Limite (filme)
Limite
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| Brasil 1931 • pb • 120 min | |
| Gênero | drama experimental |
| Direção | Mário Peixoto |
| Codireção | Ruy Costa Brutus Pedreira |
| Produção | Mário Peixoto |
| Roteiro | Mário Peixoto |
| Elenco | Iolanda Bernardes Edgar Brasil Olga Breno Brutus Pedreira Mário Peixoto Taciana Rey Carmen Santos Raul Schnoor |
| Cinematografia | Edgar Brasil |
| Edição | Mário Peixoto |
| Companhia produtora | Cinédia |
| Lançamento | 17 de maio de 1931 (Original) Maio de 2007 (Restauração, Festival de Cannes) |
| Idiomas | mudo português brasileiro (intertítulos) |
Limite é um filme mudo brasileiro de 1931, dirigido e roteirizado por Mário Peixoto, com produção da Cinédia.[1] O filme aborda a passagem do tempo e a condição humana. Limite gradativamente adquiriu o status de obra-prima do cinema nacional, principalmente devido ao teor inovador adotado por Peixoto na produção, além do valor histórico de ser um dos precursores do cinema brasileiro. Sendo considerado um dos primeiros filmes experimentais já realizados na América Latina, embora o termo ainda não estivesse em circulação na época[2]. Em novembro de 2015 o filme atingiu o 1º lugar na lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos organizada pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).[3]
Sinopse
Em um pequeno barco à deriva, duas mulheres e um homem relembram seu passado recente. Uma das mulheres escapou da prisão; a outra estava desesperada; e o homem tinha perdido sua amante. Cansados, eles param de remar e se conformam com a morte, relembrando (através de flashbacks) as situações de seu passado. Eles não têm mais força ou desejo de viver e atingiram o limite de suas existências.
Elenco
Creditados
- mulher 1... Olga Breno
- mulher 2... Taciana Rei
- homem 1... Raul Schnoor
- homem 2... D.G Pedrera
Não creditados
- mulher comendo fruta... Carmen Santos
- homem sentado no cemitério... Mário Peixoto
- homem dormindo... Edgar Brasil
- mulher na máquina de costura... Iolanda Bernardes
Produção
Adhemar Gonzaga, dono da Cinédia, foi inicialmente convidado para dirigir Limite, porém não aceitou, indicando Edgar Brasil para realizar e fotografar e Ruy Costa como assistente. As filmagens do longa foram realizadas no no município de Mangaratiba na Fazenda Santa Justina, pertencente a Victor de Souza Breves, parente de Peixoto, com as primeiras cenas sendo tomadas com uma máquina emprestada pela Phebo Brasil Film, de Humberto Mauro.[4]
A cena da fuga da prisão é mostrada em paralelo com uma inserção de The Adventurer, de Charles Chaplin, com o título “Carlitos encrencou a zona”, significando: Charlie estragou sua saída - onde a cabeça do condenado, com a tampa, surge justamente ao lado do guarda da prisão. A sequência é mostrada como um “filme-no-filme”, durante uma projeção em um cinema com um pianista proporcionando o acompanhamento para o filme mudo de Charles Chaplin.
Limite foi criado em um momento de transição do cinema mudo para o sonoro. Apresenta inovações em fotografia e montagem, além do fato de apresentar uma narração não linear. A partir do roteiro principal, o diretor questiona “a passagem do tempo e a condição humana”.[5]
Lançamento e legado
""Limite", que jamais foi exibido comercialmente" e é, talvez por isso, um filme mais comentado do que visto -, pode ser considerado como um dos filmes de avant-garde mais discutidos tanto no plano nacional quanto internacional."

Foi filmado em 1930 e apresentado pela primeira vez em 17 de maio de 1931, no Cinema Capitólio[4], localizado na Cinelândia, na cidade do Rio de Janeiro.
O filme foi lançado no Chaplin Clube, Rio de Janeiro, em 17 de outubro de 1931, para uma exibição especial em homenagem a Charlie Chaplin, que aparece brevemente no filme em uma inserção de O Aventureiro, de 1917.
Apesar de ter se tornado uma referência no cinema mundial, apresentou pouca repercussão no circuito cinematográfico da época e só voltou a ser exibido em alguns festivais, continuando, porém, a ser objeto de estudos e discussões.[5] Em 1959, quando o filme começou a apresentar sinais de deterioração, Plinio Süssekind e Saulo Pereira de Mello iniciaram o trabalho de restauração, mas o filme só voltou a ser exibido em 1978.
Em maio de 2007 uma nova restauração da obra, dessa vez financiada pela World Cinema Foundation, organização do cineasta norte-americano Martin Scorsese, em parceria com a Cinemateca Brasileira foi apresentada na seção "Clássicos" do Festival de Cannes daquele ano. A restauração foi relançada nos dias 5 e 6 de novembro de 2011, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Foi apresentado, então, com trilha sonora do norueguês Bugge Wesseltoft. Wesseltoft veio ao país para tocar ao vivo durante a primeira exibição no palco do Auditório Ibirapuera, sendo acompanhado por Naná Vasconcelos, Marlui Miranda, Rodolfo Stroeter e Ola Kvernberg.[5] A restauração também foi exibida na seção "Clássicos" do Festival de Cannes.
Sequências de Limite aparecem em O Cinema Falado, filme dirigido por Caetano Veloso, e na canção O Mocho e a Gatinha, da cantora e compositora Adriana Calcanhoto. Em 2007, para o High Line Festival, o cantor David Bowie escolheu Limite como um de seus dez filmes favoritos.
Referências
- ↑ «FILMOGRAFIA - LIMITE». bases.cinemateca.gov.br. Consultado em 23 de agosto de 2025
- ↑ «Cartografias das margens: estudos sobre a produção experimental dos cinemas argentino e brasileiro». scielo.br. Consultado em 23 de agosto de 2025
- ↑ André Dib (27 de novembro de 2015). «Abraccine organiza ranking dos 100 melhores filmes brasileiros». ABRACCINE. abraccine.org. Consultado em 23 de agosto de 2025
- ↑ a b c «Limite». Cinédia. 2019. Consultado em 23 de agosto de 2025
- ↑ a b c «Limite, de Mario Peixoto, 1931». auditorioibirapuera.com.br. Consultado em 23 de agosto de 2025
- ↑ COSTA, Luiz Henrique da Mário Peixoto, um autor sem lugar. ciencialit.letras.ufrj.br. Consultado em 23 de agosto de 2025
- ↑ «90 anos de Limite – MAM Rio». Consultado em 3 de novembro de 2025
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