Lekain

Lekain
Portrait anonyme de Le Kain.
Nascimento31 de março de 1729
Paris
Morte8 de fevereiro de 1778 (48 anos)
Paris
CidadaniaReino da França
CônjugeMlle Le Kain
Alma mater
Ocupaçãoator de teatro

Henri-Louis Caïn, conhecido como Lekain ou  Le Kain (Paris, 31 de março de 1729 — Paris, 8 de fevereiro de 1778) foi um ator francês, especializado em tragédias.

Biografia

Lekain começou, ao sair do Colégio Mazarino, a fazer comédias, em sociedade com outros jovens. Chamou a atenção de Voltaire, que o ouviu, adivinhou seu talento, deu-lhe conselhos e o fez aparecer no teatro da Duquesa do Maine em Sceaux. Em 1750, Voltaire consegue uma ordem de estréia[1][2] para o "Théâtre-Français". Devido à oposição dos atores causada por seu tamanho, seu andar pesado, seus traços vulgares e sua voz surda, Lekain só foi admitido em 24 de Fevereiro de 1752, depois de dezessete meses de espera e por decisão expressa do Rei.

Num trabalho persistente superou seus defeitos naturais : Lekain suavizou sua voz e conseguiu dar-lhe tanto acentos patéticos quanto disparos ferozes  ; enobreceu seus gestos e tornou sua fisionomia tão expressiva que, em momentos de paixão, chegava a produzir a ilusão de beleza. Foi um dos primeiros modelos da escola em que o ator escuta e acompanha com pantomima as palavras de seu interlocutor ; submeteu sua dicção às nuances variadas do pensamento e do texto ; interessou-se pelos figurinos e uniu-se a atriz la Clairon para modificá-los, dentro do que permitia os preconceitos de sua época.

Considerado um dos maiores intérpretes trágicos do Século XVIII, Lekain superou-se em "Orosmane" mas é também famosos por seus outros papéis : Tancredo, Maomé, Gengis, Zamora, Radamés, Nicodemos, Orestes, Nero e muitos outros. Em um dia em que se apresentou diante de Luís XV, o Rei proferiu a seguinte frase : "Este homem me faz chorar, a mim que não choro jamais". Tornando-se associado da Comédie-Française, desliga-se apenas um pouco antes de sua morte. Foi mestre de François-Joseph Talma.

Temos de Lekain suas "Memórias" (Paris, 1801, in-8°) onde este estende-se principalmente sobre o início de sua carreira teatral e seus primeiros contatos com Voltaire, que foram reimpressas, com "Reflexões" por Talma (Paris, 1825, in-8° ; nouv. édit., 1874, petit in-12).

Bibliografia (em francês)

Publicações
  • Memórias, publicadas por seu filho mais velho em 1801
  • F. Talma, Memórias de Lekain, precedidas de reflexões sobre este autor e sobre a arte teatral, 1825. Reedição: Genève, 1968.
  • « Os Primeiros Contatos de Voltaire e Lekain narrados por ele mesmo », Le Monde dramatique, 1838
  • « Cartas de Lekain a seus filhos (1772-1777) », Nouvelle Revue Rétrospective, 10 septembre 1897

Referências

  1. No teatro francês, a "estréia" (em francês "début") eram uma prova pela qual todo o novo ator, cantor ou dançarino de uma companhia devia passar. Hoje o termo significa apenas a primeira aparição em cena.
  2. Convocado para a "Comédie-Française", o "Opéra" ou o "Opéra-Comique" por um cavalheiro do gabinete do Rei, o ator recebia uma "ordem de estréia" que não podia recusar, sob pena de ser interditado de aparecer sobre qualquer palco da França. Normalmente o ator efetuava três estréias ao final das quais o público decidia sua sorte dentro da companhia. Com a aprovação da direção, ele podia então escolher o emprego e os papéis em que queria aparecer.
Fontes
  • Henri-Louis Caïn, Mémoires de Lekain, Éd. François-Joseph Talma, Paris, E. Ledoux, 1825
  • Gustave Vapereau, Dictionnaire universel des littératures, Paris, Hachette, 1876, p. 1220-1.

Notas

Ligações externas