Lingua Tertii Imperii
LTI – Lingua Tertii Imperii: Notizbuch eines Philologen (1947) é um livro de Victor Klemperer, professor de Literatura na Universidade Técnica de Dresden.[1] O título, metade em latim e metade em alemão, traduz-se como "A Língua do Terceiro Reich: Caderno de um Filólogo"; o livro foi publicado em inglês com o título The Language of the Third Reich.[2]
Conteúdo
Lingua Tertii Imperii estuda a forma como a propaganda nazista alterou a língua alemã para incutir nas pessoas as ideias do nazismo. O livro foi escrito na forma de anotações pessoais que Klemperer fez em seu diário, especialmente a partir da ascensão do regime nazista em 1933, e ainda mais depois de 1935, quando Klemperer foi destituído de seu título acadêmico por ser de ascendência judaica. Seu diário se transformou em um caderno no qual ele anotava e comentava sobre a relatividade linguística do alemão usado por oficiais nazistas, cidadãos comuns e até mesmo por outros judeus. Klemperer escreveu o livro, baseado em suas anotações, entre 1945 e 1946.[3]
LTI demonstra mudanças na língua alemã na maior parte da população. Em contrapartida, o texto também enfatiza a ideia de que a resistência à opressão começa pelo questionamento do uso constante de chavões. Tanto o livro quanto seu autor sobreviveram inesperadamente à guerra. LTI foi publicado pela primeira vez em 1947 na Alemanha.
Destaca construções de palavras peculiares, destinadas a conferir um aspecto "científico" ou neutro a discursos que, de outra forma, seriam bastante complexos, bem como a comportamentos cotidianos significativos.
Exemplos
Klemperer observa que grande parte da linguagem nazista envolvia a apropriação de palavras antigas e a adaptação de seus significados, em vez da criação de novas.[4] Entre os exemplos que ele registrou do uso da linguagem propagandística, estão os seguintes:
Palavras recorrentes
- Artfremd ("alienígena");
- Ewig ("Eterno"). Exemplo: der ewige Jude (o Judeu errante); das ewige Deutschland (a Alemanha eterna);
- fanatisch, Fanatismus (Fanático / Fanatismo). Usado de uma forma particularmente orwelliana: fortemente conotado positivamente para o lado "bom" e fortemente conotado negativamente para o lado "mau";
- Instinkt (Instinto);
- spontan ("espontâneo").
Eufemismos (Schleierwörter)
- Evakuierung ("evacuação"): deportação;
- Holen ("coleta"): prisão;
- Konzentrationslager ("campo de concentração"): campo de extermínio;
- Krise ("crise"): derrota;
- Sonderbehandlung ("tratamento especial"): assassinato;
- Verschärfte Vernehmung ("interrogatório intensificado"): tortura.[5]
Expressões e motivos recorrentes
- A guerra "imposta" a um Führer amante da paz. (A França e o Reino Unido declararam guerra à Alemanha, mas somente depois que a Alemanha remilitarizou a Renânia, anexou a Áustria, anexou a Checoslováquia e invadiu a Polônia.)
- O "ódio incomensurável" dos judeus – um exemplo de ambiguidade orwelliana: os judeus têm um "ódio incomensurável" do Terceiro Reich (agressivo ou conspiratório), mas o povo alemão tem um "ódio incomensurável" dos judeus (espontâneo e legítimo).
Referências
- ↑ «LTI; Notizbuch eines Philologen.». Open Library (em inglês). Consultado em 24 de janeiro de 2026
- ↑ Ariso, José María (set.–dez. 2023). «What the Language of the Third Reich – as Described by Klemperer – Can Teach Us» (PDF). Aufklärung (em inglês). 10 (3): 21-36. doi:10.18012/arf.v10i3.66185
- ↑ Krajewski, Bruce (2002). «Rev. of Klemperer, The Language of the Third Reich». Modern Language Quarterly (em inglês). 63 (1): 133–36. doi:10.1215/00267929-63-1-133
- ↑ Wegner, Gregory Paul (2004). «Rev. of Klemperer, The Language of the Third Reich». Holocaust and Genocide Studies (em inglês). 18 (1): 106–108. doi:10.1093/hgs/dch042
- ↑ «"Verschärfte Vernehmung"». The Atlantic (em inglês). Maio de 2007
Fontes
- Victor Klemperer (maio de 2006). Language of the Third Reich: LTI — Lingua Tertii Imperii (em inglês). [S.l.]: Continuum Impacts. ISBN 978-0826491305
- Victor Klemperer (2010). Elke Fröhlich, ed. LTI — Lingua Tertii Imperii: Notizbuch eines Philologen (em alemão) 24th ed. Stuttgart: Reclam. ISBN 978-315-010743-0