Leipzig (cruzador)

Leipzig
Alemanha
Operador Reichsmarine (1931–1935)
Kriegsmarine (1935–1945)
Fabricante Reichsmarinewerft Wilhelmshaven
Homônimo Leipzig
Batimento de quilha 28 de abril de 1928
Lançamento 18 de outubro de 1929
Comissionamento 8 de outubro de 1931
Descomissionamento maio de 1945
Destino Deliberadamente afundado
em julho de 1946
Características gerais (como construído)
Tipo de navio Cruzador rápido
Classe Leipzig
Deslocamento 8 100 t (carregado)
Maquinário 2 turbinas a vapor
4 motores a diesel
6 caldeiras
Comprimento 177 m
Boca 16,3 m
Calado 5,69 m
Propulsão 3 hélices
Velocidade 32 nós (59 km/h)
Autonomia 3 900 milhas náuticas a 10 nós
(7 200 km a 19 km/h)
Armamento 9 canhões de 149 mm
2 canhões de 88 mm
12 tubos de torpedo de 500 mm
Blindagem Cinturão: 50 mm
Convés: 30 mm
Torre de comando: 100 mm
Aeronaves 2 hidroaviões
Tripulação 26 oficiais
508 marinheiros

O Leipzig foi um cruzador rápido operado pela Reichsmarine e Kriegsmarine e a primeira embarcação da Classe Leipzig, seguido pelo Nürnberg. Sua construção começou em abril de 1928 na Reichsmarinewerft Wilhelmshaven e foi lançado ao mar em outubro do ano seguinte, sendo comissionado na frota alemã em outubro de 1931. Era armado com uma bateria principal composta por nove canhões de 149 milímetros em três torres de artilharia triplas, tinha um deslocamento carregado de mais de oito mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 32 nós.

O Leipzig passou seus primeiros anos realizando exercícios de rotina e depois participou de patrulhas de não intervenção na Guerra Civil Espanhola. A Segunda Guerra Mundial começou em setembro de 1939 e o navio foi inicialmente usado na escolta de navios de guerra. Foi torpedeado por um submarino britânico em dezembro durante uma dessas operações e seriamente danificado. Passou por reparos na Alemanha até o final de 1940 e retornou ao serviço como um navio de treinamento. Ele proporcionou suporte para a Wehrmacht na invasão da União Soviética em 1941.

O cruzador operou brevemente na Noruega antes de retornar aos seus deveres como navio de treinamento. Ele colidiu com o cruzador pesado Prinz Eugen em outubro de 1944 enquanto navegavam sob neblina espessa. Seus danos foram considerados muito grandes para serem realisticamente reparados, assim foi apenas remendado para se manter flutuando. Mesmo assim ajudou na defesa de Gotenhafen em março de 1945 e fugiu para a Dinamarca em abril. O Leipzig foi usado como alojamento flutuante depois da guerra e então deliberadamente afundado em julho de 1946.

Características

Desenho do Leipzig

O Leipzig tinha 177 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 16,3 metros e um calado máximo de 5,69 metros. Seu deslocamento carregado era de 8,1 mil toneladas.[1][2] Seu sistema de propulsão tinha três hélices giradas por duas turbinas a vapor e quatro motores a diesel. O vapor para as turbinas vinha de seis caldeiras a óleo combustível. Este sistema proporcionava uma velocidade máxima de 32 nós (59 quilômetros por hora) e alcance de aproximadamente 3,9 mil milhas náuticas (7,2 mil quilômetros) a dez nós (dezenove quilômetros por hora). Sua tripulação era formada por 26 oficiais e 508 marinheiros.[2]

O armamento principal consistia em nove canhões de 149 milímetros montados em três torres de artilharia triplas, uma na proa à vante e as outras duas sobrepostas na popa.[3] Seu armamento antiaéreo era de apenas dois canhões calibre 45 de 88 milímetros em montagens individuais.[4] Também foi equipado com doze tubos de torpedo de quinhentos milímetros montados em quatro lançadores triplos à meia-nau, dois de cada lado. Também podia carregar até 120 minas navais. Seu cinturão principal de blindagem tinha cinquenta milímetros de espessura, enquanto o convés blindado tinha trinta milímetros à meia-nau. A torre de comando era protegida por paredes de cem milímetros.[3]

Carreira

Tempos de paz

O Leipzig em 1936

O batimento de quilha do Leipzig ocorreu em 28 de abril de 1928 na Reichsmarinewerft Wilhelmshaven e foi lançado ao mar em 18 de abril de 1929, sendo comissionado na Reichsmarine em 8 de outubro de 1931.[1] Realizou vários treinamentos no Mar Báltico entre 1932 e 1933, também fazendo várias viagens diplomáticas internacionais. Ele e o cruzador rápido Königsberg fizeram em 1934 a primeira viagem diplomática para o Reino Unido desde o final da Primeira Guerra Mundial. No final do ano foi para uma doca seca passar por modificações. Uma catapulta de aeronaves foi instalada à ré da superestrutura e um guindaste para manejar hidroaviões substituiu um dos guindastes de botes.[5] Seus tubos de torpedo de quinhentos milímetros foram substituídos por tubos de 533 milímetros. Um posto estabilizado de controle de disparo SL-1 para as armas antiaéreas foi adicionado, bem como mais dois canhões antiaéreos em montagens individuais.[6] O Leipzig se tornou o primeiro navio da Kriegsmarine a receber controle de disparo antiaéreo.[7] Estas modificações ocorreram em Kiel. Se juntou ao couraçado pré-dreadnought Schlesien, ao cruzador pesado Deutschland e ao cruzador rápido Köln no início de 1935 para exercícios de frota.[5]

O ditador Adolf Hitler visitou o cruzador no final de 1935 durante manobras de treinamento com o resto da frota. O Leipzig se juntou ao seu irmão Nürnberg e ao Köln no início do ano seguinte para exercícios no Oceano Atlântico.[8] Seus canhões antiaéreos obsoletos foram substituídos em fevereiro de 1936 por seis novos modelos do canhão de 88 milímetros montados em três montagens duplas.[9] Participou entre agosto de 1936 e junho de 1937 de patrulhas de não intervenção perto da Espanha durante a Guerra Civil Espanhola.[10] Foi supostamente atacado em junho de 1937 por torpedos, o que fez a Alemanha e a Itália pararem de fazerem essas patrulhas.[8] O navio voltou para casa e foi para o Báltico realizar treinamentos, que duraram até 1938. Participou em março de 1939 da anexação do Território de Memel, que a Alemanha tinha exigido da Lituânia. No mês seguinte juntou-se ao couraçado Gneisenau, ao Deutschland e vários contratorpedeiros e submarinos para grandes exercícios no Atlântico. Mais manobras ocorreram alguns meses depois.[10]

Segunda Guerra

Primeiros anos

O Leipzig no começo de 1939

A Segunda Guerra Mundial começou em setembro de 1939 e o Leipzig foi designado para a força de bloqueio encarregada de impedir a fuga de navios poloneses no Báltico, porém fracassou nessa tarefa. Foi então para o Mar do Norte junto com outros cruzadores rápidos alemães para a criação de vários campos minados defensivos. Esta operação terminou no final do mês, com o navio retornando ao Báltico para realizar manobras de treinamento.[10] A embarcação deu cobertura para a criação de campos minados no Mar do Norte entre 17 e 19 de novembro. O Leipzig juntou-se ao Deutschland, ao Köln e três barcos torpedeiros entre os dias 21 e 22 para procurar navios mercantes Aliados no Skagerrak, porém não conseguiram encontrar navio algum. O cruzador em seguida escoltou os couraçados Gneisenau e Scharnhorst pelo Skagerrak, também dando cobertura para o retorno dos dois em 27 de novembro.[11]

O Leipzig foi encarregado em 13 de dezembro de escoltar uma flotilha de contratorpedeiros e outras embarcações menores pelo Skagerrak para criarem um campo minado. Os alemães foram atacados no caminho pelo submarino britânico HMS Salmon, com o Leipzig sendo atingido por um torpedo às 11h25min. O acerto ocorreu abaixo da linha de flutuação no local onde uma antepara separava duas das três salas de caldeiras. A explosão entortou o convés blindado e danificou a quilha, com aproximadamente 1,7 mil toneladas de água inundando o navio. Os danos também cortaram a energia elétrica do sistema de bombeamento de água. Duas salas de caldeiras foram inundadas e o encanamento de vapor foi danificado, fazendo com que a turbina de bombordo parasse de funcionar. O Nürnberg também foi torpedeado quase ao mesmo tempo. Dois contratorpedeiros chegaram para escoltar os cruzadores para o porto, porém um dos contratorpedeiros também foi torpedeado perto da foz do rio Elba por volta de uma hora depois do ataque aos cruzadores. Um outro torpedo quase atingiu o Leipzig, porém passou à vante.[12]

No dia seguinte, enquanto os navios arrastavam-se de volta para a Alemanha, eles foram atacados pela Força Aérea Real.[13] Aproximadamente vinte bombardeiros Vickers Wellington do Esquadrão Nº 99 foram interceptados por caças do II Grupo do Esquadrão de Caças 77 perto de Spiekeroog e Wangerooge. Os bombardeiros não conseguiram acertar os cruzadores e os pilotos alemães reivindicaram terem abatido sete, possivelmente oito, bombardeiros. Os registros britânicos afirmam que seis aviões foram perdidos no ataque.[14][15] Os alemães conseguiram chegar em Kiel e o Leipzig foi passar por reparos na Deutsche Werft. Foi descomissionado durante os reparos e reclassificado como navio-escola. Quatro caldeiras foram removidas para acomodar tripulações em treinamento adicionais. O navio voltou ao serviço no final de 1940.[16]

Resto de serviço

Dois lançadores de torpedos triplos foram removidos em março de 1941 e instalados no Gneisenau. A catapulta de aeronaves também foi removida, porém o guindaste foi mantido.[17] Escoltou o cruzador pesado Lützow (o antigo Deutschland) no início de julho para a Noruega. Voltou para o Báltico e proporcionou suporte de artilharia junto com o cruzador rápido Emden para tropas em terra durante a invasão da União Soviética.[18] Em setembro deu suporte para a invasão de ilhas do Arquipélago Moonsund. Bombardeou posições soviéticas em Moon e foi atacado pelo submarino Shch-317, porém não foi atingido. Juntou-se no final de setembro à Frota do Báltico, que era centrada no couraçado Tirpitz; os navios foram encarregados de bloquear uma possível tentativa soviética de sair do Báltico.[19] Retornou para Kiel em outubro e realizou manobras junto com o cruzador pesado Admiral Scheer. O Leipzig se tornou em 1942 a capitânia da frota de treinamento e passou o restante do ano desempenhando funções de treinamento.[18]

O Leipzig ancorado em Gotenhafen em março de 1945 e proporcionando suporte de artilharia para tropas alemãs

O cruzador foi descomissionado em março de 1943, porém recomissionado em 1º de agosto. Entretanto, os trabalhos de manutenção adiaram bastante seu retorno para uma condição operacional. Além disso, um surto de meningite matou dois tripulantes e causou mais atrasos. O Leipzig retornou ao serviço em meados de setembro de 1944. Sua primeira operação foi escoltar comboios de tropas entre Gotenhafen e Swinemünde junto com o Admiral Scheer. Deixou Gotenhafen em direção de Swinemünde em 14 de outubro para embarcar minas navais, mas colidiu com o cruzador pesado Prinz Eugen no meio de uma neblina espessa. O Leipzig no momento estava trocando de seus motores a diesel para suas turbinas, um processo que envolvia primeiro desconectar os motores a diesel das hélices e então conectar as turbinas. Isto deixou o navio temporariamente sem propulsão, fazendo-o ficar à deriva e entrar no caminho do Prinz Eugen, que estava seguindo no sentido oposto. O Prinz Eugen acertou o Leipzig à bombordo, à vante da chaminé, quase cortando-o ao meio – a ponta da proa do Prinz Eugen chegou a ultrapassar o lado estibordo do Leipzig. A colisão destruiu uma sala de máquinas, inundou outra e matou ou feriu 39 tripulantes. As embarcações permaneceram presas por mais de um dia, com o Leipzig então rebocado para Gotenhafen. Os danos foram tão sérios que reparos foram considerados irrealistas, especialmente considerando a situação militar alemã no final de 1944. Os únicos reparos que foram feitos foi para mantê-lo flutuando no porto.[20][21]

O Leipzig deu suporte de artilharia para forças terrestres alemãs em março de 1945 enquanto o Exército Vermelho avançava contra Gotenhafen. Foi para Hela em 24 de março repleto de refugiados; era capaz de navegar a apenas seis nós (onze quilômetros por hora). Foi atacado várias vezes por aeronaves soviéticas e duas vezes por submarinos Aliados. Conseguiu chegar na Dinamarca em 29 de abril e a guerra terminou no mês seguinte. Estava em péssimas condições e foi usado como alojamento flutuante para a Administração Alemã de Varredura de Minas, encarregada de limpar campos minados. O navio acabou rebocado para o mar e deliberadamente afundado em julho de 1946.[22]

Referências

  1. a b Sieche 1992, p. 231.
  2. a b Gröner 1990, p. 122.
  3. a b Gröner 1990, pp. 120, 122.
  4. Breyer 1994, p. 9.
  5. a b Williamson 2003, pp. 35–36.
  6. Breyer 1994, pp. 9–10.
  7. Schmalenbach 1993, p. 116.
  8. a b Otte & Pagedas 1997, p. 144.
  9. Breyer 1994, pp. 9, 29.
  10. a b c Williamson 2003, p. 36.
  11. Rohwer 2005, p. 9.
  12. Williamson 2003, pp. 36–37.
  13. Prien 1992, p. 118.
  14. Weal 1996, p. 12.
  15. Prien 1992, p. 121.
  16. Williamson 2003, p. 37.
  17. Breyer 1994, p. 29.
  18. a b Williamson 2003, p. 38.
  19. Rohwer 2005, pp. 99, 102–103.
  20. Busch 1975, pp. 195–199.
  21. Williamson 2003, pp. 38–39.
  22. Williamson 2003, p. 39.

Bibliografia

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  • Busch, Fritz-Otto (1975). Prinz Eugen. Londres: Futura Publications. ISBN 978-0-86007-233-1 
  • Gröner, Erich (1990). German Warships: 1815–1945. Vol. I: Major Surface Vessels. Annapolis: Institute Press. ISBN 978-0-87021-790-6 
  • Otte, Thomas G.; Pagedas, Constantine A. (1997). Personalities, War and Diplomacy: Essays in International History. Londres: F. Cass. ISBN 978-0-7146-4818-7 
  • Prien, Jochen (1992). Geschichte des Jagdgeschwaders 77. Vol. 1: 1934–1941. Eutin: Struve-Druck. ISBN 978-3-923457-19-9 
  • Rohwer, Jürgen (2005). Chronology of the War at Sea, 1939–1945: The Naval History of World War Two 3ª ed. Annapolis: Naval Institute Press. ISBN 978-1-59114-119-8 
  • Schmalenbach, Paul (1993). Die Geschichte der deutschen Schiffsartillerie 3ª ed. Herford: Koehler. ISBN 978-3-7822-0577-1 
  • Sieche, Erwin (1992). «Germany». In: Gardiner, Robert; Chesneau, Roger (eds.). Conway's All the World's Fighting Ships, 1922–1946. Londres: Conway Maritime Press. ISBN 978-0-85177-146-5 
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Ligações externas