Levantamento hidrográfico

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Um levantamento hidrográfico é o processo científico de medição e descrição das características físicas que afetam a navegação marítima, construção naval, dragagens, construção na água (rios, mar, lagos, etc.), atividades de exploração e perfuração de petróleo em alto mar, e intervenções afins. Tem especial incidência nas sondagens, no mapeamento das costas, nas marés, nas correntes, no fundo marinho e nos obstáculos emersos e submersos que se relacionam com as atividades anteriormente mencionadas. Por vezes é usado o termo hidrografia como sinónimo para descrever a cartografia marítima, que nas etapas finais do processo hidrográfico utiliza os dados originais recompilados através dos levantamentos hidrográficos em informação utilizável posteriormente.
A hidrografia rege-se pelas normas que variam dependendo da autoridade, como a Organização Hidrográfica Internacional.[1] Tradicionalmente realizados por navios com instrumentação própria, como linhas de sondagem ou ecossondas, usam-se cada vez mais aviões ou satélites artificiais, e sofisticados sistemas de sensores eletrônicos em águas pouco profundas.
De acordo com a Portaria DHN/DGN/MB nº 19, de 21 de Setembro de 2023, um levantamento hidrográfico é feito por meio da obtenção de dados batimétricos, geológicos, maregráficos, fluviométricos, topo-geodésicos, oceanográficos e geofísicos. Pode ser realizado em áreas marítimas, fluviais, lagos e em canais naturais ou artificiais.[2]
Processo
A topografia moderna depende tanto do software como do hardware. Em águas pouco profundas pode-se usar LIDAR. A equipa de levantamento pode instalar-se em embarcações insufláveis, como os Zodiacs, pequenas embarcações, AUV (veículos submarinos autónomos), UUVs (veículos subaquáticos não tripulados) ou grandes navios, e pode incluir equipamentos de varrimento lateral, feixe simples e multifeixe. Antes usavam-se diferentes métodos de recolha de dados e padrões para a essa recolha no que respeita à segurança marítima.
Levantamento hidrográfico no Brasil
O Brasil possui um grande histórico de execução de levantamentos hidro-oceanográficos. Um dos primeiros estudos de grande relevância ocorreu em 1857, com o primeiro levantamento hidrográfico de grande complexidade, realizado pela Marinha do Brasil e liderado pelo brasileiro Capitão de Fragata Manoel Antônio Vital de Oliveira, considerado o Patrono da Hidrografia Brasileira em virtude de sua dedicação e trabalho. O levantamento teve como objetivo mapear a região desde a foz do Rio Mossoró (RN) até a foz do Rio São Francisco. [3]
A partir do século XX, a pesquisa oceanográfica passou a receber mais apoio das instituições civis. Uma grande contribuição neste sentido foi proporcionada pelo Professor Wladimir Besnard (fundador do Instituto Oceanográfico da USP) com sua chegada ao Brasil, que durante a década de 1950 fundou um laboratório flutuante para observações no estuário. [3]
Referências
- ↑ Bureau Hidrográfico Internacional (2008). «Normas da OHI para Levantamentos Hidrográficos (S-44) - Publicação especial Nº 44» (PDF). Consultado em 2 de setembro de 2012
- ↑ «Converted from RTF to HTML». www.marinha.mil.br
- ↑ a b Noções de Oceanografia (PDF). [S.l.: s.n.] 2025. ISBN 978-65-995854-0-1
Ligações externas
- «Normas, conselhos e técnicas para levantamentos hidrográficos - Manual de Hidrografia do Instituto Hidrográfico (Marinha de Portugal)» 🔗 (PDF)
