Barragem de Quebane
Barragem de Quebane
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|---|---|
| Localização | |
| Localização | Rio Eufrates, Keban (en), Turquia |
| País | Turquia |
| Divisão | Elaze |
| Bacia hidrográfica | Eufrates |
| Rio | Eufrates |
| Coordenadas | 38°48'25"N, 38°45'25"E |
| Dados gerais | |
| Data de inauguração | 1966 |
| Tipo | barragem, usina hidrelétrica |
| Capacidade de geração | 1 330 megawatt |
A barragem de Quebane (em turco: Keban Barajı) é uma barragem hidrelétrica no Eufrates, localizada na província de Elaze, na Turquia. É a primeira e a mais alta de várias barragens de grande porte a serem construídas no Eufrates pela Turquia. Embora não tenha sido construída originalmente como parte do Projeto do Sudeste da Anatólia (GAP), agora é um componente totalmente integrado do projeto, que visa estimular o desenvolvimento econômico na região.[1] A construção começou em 1966 e foi concluída em 1974.[2] O lago artificial da barragem de Quebane (em turco: Keban Baraj Gölü) tem uma área de superfície de 675 quilômetros quadrados (261 milhas quadradas).
História do projeto
A construção da barragem foi proposta pela primeira vez em 1936 pela recém-criada Administração de Pesquisa de Assuntos Elétricos, mas não começou antes de 1966.[3] Foi realizada pelo consórcio franco-italiano SCI-Impreglio e concluída em 1974. As estimativas do custo total da construção variam entre US$ 85 milhões[4] e US$ 300 milhões.[2] Naquela época, missões de resgate arqueológico também foram realizadas em locais importantes que seriam inundados. A inundação começou em 1974 e levou ao deslocamento de 25 mil pessoas.[5] No processo, a Turquia manteve a descarga do Eufrates em 450 metros cúbicos (16 mil pés cúbicos) por segundo, conforme acordado com os países a jusante da Síria e do Iraque.[6] No entanto, como resultado do fato de que a Síria estava naquela época enchendo o reservatório de sua recém-construída barragem de Tabqa, em 1975 uma disputa eclodiu entre a Síria e o Iraque sobre a quantidade de água que fluía ao Iraque. Essa disputa, exacerbada pela seca que reduziu ainda mais a quantidade de água disponível, foi resolvida pela mediação da Arábia Saudita.[7][8] Após o enchimento inicial do lago, as fraquezas geológicas no leito rochoso sobre o qual a barragem foi construída exigiram um rebaixamento temporário do nível do lago para realizar extensas obras de reforço.[9]
Trabalho de resgate arqueológico
De 1968 a 1974, os vales do Eufrates e Murate foram palco de intensa pesquisa arqueológica e escavação antes das inundações. O lago é principalmente estreito, cercado por profundos vales rochosos. Nenhum sítio arqueológico foi encontrado na pesquisa desses vales. O vale do Murate se abre em dois lugares, e é aqui que o assentamento arqueológico (e moderno) foi concentrado. A região de Asvane, cobrindo cerca de 115 quilômetros quadrados (44 milhas quadradas), continha onze sítios arqueológicos, todos relativamente pequenos. O maior, Asvane Cale, cobria cerca de 0,9 hectare (2,2 acres) no total; este sítio, assim como três outros, foram escavados pelo Instituto Britânico de Arqueologia em Ancara: Tascune Mevequi, Chaiboiu e Tascune Cale. A outra ampliação do vale, na planície de Altenova (província de Elaze), era uma área bem definida de solo aluvial espesso e fértil. O levantamento arqueológico localizou 36 sítios, dos quais um, Norsuntepe, cobria 8,2 hectares (20 acres), sendo de longe o maior sítio da região. Foi escavado por uma equipe alemã liderada por Harald Hauptmann. A planície de Altenova continha outros montes relativamente grandes, incluindo Tepejique (3,4 hectares (8,4 acres)), Corujutepe (2,0 hectares (4,9 acres)), Deirmentepe (2,0 hectares (4,9 acres)) e Cortepe (1,7 hectares (4,2 acres)). A ponte de Caramagara romana tardia, um exemplo notável de uma ponte em arco pontiagudo inicial, foi permanentemente submersa pela barragem.[10][11]
Características da barragem e reservatório
A barragem é uma barragem hidrelétrica de gravidade de concreto e aterro operada pela Obras Hidráulicas Estaduais (DSİ). Tem 1 097 metros (3 599 pés) de comprimento e sua crista está a 207 metros (679 pés) acima do nível do leito do rio (848 metros (2 782 pés) acima do nível do mar). Suas oito turbinas hidráulicas são capazes de produzir 1 330 MW. A capacidade de armazenamento é de 30,6 quilômetros cúbicos (7,3 milhas cúbicas) e a área de superfície do lago é de 675 quilômetros quadrados (261 milhas quadradas), embora o lago tenha atingido níveis mais altos no passado.[12][13] Devido à elevação relativamente alta do Quebane, a 845 metros (2.772 pés) acima do nível do mar e sua localização numa área com alta precipitação, a evaporação é relativamente baixa, a 0,48 quilômetros cúbicos (0,12 milhas cúbicas) por ano, em comparação com os reservatórios na Síria ou no Iraque.[14] Além do vale do Eufrates diretamente a montante da barragem, também inundou partes dos vales do Murate e do Cara Su, os dois rios dos quais o Eufrates emerge. Embora a barragem não tenha sido originalmente destinada à irrigação, 63 872 hectares (157 830 acres) de terras agrícolas foram irrigados pelo Quebane em 1999.[2]
Referências
- ↑ Kolars & Mitchell 1991, p. 26.
- ↑ a b c «Celebrations for the 25th service year of Keban Dam», Official GAP website, arquivado do original em 7 de junho de 2011
- ↑ Kolars 1994, p. 59.
- ↑ Kolars & Mitchell 1991, p. 27.
- ↑ Kolars 1986, p. 64.
- ↑ Inan 2000, p. 6.
- ↑ Wolf 1994, p. 29.
- ↑ Kolars 1994, p. 49.
- ↑ Ertunç 1999, p. 173.
- ↑ n/a 1967, p. 54–57.
- ↑ Hild 1977, p. 145.
- ↑ Ertunç 1999, p. 168.
- ↑ Kolars & Mitchell 1991, p. 35.
- ↑ Kalpakian 2004, p. 102.
Bibliografia
- n/a (1967). «Doomed by the Dam. A Survey of the Monuments threatened by the Creation of the Keban Dam Flood Area, Elazig, 18–29 October 1966». Middle East Technical University, Faculty of Architecture. 9: 54–57
- Ertunç, Aziz (1999). «The geological problems of the large dams constructed on the Euphrates River (Turkey)». Engineering Geology. 51 (3): 167–182. Bibcode:1999EngGe..51..167E. doi:10.1016/S0013-7952(97)00072-0
- Hild, Friedrich (1977). «Das byzantinische Strassensystem in Kappadokien». In: Hunger, Herbert. Veröffentlichungen der Kommission für die Tabula Imperii Byzantini. 2. Viena: Editora da Academia Austríaca de Ciências. p. 145. ISBN 3-7001-0168-6
- Inan, Yüksel (2000), The law of international water courses and the Middle East (PDF)
- Kalpakian, Jack (2004). Identity, conflict and cooperation in international river systems. Aldershot: Ashgate. ISBN 978-0-7546-3338-9
- Kolars, John (1986). «The Hydro-Imperative of Turkey's Search for Energy». Middle East Journal. 40 (1): 53–67. JSTOR 4327248
- Kolars, John (1994). «Problems of International River Management: The Case of the Euphrates». In: Biswas, Asit K. International Waters of the Middle East: From Euphrates-Tigris to Nile. Oxônia: Oxford University Press. pp. 44–94. ISBN 978-0-19-854862-1
- Kolars, John F.; Mitchell, William A. (1991). The Euphrates River and the Southeast Anatolia Development Project. Carbondale: SIU Press. ISBN 978-0-8093-1572-7
- Wolf, Aaron T. (1994). «A Hydropolitical History of the Nile, Jordan and Euphrates River Basins». In: Biswas, Asit K. International Waters of the Middle East: From Euphrates-Tigris to Nile. Oxônia: Oxford University Press. pp. 5–43. ISBN 978-0-19-854862-1