Lacrifagia

A lacrifagia é o hábito de se alimentar das lágrimas e fluídos oculares de outros animais, sendo praticado por insetos, na sua maioria lepidópteros, em animais vertebrados. Normalmente o objetivo desses animais nesse tipo de alimentação é a obtenção de sais de sódio e proteínas, quando estes não costumam ser encontrados facilmente em seu habitat. Esta relação costuma ser neutra para os animais que fornecem as lágrimas, já que o probóscide e os membros dos insetos costumam ser leves e delicados, não causando danos a estrutura ocular deles, apesar de haver suspeitas que esses insetos possam se tornar um vetor de doenças bacterianas em áreas de criação de gado. Geralmente é praticada por borboletas em animais de baixo metabolismo, como jabutis e jacarés, porém existem três registros de também ocorrer em aves enquanto dormem, sendo registrados no Brasil, na Colômbia e em Madagascar.[1][2][3]
A lacrifagia é a prática de alimentar-se de lágrimas e outras secreções oculares.[4] Algumas abelhas, borboletas e moscas foram observadas consumindo lágrimas de répteis, pássaros e mamíferos, incluindo humanos. Insetos lacrifágicos coletam nutrientes, especialmente sódio e proteínas, a partir de lágrimas. O consumo lacrifágico pode ser incômodo ou doloroso, causando dano ao olho e introduzindo patógenos no hospedeiro. A lacrifagia tem sido estudada como uma forma de parasitismo e comensalismo.
Ela é mais conhecida como um comportamento de borboletas e mariposas (Lepidoptera). Moscas, abelhas sem ferrão e outros insetos como baratas e piolhos também já foram observados alimentando-se de lágrimas, e há evidências que algumas colônias de abelhas sem ferrão no sudeste asiático possuem coletores de lágrimas especializados como uma divisão de trabalho.
Lepidópteros
Lacrifagia é um comportamento mais conhecido em borboletas adultas e mariposas (Lepidoptera). Tal comportamento tem sido observado em abelhas e mariposas em todas as regiões tropicais e subtropicais da África e Ásia, particularmente em "faixas de savanas e regiões de monções, as quais a temporada de seca cobre um período de, pelo menos, três a quatro meses, e a chuva e umidade são muito baixas para florestas tropicais." Bänziger numerou no entorno de 100 espécies de mariposas lacrifágicas em 2009 pertencentes a seis famílias. Destas cem espécies, vinte e três delas bebem de secreções oculares humanos. Wilhelm Büttiker e J. D. Bezuidenhout registraram o primeiro relato de lepidópteros lacrifágicos no sudoeste da África em 1974, de três espécies do gênero Arcyophora. Eles encontraram estas mariposas consumindo pelos olhos de vacas domésticas e cabras. Documenta-se, também, na América Central e na América do Sul, além de um relato gravado em 1972 de uma mariposa lacrifágica (que se alimentava por intermédio do globo ocular de um cavalo) nos Estados Unidos.
Referências
- ↑ Giulia Bucheroni (4 de outubro de 2018). «Biólogo brasileiro registra relação rara entre mariposa e ave». G1. Consultado em 6 de outubro de 2018
- ↑ Maria Luciana Rincón (31 de julho de 2018). «VOCÊ SABE POR QUE ALGUMAS BORBOLETAS BEBEM LÁGRIMAS DE TARTARUGA?». MegaCurioso. Consultado em 6 de outubro de 2018
- ↑ Maria Luciana Rincón (1 de outubro de 2018). «QUE TER UM ATAQUE DE AFLIÇÃO? VEJA MARIPOSA SUGAR AS LÁGRIMAS DE UMA AVE». MegaCurioso. Consultado em 6 de outubro de 2018
- ↑ «https://bioone.org/journals/bulletin-of-the-american-museum-of-natural-history/volume-458/issue-1/0003-0090.458.1.1/Revision-of-the-Nearctic-Species-of-the-Genus-Amiota-Loew/10.1206/0003-0090.458.1.1.full». doi:10.1206/0003-0090.458.1.1.full. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 Ligação externa em
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