Lício Maciel
Lício Augusto Ribeiro Maciel (Maceió, 4 de junho de 1930) é um tenente-coronel da reserva do Exército Brasileiro e um dos nomes mais conhecidos entre os militares que participaram do Regime Militar no Brasil (1964-1984). Foi um dos primeiros denunciados pelo Ministério Público Federal por crimes cometidos durante a Ditadura Militar de 1964, em 2012.[1]
Engenheiro militar, pára-quedista e oficial graduado pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) com formaçao no Combate de Selva, participou do contingente das Forças Armadas que combateu e derrotou a Guerrilha do Araguaia, movimento guerrilheiro criado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) nas matas do Araguaia durante a ditadura militar, na região do Bico do Papagaio, onde faziam fronteira os estados do Pará, Maranhão e Goiás (hoje Tocantins).
No combate à guerrilha, com a patente de major, ficou conhecido pelo codinome de 'Dr. Asdrúbal'.[2] Seu atos mais conhecidos, entre muitos de alguém que participou ativamente da prisão e morte de dezenas de guerrilheiros, foram a prisão de José Genoíno, depois figura de projeção nacional no Partido dos Trabalhadores e a escaramuça na selva quando foi ferido com um tiro no rosto pela guerrilheira Lúcia Maria de Souza, "Sônia", que foi morta em seguida pela patrulha que ele comandava, isto produziu um dos mais famosos momentos da Guerrilha do Araguaia.[3]
Em 2004, as versões do coronel vieram a público com depoimentos do lado militar, através do livro O coronel rompe o silêncio, de Luiz Maklouf Carvalho. Nessa obra, o autor compara as versões de militares com as de guerrilheiros que estiveram no Araguaia.
Em junho de 2005, o militar ficou conhecido nacionalmente por ser um dos responsáveis por um momento de grande repercussão no Congresso Nacional, onde, levado pelo deputado federal Jair Bolsonaro, para uma homenagem aos militares que lutaram no Araguaia, discursou ao plenário fazendo um relato sobre a morte de guerrilheiros no conflito, diversos por ele mesmo, demonstrando orgulho de seu papel no combate à guerrilha e fazendo um acareamento de público com o deputado José Genoíno, a quem prendeu e acusou de ter entregue informações sobre a guerrilha, desafiando-o a afirmar que foi torturado para isso.[4]
Em 2008, Lício lançou um livro chamado 'Guerrilha do Araguaia - Relato de um Combatente'[5], onde conta sua versão sobre os eventos no Araguaia. O Coronel Jarbas Passarinho foi quem escreveu o prefácio da obra. Também organizou o famoso livro 'Orvil - Tentativas de Tomada do Poder' (O Livro Negro do Terrorismo), que vem com a apresentação de documentos.
Referências
- ↑ «Mais um militar é denunciado por desaparecimento de guerrilheiro». O Globo. 20 de julho de 2012. Consultado em 22 de agosto de 2025
- ↑ Arruda, Roldão. «MPF denuncia militar da reserva, acusado de sequestro durante a Guerrilha do Araguaia». Estadão. Consultado em 19 de setembro de 2012
- ↑ «Lúcia Maria de Souza». Memórias da ditadura. Consultado em 5 de outubro de 2019
- ↑ ConeSul News
- ↑ Livro Guerrilha do Araguaia - Relato de um Combatente
Bibliografia
- MAKLOUF CARVALHO, Luiz - O coronel rompe o silêncio - Ed. Objetiva, 2004 ISBN 85-7302-606-5