Lagartinho-violeiro

Lagartinho-violeiro
Indivíduo avistado em Porto Velho, em Rondônia
Indivíduo avistado em Porto Velho, em Rondônia
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Família: Teiidae
Gênero: Cnemidophorus
Espécie: C. cryptus
Nome binomial
Cnemidophorus cryptus
Cole & Dessauer, 1993
Sinónimos[2][3]
  • Cnemidophorus cryptus Cole & Dessauer 1993
  • “Cnemidophorus” cryptus Reeder et al. 2002: 25
  • Cnemidophorus cryptus Harvey et al. 2012

O lagartinho-violeiro[4] (nome científico: Cnemidophorus cryptus), também chamado popularmente de calango-listrado, calango-verde e lagarto-violeiro,[2] é um lagarto da família dos teiídeos (Teiidae).

Etimologia

O epíteto específico cryptus deriva do grego kryptós (κρυπτός).[2] Por sua vez, o nome popular calango deriva da quimbundo kalanga com sentido de "lagarto".[5]

Taxonomia

O lagartinho-violeiro foi descrito pela primeira vez em 1993 por Cole & Dessauer. Sua localidade-tipo é Icabaru, em Bolívar, na Venezuela. Seu holótipo é AMNH 135089.[2]

Distribuição e habitat

O lagartinho-violeiro apresenta uma distribuição geográfica disjunta entre o norte do Brasil (Roraima, Amapá, Amazonas, Maranhão e Pará), sul do Suriname e da Guiana Francesa e sudeste da Venezuela.[2] Está associada a ambientes abertos dentro da Amazônia, incluindo margens do rio Amazonas (particularmente ambas as margens do Negro e a margem direita do Madeira), regiões costeiras e enclaves de vegetação aberta.[6] Estudos indicam que ocorre principalmente em áreas desmatadas ao longo de rodovias e nas proximidades de construções, como observado no Parque Estadual do Utinga.[1]

Ecologia

O lagartinho-violeiro é terrestre e diurno.[6] Trata-se de uma espécie partenogenética, composta exclusivamente por fêmeas, com morfologia externa críptica e bastante semelhante à de Cnemidophorus lemniscatus.[1] É um partenogênio clonal diploide de origem híbrida. Dois clones provavelmente se originaram de zigotos híbridos F1 separados, embora não se saiba se estes foram produzidos pelos mesmos genitores individuais ou na mesma ninhada de ovos. A hipótese de trabalho atual é que C. gramivagus e C. lemniscatus são as duas espécies ancestrais.[2]

Conservação

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica o lagartinho-violeiro como pouco preocupante (LC), considerando sua ampla distribuição, abundância, capacidade de adaptação a ecossistemas alterados pelo homem, como plantações. Mesquita e Colli (2003) incluíram 80 espécimes em sua análise, e é considerado como ocorrendo em "hiperabundância" em florestas secundárias e plantações por Gardner et al. (2007).[1] Em 2018, foi classificado como pouco preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[7][8]

Referências

  1. a b c d Rivas, G. (2021). «Cnemidophorus cryptus». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2019: e.T50011743A50011756. doi:10.2305/IUCN.UK.2021-3.RLTS.T50011743A50011756.enAcessível livremente. Consultado em 13 de julho de 2025 
  2. a b c d e f «Cnemidophorus cryptus Cole & Dessauer, 1993». The Reptile Database. Consultado em 13 de julho de 2025. Cópia arquivada em 21 de janeiro de 2025 
  3. «Cnemidophorus cryptus Cole & Dessauer, 1993». Global Biodiversity Information Facility (GBIF) (em inglês). Consultado em 13 de julho de 2025. Cópia arquivada em 5 de janeiro de 2025 
  4. Projeto CGIRS do CONCISSS Castanhal/Para 2023 (PDF). III: Diagnóstico Ambiental - Meio Biótico. Belém: Secretaria de Obras Públicas do Governo do Pará, Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF). Consultado em 12 de julho de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 12 de julho de 2025 
  5. Grande Dicionário Houaiss, verbete calango
  6. a b Ribeiro-Júnior, Marco Antônio; Amaral, Silvana (2016). «Catalogue of distribution of lizards (Reptilia: Squamata) from the Brazilian Amazonia. III. Anguidae, Scincidae, Teiidae» (PDF). Zootaxa. pp. 401–430 
  7. «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018 
  8. «Cnemidophorus cryptus Cole & Dessauer, 1993». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 13 de julho de 2025