Lindomar Rocha Mota

Lindomar Rocha Mota
Bispo da Igreja Católica
Bispo de São Luís de Montes Belos
Info/Prelado da Igreja Católica
Hierarquia
Papa Leão XIV
Arcebispo metropolita João Justino de Medeiros Silva
Atividade eclesiástica
Diocese Diocese de São Luís de Montes Belos
Nomeação 22 de janeiro de 2020
Entrada solene 16 de maio de 2020
Predecessor Carmelo Scampa
Mandato 2020 -
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 26 de julho de 1998
Igreja Santa Maria della Perseveranza, Roma
por Paulo Lopes de Faria[1]
Nomeação episcopal 22 de janeiro de 2020
Ordenação episcopal 14 de março de 2020
Basílica de São Geraldo, Curvelo
por Darci José Nicioli, C.Ss.R.[2]
Lema episcopal Gratia et Pax Multiplicetur
"Graça e paz abundantemente" 2 Pd 1,2
Brasão episcopal
Dados pessoais
Nascimento Arataca
20 de novembro de 1971 (54 anos)
Nacionalidade brasileiro
dados em catholic-hierarchy.org
Bispos
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Lindomar Rocha Mota (Arataca, 20 de novembro de 1971) é um bispo católico brasileiro. É o quarto bispo diocesano de São Luís de Montes Belos.[3]

Formação

Dom Lindomar Rocha Mota em 2020

Rocha Mota nasceu em 20 de novembro de 1971, em Arataca. Estudou Filosofia na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte, e Teologia no Ateneu Regina Apostolorum, em Roma. Em seguida, obteve o Mestrado em Espiritualidade pelo Pontifício Instituto Teresianum e o Mestrado e Doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana. Possui também um Pós-Doutorado em Democracia e Direitos Humanos pela Universidade de Coimbra, em Portugal.[4]

Sacerdócio

Em 26 de julho de 1998 foi ordenado sacerdote pela Arquidiocese de Diamantina, onde exerceu os seguintes cargos: Reitor do Seminário Menor (2000-2003); Chanceler da Cúria Metropolitana (2001); Vigário Paroquial da Catedral (2002-2003); Reitor do Seminário Maior (2003-2008); Diretor do Instituto de Filosofia e Teologia da Arquidiocese (2006-2010); Diretor Espiritual do Seminário Maior (2008-2010); Pároco de São José em São José da Lagoa (2008-2013); Vigário Forâneo da Forania de Curvelo (2015-2018); Vigário Paroquial de São Judas Tadeu em Curvelo (2015-2017). Além disso, foi Assessor da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e entre 2004-2020 foi Professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte.[4]

Até sua nomeação, era Pároco de Santo Antônio em Curvelo (desde 2018), Diretor da Faculdade Arquidiocesana de Curvelo (desde 2012) e Professor do Seminário Maior de Diamantina e da Pontifícia Universidade Católica de Belo Horizonte.[4]

Episcopado

Dom Lindomar Rocha
Roma 2025

Foi nomeado bispo para a Diocese de São Luís de Montes Belos, em 22 de janeiro de 2020.[4] Recebeu a ordenação episcopal na Basílica de São Geraldo em Curvelo, no dia 14 de março de 2020, sendo o ordenante principal Dom Darci José Nicioli, C.Ss.R., Arcebispo de Diamantina; os principais co-consagradores eram Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte, e Dom José Francisco Rezende Dias, Arcebispo de Niterói.[5]

Tomou posse daquela diocese dia 16 de maio daquele mesmo ano.[5]

No Regional Centro Oeste, Dom Lindomar foi o bispo referencial para os seminários e Diáconos permanentes. Atualmente é o Referencial para a comunicação. Na CNBB, é um dos bispos responsáveis por acompanhar o Colégio Pio Brasileiro em Roma.[6]

Teologia

A teologia de Dom Lindomar Rocha Mota pode ser lida como uma pedagogia de acesso, um caminho espiritual-intelectual para se chegar a Deus, sem abdicar da razão e sem reduzir o Mistério ao que a razão consegue capturar. O eixo é a relação fé e razão, mas não no sentido de um pacto de conveniência entre dois discursos paralelos. Para ele, a razão é chamada a reconhecer seus próprios limites diante do Infinito, e a fé, longe de ser fuga do pensamento, é o impulso que conduz o pensamento ao limiar do indizível. É nessa fronteira que se abre a via apofática (a “teologia negativa”). Uma confissão de que Deus não cabe nas categorias com que nomeamos os entes. No artigo “Deus sem ser: a mística como possibilidade teológica”, Dom Lindomar Rocha fundamenta essa via mostrando como a tradição mística preserva a transcendência divina ao recusar a domesticação conceitual de Deus. Ele critica a tentação de transformar Deus em objeto disponível ao pensamento e propõe a mística como possibilidade teológica real, não como ornamento devocional. Em vez de “posse” intelectual do divino, emerge uma teologia de desapropriação: para falar de Deus com verdade, é preciso reconhecer que toda palavra é penúltima. A negação apofática, então, não destrói o discurso; ela o purifica, para que ele não se torne idolatria da linguagem. É aqui que a linhagem de Lindomar encontra Pseudo-Dionísio, Areopagita, e se torna decisiva a ascensão a Deus pela via remotionis, um “desbastar” contínuo das imagens e predicações, até que a mente se renda à “nuvem” onde Deus não é apreendido, mas acolhido. Esse horizonte reaparece, em diferentes tonalidades, em Meister Eckhart (o desapego que liberta o espírito para Deus), em Nicolau de Cusa (a docta ignorantia, a “sabedoria” que sabe que não sabe), e ganha, em Dom Lindomar, uma atualização explícita pela interlocução com a crítica moderna à metafísica. Nesse ponto, Heidegger entra como provocação para ajudar a teologia a discernir o risco de uma “ontoteologia” que confunde Deus com o supremo ente e, assim, empobrece o Mistério. O que interessa não é batizar Heidegger, mas usar sua suspeita contra a redução do divino ao manejável, deslocando a reflexão da pergunta “o que é Deus?” para como nos dispormos ao Mistério sem objetificá-lo? Esse deslocamento é coerente com o centro do artigo: a mística como lugar onde o pensamento não é abolido, mas transfigurado em atenção, escuta, vigília, amor. Essa mesma intuição reaparece, em chave pastoral e evangélica, quando Dom Lindomar sustenta que a teologia não é uma reflexão sobre a vida, mas uma coisa da vida. No texto “A simplicidade do Evangelho”, ele descreve Jesus tocando a carne ferida do mundo, atravessando fronteiras sociais, acolhendo os impuros, comendo com os rejeitados; e, ao fazê-lo, sugere que o lugar originário do saber cristão não é o laboratório do conceito, mas o chão do encontro. (CNBB) A teologia, para ele, não é um comentário externo, é uma forma de viver e perceber. Uma inteligência espiritual que nasce do seguimento. Por isso, sua teologia não se satisfaz com “conhecer” Deus como conteúdo. Ela procura o acesso, o caminho, o gesto interior, a conversão do olhar. E esse é precisamente o ponto de contato com os místicos. Deus não é um “tema”, mas um Mistério que se dá na medida em que o sujeito é deslocado de si, do controle para a confiança, da explicação para a adoração, da curiosidade para a reverência. Unindo tudo, pode-se dizer que Dom Lindomar propõe uma teologia com três movimentos inseparáveis: 1. Fé e razão em diálogo real, onde a razão aprende humildade e a fé recusa o anti-intelectualismo; 2. Apofatismo como purificação do discurso: negar para não reduzir, calar para não mentir, dizer sabendo que o dito não encerra o Real; 3. Mística e Evangelho como lugar de verdade: não um “extra” piedoso, mas a própria condição de possibilidade de uma teologia que seja, de fato, coisa da vida. CNBB

Filosofia

Lindomar Rocha Mota parte da convicção de que o conhecimento humano é sempre mediado: não acessamos o real “em bruto”, mas por meio de estruturas do pensamento. Nesse ponto, ele ecoa Kant, com a ideia de categorias que moldam a experiência, também Aristóteles, para quem conhecer implica ordenar, distinguir, classificar, isto é, dar forma inteligível ao que se apresenta. Assim, a razão não é um espelho neutro, mas uma atividade que configura a compreensão do mundo.

Política

No campo político, ele se situa no horizonte do liberalismo das liberdades, em continuidade com Locke, Rousseau, Kant e Rawls. A liberdade aparece como bem maior, não como slogan, mas como princípio estruturante da vida pública. A justiça, nesse quadro, é pensada como equidade: não basta declarar direitos; é preciso corrigir desigualdades de base para que as liberdades sejam realmente exercíveis por todos. O foco é uma ordem social que proteja a pessoa e, ao mesmo tempo, torne viável a participação justa.

Direito

Sua concepção de direito é radicada na ética, com liberdade e autonomia como fundamentos centrais. A exigência moral se torna ainda mais grave quando se trata de agentes públicos, cuja responsabilidade é ampliada pelo impacto de seus atos sobre a coletividade. E há um lastro bíblico na compreensão da justiça: não apenas como equilíbrio formal, mas como fidelidade ao reto agir, defesa do vulnerável e compromisso com aquilo que é devido ao outro.

Publicações

Livros

  1. MOTA, L. R.; A simplicidade do Evangelho. Brasília: Edições Cnbb, 2024.
  2. MOTA, L. R.; Justiça e equidade: Princípios de um Estado bem-ordenado. Jundiaí: Paco Editorial, 2023.
  3. MOTA, L. R.; J.I Lopes . Crer e saber no criticismo de Kant: O sentido da religião moral e a expansão do conhecimento. 1. ed. Paracatú: CENBEC/FINOM, 2019.
  4. MOTA, L. R.; A tolerância como a primeira virtude da democracia. 1. ed. Curvelo: FacEditora, 2018.
  5. MOTA, L. R.; Madeira, D.C (Org.) ; Leite, J (Org.) ; José Boanerges Meira (Org.) ; Vilela, A (Org.) ; Costa, J.F (Org.) . Temas Contemporâneos de Direito - Brasil Portugal. 1. ed. Belo Horizonte: Arraes, 2013.
  6. MOTA, L. R.; José Carlo Aguiar de Souza (Org.) ; Pedro de Assis Ribeiro (Org.) . Religião e Cultura - Memórias e perspectivas. 1. ed. Belo Horizonte: Editora PUCMINAS, 2012.
  7. MOTA, L. R.; José Boanerges Meira (Org.) . Teoria do direito e conflitos jurídicos. Belo Horizonte: O Lutador, 2011.
  8. MOTA, L. R.; Dadeus Grings ; Walmor Oliveira de Azevedo ; Filippo Santoro ; Sérgio da Rocha ; Benedito Beni dos Santos ; João Justino de Medeiros . Sou católico - vivo a minha fé. 1a.. ed. Brasília: Edições CNBB, 2007.
  9. MOTA, L. R.; Relação entre juízo reflexivo e história em Kant. Roma: Gregoriana, 2003.
  10. MOTA, L. R.; A justiça como virtude política. In: Alexandra Vilela Inês; Fernandes Godinho; Jorge Leite; José Boanerges Meira. (Org.). As novas fronteiras do direito. 1ed.Porto: Edições Universitárias Lusófonas, 2018, v. , p. 13-28.
  11. MOTA, L. R.; A fundação racional e transcendental do direito kantiano. In: Mota, L.R; Vilela, A; Leite, J; Meira, J.B; Costa, J.F. (Org.). Temas contemporâneos de direito - Brasil Portugal. 1ed.Belo Horizonte: Arraes, 2013, v. 1, p. 121-138.
  12. MOTA, L. R.; A cultura e suas teias. In: Mota, Lindomar Rocha; Souza, José Carlos Aguiar de; Oliveira, Pedro A. Ribeiro de. (Org.). Religião e Cultura - Memórias e perspectivas. 1ed.Belo Horizonte: PUCMINAS, 2012, v. 1, p. 15-34.
  13. MOTA, L. R.; O estatuto epistemológico das ciências da religião. In: Schaper, V.G; Westheller, V; Oliveira KL; Gross, E. (Org.). Deuses e Ciência na América Latina. 1ed.São Leopoldo: OIKOS/EST, 2012, v. 1, p. 320-330.
  14. MOTA, L. R.; O direito e o problema da justiça: apontamentos de filosofia do direito. In: Lindomar Rocha Mota, José Boanerges Meira. (Org.). Teoria do Direito e Conflitos Jurídicos. Belo Horizonte: O lutador, 2011, v. 1, p. 14-30.
  15. MOTA, L. R.; A identidade da técnica e o controle do mundo. In: Pedro A. ribeiro de Oliveira e José Carlos Aguiar de Souza. (Org.). Consciência planetária e religião - desafios para o século XXI. 1ed.são Paulo - Belo Horizonte: Paulinas / PUC Minas, 2009, v. , p. 123-140.
  16. MOTA, L. R.; A crise contemporânea da teologia no Brasil. In: V.G. Schaper; K.L de Oliveira; I.A.Reblin. (Org.). A teologia contemporânea na América Latina e no Caribe. 1ed.São Leopoldo: OIKOS, EST, 2008, v. , p. 23-34.
  17. MOTA, L. R.; O juízo reflexivo e a fundação crítica da filosofia da história e da religião em Kant. In: SANTOS, A. C... (Org.). História, Pensamento e Ação. 1a.ed.São Cristovão: EDUFSE, 2006, v. , p. 279-290.

Referências

  1. «Pe. Lindomar Rocha Mota». Arquidiocese de Diamantina. 22 de janeiro de 2020. Consultado em 22 de janeiro de 2020 
  2. «Papa Francisco nomeia padre Lindomar Rocha Mota bispo da Diocese de São Luís de Montes Belos (GO)». Arquidiocese de Diamantina. 22 de janeiro de 2020. Consultado em 22 de janeiro de 2020 
  3. «Diocese of São Luís de Montes Belos» (em inglês). Consultado em 18 de março de 2020 
  4. a b c d «Rinunce e nomine». press.vatican.va. Consultado em 5 de outubro de 2025 
  5. a b «Bishop Lindomar Rocha Mota [Catholic-Hierarchy]». www.catholic-hierarchy.org. Consultado em 5 de outubro de 2025 
  6. «Bispo Diocesano». Diocese de São Luís de Montes Belos. 1 de maio de 2020. Consultado em 5 de outubro de 2025 

Ligações externas


Precedido por
Carmelo Scampa
Bispo de São Luís de Montes Belos
2020 - Atual
Sucedido por
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