2019). REVEALING REBELLION IN ABIAYALA - The Insurgent Poetics of Contemporary Indigenous Literature (em inglês). [S.l.]: The University of Arizona Press