Lêda Boechat Rodrigues

Lêda Boechat Rodrigues
Nascimento
08 de dezembro de 1917

Morte
NacionalidadeBrasileira
EducaçãoUniversidade do Rio de Janeiro (URJ)
Biblioteca Nacional
OcupaçãoHistoriadora
Jurista
Tradutora
Escritora

Lêda Boechat Rodrigues (Carangola, 8 de dezembro de 1917 — 2014) foi uma historiadora, jurista, tradutora e escritora brasileira. Enfocou seu trabalho nos estudos sobre a história do direito no Brasil, dedicando grande parte de sua produção intelectual à história do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Suprema Corte dos Estados Unidos. Além de sua obra autoral, Lêda Boechat Rodrigues atuou como colaboradora intelectual e organizadora do acervo de seu marido, o historiador José Honório Rodrigues (1913-1987).[1]

Biografia

Lêda Boechat Rodrigues nasceu em Carangola, Minas Gerais, em 8 de dezembro de 1917. Vinda de uma família com boas condições financeiras devido à exportação de café, teve acesso a uma educação básica de qualidade em sua cidade natal.[1] Tal fator permitiu sua mudança na adolescência para o Rio de Janeiro para dar continuidade aos estudos, cursando a graduação em direito na Universidade do Rio de Janeiro a partir de 1934.[1] Em 1935, conheceu o também estudante de direito José Honório Rodrigues, começando um namoro com ele durante uma embaixada de estudantes na Bahia, preparada pelo Centro Acadêmico Cândido de Oliveira. Lêda Boechat Rodrigues se casou com José Honório Rodrigues em 1941, sendo que o casamento durou 46 anos, e o casal não teve filhos.[1][2] Ela faleceu em 2014.[1][1]

Carreira

Iniciou sua formação em 1934, ao ser classificada em primeiro lugar no vestibular para a Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro. No mesmo período, teve atuação na União Universitária Feminina (UUF). Paralelamente, em 1935, foi aprovada em concurso público para o cargo de taquígrafa do Supremo Tribunal Federal (STF), onde tomou posse em 1936. Após concluir a graduação em direito em 1939, formou-se em biblioteconomia pela Biblioteca Nacional (1940) e cursou Geografia e História na Faculdade Nacional de Filosofia, contudo, abandonou o curso devido a seu casamento em 1941. Em 1958, recusou uma nomeação para a chefia da seção de jurisprudência do STF, aposentando-se como taquígrafa em 1960, após 25 anos de serviço.[1] Após sua aposentadoria e a transferência do STF para Brasília, passou a integrar o Centro de Pesquisas Jurídicas da Fundação Casa de Rui Barbosa, entre 1960 e 1963.[3]

Como tradutora, traduziu para o português obras de direito, arquivologia e história, como O Pensamento Vivo de Jefferson de John Dewey (1942), A Natureza do Processo e a Evolução do Direito de Benjamin N. Cardozo (1943), A avaliação dos documentos públicos modernos de Theodore Roosevelt Schellenberg (1959), Sua Majestade e o Presidente do Brasil. Um estudo do Brasil Constitucional (1889-1934) de Ernest Hambloch (1981) e História das últimas lutas no Brasil entre holandeses e portugueses e Relação da viagem ao país dos tapuias de Pierre Moreau e Roulox Baro (1979).

Sua produção autoral ganhou destaque com A Corte Suprema e o Direito Constitucional Americano (1958), obra resultante de suas pesquisas na Biblioteca do Congresso e na Suprema Corte dos Estados Unidos da América. Sua obra mais extensa é a coleção História do Supremo Tribunal Federal, publicada em quatro volumes por meio da coleção Retratos do Brasil entre 1965 e 2002 que analisaram a atuação do tribunal em diálogo com o cenário político da época.[4] Entre suas principais obras também constam Direito e Política: os Direitos Humanos no Brasil e nos Estados Unidos (1977) e a coorganização de O Parlamento e a Evolução Nacional (1972).[1]

Além da construção de sua própria carreira, Lêda Boechat Rodrigues teve um papel central como colaboradora intelectual de seu marido, o historiador José Honório Rodrigues (1913-1987).[1] Após o falecimento dele, dedicou-se a organizar e publicar seu acervo, em um trabalho que foi fundamental para a consolidação do legado do historiador.[2] Entre as obras que organizou e publicou estão os dois tomos do segundo volume de História da História do Brasil (1988), Ensaios Livres (1991), José Honório Rodrigues: um historiador na trincheira (1994), e os dois volumes de sua correspondência, em 2000 e 2004.[2]

Obras publicadas

Principais publicações[1][4]

  • RODRIGUES, Lêda Boechat. A corte suprema e o direito constitucional americano. Rio de Janeiro: Revista Forense, 1958.
  • RODRIGUES, Lêda Boechat. História do Supremo Tribunal Federal. Vol. I: Defesa das Liberdades Civis (1891-1898). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1965.
  • RODRIGUES, Lêda Boechat. História do Supremo Tribunal Federal. Vol. II: Defesa do Federalismo (1899-1910). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.
  • RODRIGUES, José Honório; RODRIGUES, Lêda Boechat; NOGUEIRA, Octaciano (orgs.). O parlamento e a evolução nacional. Brasília: Senado Federal, 1972.
  • RODRIGUES, Lêda Boechat. Direito e política: Os Direitos Humanos no Brasil e nos Estados Unidos. Porto Alegre: AGE, 1977.
  • RODRIGUES, Lêda Boechat. A Corte de Warren (1953–1969): Revolução Constitucional. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991.
  • RODRIGUES, Lêda Boechat. História do Supremo Tribunal Federal. Vol. III: A Doutrina Brasileira do Habeas Corpus (1910-1930). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991.
  • RODRIGUES, Lêda Boechat; MELLO, Jospe Octávio de Arruda. José Honório Rodrigues: Um historiador na trincheira. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1994.
  • RODRIGUES, Lêda Boechat. História do Supremo Tribunal Federal. Vol. 4, tomo I: 1930-1963. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.

Prêmios

  • 1933 - Ganhadora do Prêmio de Homenagem a Ruy Barbosa, em concurso realizado pelo Gymnasio Municipal Carangolense.[5]
  • 1986 - Ganhadora do Prêmio Victor Nunes Leal, concedido pela Ordem dos Advogados do Brasil pelo trabalho A Corte de Warren (1953-1969): Revolução Constitucional.[6]
  • S.d - Ganhadora da Medalha do Congresso, concedida por Petrônio Portela devido a publicação da obra O Parlamento e a Evolução Nacional.[1]
  • S.d - Ganhadora do Prêmio Lemos Brito.[1]
  • 2003 - Indicada ao Prêmio Jabuti na categoria de Economia, Administração de Negócios e Direito pela publicação do livro História do Supremo Tribunal Federal.[7]

Ver também

Notas

  1. Não foi possível encontrar mais informações sobre seu falecimento.

Referências

  1. a b c d e f g h i j k SESQUIM, Ilda Renata Andreata. "A obra dele é a minha própria": Lêda Boechat Rodrigues e o lugar do feminino na história da historiografia brasileira. 2023. 148 f. Dissertação (Mestrado em História) - Instituto de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal de Ouro Preto, Mariana, 2023.
  2. a b c SESQUIM, Ilda Renata Andreata. "A obra dele é a minha própria": Lêda Boechat, a historiografia brasileira e o espólio de José Honório Rodrigues. Revista Maracanan, Rio de Janeiro, n. 38, p. 1-25, jan./abr. 2025. DOI: 10.12957/revmar.2025.81794.
  3. RODRIGUES, Lêda Boechat. História do Supremo Tribunal Federal. Volume III. Doutrina Brasileira do Habeas-Corpus (1910-1926). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991, p. 24.
  4. a b SESQUIM, Ilda Renata Andreata. Nas margens do discurso: Lêda Boechat Rodrigues e a História do Supremo Tribunal Federal como ensaio do Brasil Republicano. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, 33., 2025, Belo Horizonte. Anais do 33º Simpósio Nacional de História: Os (des)confortos da História e os futuros do ensino de História. Belo Horizonte: ANPUH-Brasil, 2025.
  5. «Correio da Manhã (RJ) - 1936 a 1939 - DocReader Web». memoria.bn.gov.br. Consultado em 17 de outubro de 2025 
  6. RODRIGUES, Lêda Boechat. História do Supremo Tribunal Federal. Volume III. Doutrina Brasileira do Habeas-Corpus (1910-1926). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991, p. 20.
  7. «Folha Online - Ilustrada - Veja a lista completa dos indicados ao Prêmio Jabuti 2003 - 13/02/2003». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 17 de outubro de 2025