Leão Ramos Ascensão

Leão Ramos Ascensão (Loulé, 11 de Abril de 1903 - Lisboa, 3 de Março de 1980) foi um historiador, escritor e destacado militante contrarrevolucionário monárquico português, ligado ao Integralismo Lusitano, defendendo o reforço da tradição e combatendo a "decadência portuguesa".

Segundo o testemunho de António Seabra (O Meu Tempo, Lisboa. 1989, p. 208), Ramos Ascensão, entre os integralistas da 2.ª geração, "era o mais velho, profundamente religioso, profundamente monárquico, tradicionalista rígido e austero, sempre preocupado em expurgar o grupo de influências fascistas"; acrescenta José Centeno Castanho "impressionava os mais novos com um estilo empreendedor e combativo"; e refere Fernando Amado que "era uma personalidade riquíssima, preocupado com o pensamento e a doutrinação política, mas também por todas as manifestações artísticas, particularmente o teatro, e ainda pelo atletismo."[1]

Biografia

Fez os estudos liceais em Faro, e já durante essa altura, tendo terminado a então sétima classe no ano lectivo de 1922-23, colabora em vários periódicos, nomeadamente com o O Grito dos Novos, de que foi diretor ao lado de Francisco de Sousa Inês e o Alma Académica designado como o jornal do Liceu de Faro. ​ No Notícias do Algarve, propriedade do Núcleo Regional de Faro das Juventudes Monárquicas Conservadoras, Ascensão teve colaboração de Julho a Setembro de 1923 quando era presidente da Academia do Liceu de Faro.

Nesse mesmo ano ingressa na Universidade de Coimbra.

Assinante e divulgador da revista Nação Portuguesa, desde 1925 (3.ª Série, nº 7-8, 1925), em 1926 era secretário da Junta Escolar de Coimbra do Integralismo Lusitano e colaborador na revista Ordem Nova, onde criticou a economia liberal e a economia socialista, defendendo uma economia nova, inspirando-se em L'Économie nouvelle, de Georges Valois.

Em 1928, era Presidente da Junta Escolar de Coimbra do Integralismo Lusitano, dirigindo a Vanguarda, órgão da Junta Escolar de Coimbra, tendo como redator principal António Abrantes Tavares e Fernando Correia Santos como editor. Em Abril, está em polémica com o presidente da Academia Republicana, Vitorino Nemésio.

Concluiu o curso de Direito em Maio de 1928 e, no início de 1929, parte para Angola onde irá dirigir os Serviços de Administração Civil. Só voltará a Portugal em 1940, mas manterá contacto com os mestres do IL, publicando em revistas como Política - Órgão da Junta Escolar de Lisboa do Integralismo Lusitano (1929-1931) ou Integralismo Lusitano - Estudos Portugueses (1932-1934).

De retorno a Portugal, assumiu um papel destacado nas atividades dos jovens integralistas, vindo a fundar o Grupo de Ação Monárquica Autónoma (GAMA) - "Autónomo" da Causa Monárquica - com José Centeno Castanho, Fernando Amado, Francisco de Sousa Botelho de Albuquerque (3º conde de Mangualde), José Augusto de Macedo de Campos e Sousa e Artur Eugénio Gouveia de Carvalho.

O GAMA lançou o Aléo. Boletim Quinzenal de Edições Gama (21 de Outubro de 1941, sob a direção do referido Fernando Amado) e as Edições Gama (3 de Janeiro de 1942), juntando ainda personalidades como Fernando Henrique de Aguiar e António Queiroz de Vasconcelos e Lencastre.

Leão Ramos Ascensão veio a assumir a direção interina do Aléo em 1946; e de diretor do ano seguinte até 1947.

No âmbito da Acção Católica Portuguesa, foi presidente da Liga Católica e do Conselho Superior das Conferências de São Vicente de Paulo.

​Fez parte do conselho privado do Duque de Bragança, D. Duarte Nuno de Bragança.

​Foi agraciado com a comenda da Ordem do Infante D. Henrique.

Obra

  • "O Integralismo Lusitano", Edições Gama, 1943[2].

Referências

Ligações externas