Leone Ginzburg

Leone Ginzburg
Lev Fëdorovič Ginzburg
Dados pessoais
Nome completoLev Fëdorovič Ginzburg (Лев Фёдорович Гинзбург)
Nascimento4 de abril de 1909
Odessa, Império Russo
Morte5 de fevereiro de 1944 (34 anos)
Roma, Itália
Alma materLiceo Ginnasio Massimo d'Azeglio
EsposaNatalia Ginzburg (1938–)
PartidoPartito d'Azione
ProfissãoEscritor, editor, jornalista, professor

Leone Ginzburg (4 de abril de 1909 – 5 de fevereiro de 1944) foi um editor, escritor, jornalista e professor italiano, além de um importante ativista político antifascista e um herói do movimento de resistência. Ele era marido da renomada autora Natalia Ginzburg e pai do historiador Carlo Ginzburg.[1]

Biografia

Ginzburg nasceu em Odessa, no Império Russo, em uma família judaica. A Primeira Guerra Mundial começou enquanto a família estava de férias em Viareggio, Itália, e enquanto seu irmão e irmã mais velhos (então com 15 e 18 anos) viajaram com a mãe de volta para a Rússia, Leone permaneceu, com sua governanta, durante toda a guerra. Ele se reuniu com sua família quando sua mãe e irmãos fugiram para a Itália após a Revolução de Outubro na Rússia, evento esse que o moldou profundamente.[2][3]

Estudou no Liceo Ginnasio Massimo d'Azeglio em Torino. Esta escola moldou um grupo de intelectuais e ativistas políticos que lutariam contra o regime fascista de Benito Mussolini e, eventualmente, ajudariam a criar a Itália democrática do pós-guerra. Seus colegas incluíam intelectuais notáveis como Norberto Bobbio, Piero Gobetti, Cesare Pavese, Giulio Einaudi, Massimo Mila, Vittorio Foa, Giancarlo Pajetta e Felice Balbo. Durante sua estadia em Turim, ele contribuiu para Il Baretti, uma revista literária lançada por Piero Gobetti em 1924.

Natalia e Leone Ginzburg

No início da década de 30, Ginzburg lecionou Línguas Eslavas e Literatura Russa na Universidade de Turim e foi creditado por ajudar a apresentar autores russos ao público italiano. Em 1933, Ginzburg co-fundou, com Giulio Einaudi, a editora Einaudi . Perdeu o cargo de professor em 1934, por se recusar a fazer o juramento de fidelidade imposto pelo regime fascista.[4]

Perseguição e exílio interno

Logo depois disso, ele e outros 14 jovens judeus de Turim, incluindo o escritor Sion Segre Amar, foram presos por cumplicidade no chamado "Caso Ponte Tresa", em que eles estavam transportando literatura antifascista na fronteira com a Suíça, mas a sentença de Ginzburg foi leve. Ele foi preso novamente em 1935 por suas atividades como líder, com o pintor Carlo Levi, da filial italiana da Giustizia e Libertà, o Partido da Justiça e da Liberdade, que Carlo Rosselli fundou em Paris em 1929.

Em 1938, ele se casou com Natalia Ginzburg (nascida Levi). No mesmo ano, ele perdeu a cidadania italiana quando o regime fascista introduziu leis raciais anti-semitas. Em 1940, os Ginzburg receberam a punição fascista conhecida como confino, ou exílio interno, para a aldeia remota e de Pizzoli, nos Abruzos, onde permaneceram até 1943.

Placa na casa em Pizzoli onde os Ginzburg viveram o exílio interno no fascismo

De alguma forma, Leone conseguiu continuar seu trabalho como chefe da editora Einaudi durante todo o período. Em 1942, ele foi cofundador do clandestino Partito d'Azione, um partido de resistência democrática. Ele também editou o jornal L'Italia Libera.[2]

Captura e assassinato

Em 1943, após a invasão aliada da Sicília e a queda de Mussolini, Leone foi para Roma, deixando sua família nos Abruzos. Quando a Alemanha nazista invadiu em setembro, Natalia Ginzburg e seus três filhos fugiram de Pizzoli, simplesmente subindo em um caminhão alemão e dizendo ao motorista que eram refugiados de guerra que haviam perdido seus documentos. Eles se encontraram com Leone e se esconderam na capital.

Leone Ginzburg em foto de arquivo policial em 1934

Em 20 de novembro de 1943, Leone – que agora usava o nome falso Leonida Gianturco – foi preso pela polícia italiana em uma gráfica clandestina do jornal L'Italia Libera. Ele foi levado para a seção alemã da prisão de Regina Coeli onde o submeteram a severas torturas. Em 5 de fevereiro de 1944, ele morreu ali devido aos ferimentos sofridos; tinha 34 anos.[3]


Referências

  1. Mello, Beatriz (19 de dezembro de 2024). «Leone Ginzburg e a miséria e a glória do antifascismo». Quatro cinco um. Consultado em 11 de abril de 2025 
  2. a b Avalle, M. Clara (2002), Da Odessa a Torino: Conversazioni con Marussia Ginzburg (Collana Libertà E Giutizia), Claudiana Editrice, ISBN 8870164357, pp. 30–32.
  3. a b «Leone Ginzburg, a Forgotten Intellectual in the Fight Against Fascism». jacobin.com (em inglês). Consultado em 11 de abril de 2025 
  4. «O verdadeiro desobediente: a história do antifascista Leone Ginzburg». VEJA. Consultado em 11 de abril de 2025