Lambe-olhos

Leurotrigona muelleri
Leurotrigona muelleri fotografada em Águas Lindas de Goiás, Brasil.
Leurotrigona muelleri fotografada em Águas Lindas de Goiás, Brasil.
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Hymenoptera
Superfamília: Apoidea
Família: Apidae
Subfamília: Apinae
Tribo: Meliponini
Género: Leurotrigona
Espécie: L. muelleri
Nome binomial
Leurotrigona muelleri
(Friese, 1900)
Distribuição geográfica

Leurotrigona muelleri, conhecida popularmente como abelha lambe-olhos ou mirim, é uma espécie de abelha sem ferrão da tribo Meliponini, nativa do Brasil. [1] [2] [3]

Descrição

As operárias medem entre aproximadamente 1,5 a 3,0 mm, conforme diferentes observações e estudos — algumas referências registram comprimentos mínimos próximos a 1,5 mm,[4] enquanto outras fontes técnicas e de divulgação indicam valores em torno de 2,5–3,0 mm.[5]

Possuem coloração escura, asas transparentes e hábitos discretos. Apesar do tamanho reduzido, vivem em colônias sociais organizadas.[6]

Distribuição

A espécie é nativa do Brasil e ocorre em diversos estados do território nacional,[7] sendo registrada principalmente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste.[8]

Nidificação e ninho

Nidifica em ocos de árvores, cavidades em paredes, alicerces de pedra, mourões de cerca e até em canos de ferro.[9] As células de cria são relativamente esféricas e ligadas por conexões de cerume, formando cachos, não havendo invólucro envolvendo as células de cria.[10] Os potes de alimento são ovais e geralmente amarelados, e a entrada é formada por um pequeno tubo de resina escura.[11]

Colônia criada em caixa racional

Colônia

Cada colônia abriga uma rainha e, em média, de 500 a 1.000 operárias.[12] As colônias acumulam pequenas pelotas de lixo próximas à entrada, e o volume das cavidades utilizadas costuma variar entre 0,2 a 0,5 L.[13]

Comportamento

A espécie recebeu o nome popular “lambe-olhos” porque visita os olhos de animais e humanos em busca de lágrimas ricas em sais minerais.[14] São abelhas dóceis e não possuem ferrão funcional, causando apenas incômodo quando pousam repetidamente sobre pessoas.[15]

Prisão real. nota-se várias operarias cercando a princesa. Esta espécie não faz estrutura de cera para prender a princesa. Rainha aparece logo abaixo.

Importância

Apesar do diminuto tamanho, contribuem para a polinização de flores nativas, desempenhando papel ecológico relevante.[16]

Curiosidades

  • Considerada uma das menores abelhas sem ferrão conhecidas.[17]
  • Constrói colônias pequenas, em cavidades reduzidas.[18]

Ver também

Referências

  • Nogueira-Neto, Paulo (1997). Vida e criação de abelhas indígenas sem ferrão. Nogueirapis, São Paulo.
  • Camargo, J.M.F.; Pedro, S.R.M. (2007). “Meliponini Lepeletier, 1836”. In: Moure, J.S. et al. (orgs.). Catalogue of Bees in the Neotropical Region.
  • Menezes, C. et al. (2021). Material de divulgação – Projeto A.B.E.L.H.A., USP/Embrapa.
  • Kerr, W.E.; Zucchi, R.; Nogueira-Neto, P. (1967). Observações sobre a biologia e nidificação de meliponíneos brasileiros. Revista de Biologia Tropical.

Nomes vernáculos

Referências

  1. Moure, Jesus Santiago (2012). Moure, J. S.; Urban, D.; Melo, G. A. R., ed. Catalogue of Bees (Hymenoptera, Apoidea) in the Neotropical Region (em inglês). Curitiba: Sociedade Brasileira de Entomologia 
  2. Nogueira-Neto, P. (1997). Vida e criação de abelhas indígenas sem ferrão. Nogueirapis, São Paulo.
  3. Species 2000 & ITIS Catalogue of Life: 2011 Annual Checklist.
  4. Camargo, J.M.F.; Pedro, S.R.M. (2007). “Meliponini Lepeletier, 1836”. In: Moure, J.S. et al. (orgs.). Catalogue of Bees (Hymenoptera, Apoidea) in the Neotropical Region.
  5. Menezes, C. et al. (2021). Material de divulgação – Projeto A.B.E.L.H.A., USP/Embrapa.
  6. Nogueira-Neto, P. (1997). Vida e criação de abelhas indígenas sem ferrão. Nogueirapis.
  7. Camargo, J.M.F.; Pedro, S.R.M. (2007). Catalogue of Bees in the Neotropical Region.
  8. Menezes, C. et al. (2021). Projeto A.B.E.L.H.A.
  9. Nogueira-Neto (1997).
  10. Kerr, W.E.; Zucchi, R.; Nogueira-Neto, P. (1967). Observações sobre a biologia e nidificação de meliponíneos brasileiros. Revista de Biologia Tropical.
  11. Nogueira-Neto (1997).
  12. Menezes, C. et al. (2021). Projeto A.B.E.L.H.A.
  13. Nogueira-Neto (1997).
  14. Menezes, C. et al. (2021). Projeto A.B.E.L.H.A.
  15. Camargo, J.M.F.; Pedro, S.R.M. (2007).
  16. Menezes, C. et al. (2021). Projeto A.B.E.L.H.A.
  17. Nogueira-Neto (1997).
  18. Camargo, J.M.F.; Pedro, S.R.M. (2007).
  19. Ramirez, H.; França, M.C.V. (2017) O Warázu do Guaporé (tupi-guarani: primeira descrição linguística). LIAMES, v. 17, n. 2, p. 1-96.
  20. Bacelar, Laércio Nora. 2004. Gramática da língua kanoê. Dissertação de Doutorado. Katholieke Universiteit Nijmegen. Nijmegen, Holanda.
  21. TREMAINE, Sh. Dicionário Rikbaktsa-português, português-Rikbaktsa. Cuiabá: Associação Internacional de Lingüística – SIL Brasil, 2007. viii + 100 f.
  22. Monserrat, Ruth Maria Fonini; Elizabeth R. Amarante. 1995. Dicionário Mỹky-Português. Rio de Janeiro: Editora Sepeei/SR-5/UFRJ.
  23. Angenot, Geralda de Lima (1997). Fonotática e Fonologia do Lexema Protochapacura. Dissertação do Mestrado, Universidade Federal de Rondônia.