Lawrence Pazder

Lawrence Pazder
Nascimento
Morte
5 de março de 2004 (67 anos)

Nacionalidadecanadiane
Ocupaçãopsiquiatra
escritor
Principais trabalhosMichelle Remembers

Lawrence Pazder (Edmonton, 30 de abril de 1936 – Vitória, 5 de março de 2004) foi um psiquiatra e escritor canadense. Em 1980, ele publicou, junto com sua paciente e eventual esposa Michelle Smith, o livro Michelle Remembers, uma obra posteriormente desacreditada que alegava revelar casos de abusos ritualísticos satânicos.

Antecedentes

Lawrence Pazder nasceu em Edmonton, Alberta, em 30 de abril de 1936.[1] Formou-se em medicina pela Universidade de Alberta em 1961[2] e, no ano seguinte, especializou-se em medicina tropical na Universidade de Liverpool.[3] Entre 1962 e 1964, exerceu a medicina na Nigéria,[4] retornando ao Canadá para concluir sua formação em psiquiatria na Universidade McGill, em 1968.[2] Durante a carreira, trabalhou em dois hospitais de Vitória, Colúmbia Britânica,[3] além de manter um consultório particular, onde atendeu pacientes até falecer subitamente por insuficiência cardíaca, em 5 março de 2004.[5]

Católico devoto, Pazder fundou a Sociedade dos Companheiros Anawim em Vitória,[3] proporcionando um espaço de acolhimento diurno para pessoas em situação de vulnerabilidade.[1] Ele também demonstrava interesse por religiões e cerimônias africanas.[6]

Pazder e sua primeira esposa, Marylyn, tiveram quatro filhos e permaneceram casados por muitos anos. O casamento terminou após ele se envolver com sua paciente Michelle Smith. Registros judiciais do processo de divórcio indicaram que, entre março de 1977 e junho de 1979, Pazder esteve ausente por longos períodos com Smith, coautora do livro Michelle Remembers.[3] Em 1979, após uma tentativa frustrada de anulação, divorciou-se de Marylyn[3] e, posteriormente, casou-se com Smith.[7]

Michelle Remembers

Em 1973, Pazder começou a tratar Michelle Smith, uma mulher que procurava ajuda em seu consultório privado em Vitória.[8] Três anos depois, durante o tratamento de Smith por uma depressão relacionada a um aborto espontâneo, ela revelou que sentia que havia algo importante para contar, mas não conseguia lembrar o que era.[9] Em uma sessão subsequente, Smith, supostamente sob hipnose, teria gritado por 25 minutos antes de começar a falar com a voz de uma criança de cinco anos.[10] A partir daí, Pazder iniciou um processo de recuperação de memórias de alegados abusos ritualísticos satânicos, que Smith afirmou ter sofrido entre 1954 e 1955, quando tinha apenas cinco anos. Segundo ela, os abusos teriam sido praticados por sua mãe, Virginia Proby, e outros membros de um culto satânico em Vitória.[11]

Convencido de que estava desvendando uma vasta conspiração satânica, Pazder dedicou-se intensamente ao tratamento de Smith, que se estendeu por 14 meses. Acreditando no real perigo dos cultos satânicos, Pazder e Smith viajaram ao Vaticano em 1978 para alertar a Igreja Católica sobre os riscos, até então desconhecidos, que esses cultos representavam para as crianças ao redor do mundo.[9] Em 1980, Pazder e Smith coautoraram Michelle Remembers, um livro que relatava as sessões terapêuticas e as memórias recuperadas, baseadas em métodos desacreditados pela comunidade científica. O livro foi o primeiro a relatar, publicamente, a experiência de uma sobrevivente de abuso ritualístico satânico, alcançando grande sucesso. Em consequência, Pazder e Smith receberam adiantamentos substanciais pelos direitos de publicação.[12]

Após a publicação, Pazder passou a ser reconhecido como um especialista no tema.[13] Com o crescente número de alegações de abusos ritualísticos satânicos na década de 1980, provavelmente impulsionadas pelo sucesso de Michelle Remembers, ele começou a ser solicitado para consultas em vários casos. Em 1984, atuou como consultor no julgamento McMartin,[14] e, no ano seguinte, foi destaque em uma reportagem da série 20/20, da ABC, intitulada "The Devil Worshippers", sobre satanismo.[15] Pazder também participou do primeiro seminário nacional para policiais, em 1986, e foi ativo na Cult Crime Impact Network (CCIN), onde palestrou para agências policiais durante o final da década de 1980.[3] Em 1987, ele relatou dedicar um terço de seu tempo para consultar casos relacionados ao tema.[16]

Pazder é creditado por popularizar o termo "abuso ritualístico", descrevendo-o como um abuso físico, emocional, mental e espiritual, acompanhado de símbolos e cerimônias secretas que visavam destruir a criança em diversas esferas.[17] Em uma conferência em Richmond, Virgínia, ele afirmou que o abuso sexual tinha um "significado ritualístico" e que seu objetivo não era gratificação sexual.[18] Segundo Pazder, um grupo invisível de "satanistas ortodoxos" estaria por trás dessas práticas, influenciando outros grupos mais visíveis.[19]

De todo modo, investigações posteriores não encontraram evidências para apoiar as alegações apresentadas em Michelle Remembers, e o conceito de abuso ritualístico satânico acabou sendo considerado um pânico moral.[20]

Referências

Bibliografia