Lahti L-39

Lahti L-39
Um fuzil antitanque Lahti L-39 em exposição
TipoFuzil antitanque semiautomático
Local de origem Finlândia
História operacional
Em serviço1939–1960
Utilizadores Finlândia
GuerrasGuerra de Inverno
Guerra da Continuação
Guerra da Lapônia
Histórico de produção
Data de criação1939
FabricanteValtion Kivääritehdas (VKT)
Período de
produção
1939–1944
Quantidade
produzida
~1.906
VariantesL-39/44
Especificações
Peso49,5 kg
Comprimento2.200 mm
Comprimento 
do cano
1.300 mm
Cartucho20×138mmB
Calibre20 mm
AçãoOperado a gás
Cadência de tiro30 tpm (máximo)
Velocidade de saída800 m/s
Sistema de suprimentoCarregador destacável de 10 munições

O Lahti L-39 é um fuzil antitanque de 20 mm finlandês usado durante a Segunda Guerra Mundial. Possuía excelente precisão, grande capacidade de penetração e alcance, mas seu tamanho e seu peso dificultava o transporte. Foi apelidado de "Norsupyssy" ("Arma Elefante") e, à medida que os tanques desenvolveram blindagem espessa demais para o L-39 penetrar, seus usos mudaram para tiros de precisão de longo alcance, perseguição de tanques e, com a variante totalmente automática L-39/44, para o emprego como arma antiaérea improvisada.

Desenvolvimento

Aimo Lahti tinha dúvidas sobre a ideia original de uma metralhadora antitanque de 13 mm e começou a trabalhar em um projeto de 20 mm. Oficiais que desejavam armas antitanque de calibre menor acreditavam que a velocidade de saída dos projéteis de 20 mm era insuficiente para penetrar blindagens, e uma arma com maior cadência de tiro e calibre menor seria útil. Como resultado, Lahti projetou duas armas antitanque concorrentes: uma metralhadora de 13,2 mm e um fuzil de 20 mm. Após testes de tiro com ambas as armas em 1939, eles descobriram que o fuzil de 20 mm alcançava melhor penetração.

Operação

O Lahti L-39 é uma arma semiautomática, operada a gás, com o pistão localizado abaixo do cano e a munição alimentada por um carregador destacável por cima da arma, com a ejeção dos estojos por baixo da arma. Para reduzir o recuo, o fuzil é equipado com um freio de boca de cinco furos e uma almofada de recuo de couro acolchoada. O cano possui uma capa de madeira para permitir o transporte após o disparo ter causado o aquecimento do cano.

Uso

Guerra de Inverno

Durante a Guerra de Inverno (1939-1940), a Finlândia carecia de armamento antitanque. Apenas dois fuzis de 20 mm e algumas metralhadoras de 13,2 mm chegaram à linha de frente, onde as metralhadoras de 13,2 mm se mostraram ineficazes e pouco confiáveis, enquanto os fuzis maiores de 20 mm se mostraram eficazes contra os blindados soviéticos. Por conta disso, a Finlândia finalmente optou pelo modelo de 20 mm e iniciou a produção.

A arma também foi amplamente utilizada em uma técnica de contra-atirador na qual os finlandeses usavam manequins se passando por oficiais. Os atiradores soviéticos atiravam nos manequins, e os finlandeses então revidavam com os Lahti L-39.[1]

Guerra da Continuação

Um L-39 sendo usado como arma antiaérea improvisada em 1942.

A Guerra da Continuação (em finlandês: jatkosota, em sueco: fortsättningskriget, 25 de junho de 1941 – 19 de setembro de 1944) foi a segunda de duas guerras travadas entre a Finlândia e a União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial.

Embora a arma não tenha sido capaz de penetrar tanques soviéticos mais novos, como o T-34 e o KV-1, ela ainda se mostrou bastante eficaz contra brechas e canhoneiras de bunkers, alvos de longo alcance e até mesmo aeronaves. Uma versão totalmente automática do L39 foi fabricada em pequenas quantidades, servindo como arma antiaérea. Outros bons alvos eram atiradores de elite e vários pontos fracos em tanques, como escotilhas superiores abertas, especialmente com munição de fósforo. Ela era até capaz de danificar torres de tanques e prendê-las para impedir a passagem dos canhões.

Por volta de dezembro de 1940, um Lahti L-39 substituiu a metralhadora original L-35/36 de 13,2 mm no carro blindado finlandês L-182. Essa conversão foi empregada pela unidade blindada da 1. Divisioona (em inglês: 1ª Divisão) durante 1941.[2]

Pós-Segunda Guerra Mundial

Vários dos fuzis permaneceram em serviço após a Segunda Guerra Mundial, servindo como armas anti-helicóptero, enquanto muitos outros foram vendidos para colecionadores, principalmente nos Estados Unidos. Hoje, os fuzis, especialmente aqueles em condições de uso, são bastante raros e muito procurados. Algumas armas desativadas (com barras de aço soldadas nas câmaras) foram reativadas devido ao seu valor. Como a munição é rara, elas são frequentemente recalibradas para .50 BMG para reduzir o custo de uso. Nos Estados Unidos, a posse civil continua possível, dependendo das leis estaduais e federais. Como a arma dispara cartuchos maiores que o calibre .50, ela é considerada um dispositivo destrutivo e está sujeita à National Firearms Act de 1934. A posse civil depende do cumprimento desta lei e se o estado individual proíbe a posse civil de dispositivos destrutivos.

Referências

  1. Kekkonen, P. T. (26 de outubro de 1999). «LUKEMATTOMAT KIRJAT: Simo Häyhä, 'Valkoinen kuolema'». Gunwriters, Guns.connect.fi 
  2. «FINNISH ARMY 1918 - 1945: HEAVY ARMOURED CARS». Jaeger Platoon