Léa Ziggiatti

Léa Ziggiatti Monteiro (nascida Léa Maselli Ziggiatti, 1936 - 2024) foi uma musicista, advogada, jornalista e pedagoga campineira. Mantenedora e diretora do Conservatório Carlos Gomes de Campinas[1] por mais de sessenta anos (1962 a 2024), desenvolveu método pedagógico inovador, integrando todas as artes - música, teatro, dança e artes plásticas - na formação dos alunos, possibilitando tornarem-se artistas globais[2]. Autora dos livros Auto das Estrelinhas de Belém, pela editora Paulus (1994) e Trilogia da Cidade Amada, pela Komedi (2007)[3].

Formação

Léa Ziggiatti formou-se em piano e flauta doce (nível médio) pelo Conservatório Carlos Gomes de Campinas. Estudou também canto orfeônico na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC/Campinas), na década de 1970.

Formou-se em Pedagogia Administrativa pela Universidade de Ouro Fino (MG) e em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC/Campinas), e exerceu o jornalismo colaborando por mais de duas décadas com os periódicos Correio Popular e Diário do Povo.

Cursou especialização em Iniciação Musical, aperfeiçoando-se nos métodos de Liddy Chiafarelli Mignone e Carl Orff. Na UNICAMP, frequentou o curso de atualização em Dinâmica Musical com o renomado professor e compositor Joachim Koelreutter.

Participou dos cursos de Música Contemporânea para Niños, com as professoras Violeta Gainza e Bernadete Zagonel em Cuba, e ministrou uma aula-palestra na Universidade da Cidade do México em 2004, com o tema "A Música e a Criança no 3º Milênio".

O Conservatório Carlos Gomes

A história de Léa Ziggiatti se entrelaça à do Conservatório Carlos Gomes. A primeira escola de música de Campinas, criada em 1927, teve entre os fundadores sua avó - Catharina Ziggiatti - e, como primeiro diretor, Miguel Ziggiatti, seu tio[2].

Nascida em família de músicos, casou-se aos 25 anos de idade com o fotógrafo Ubirajara Monteiro, com quem teve um casal de filhos, ambos educados no ambiente musical.[4]

A partir de 1962, assumiu a direção do Conservatório trazendo consigo uma visão inovadora: unir os saberes de todas as artes na formação dos jovens artistas. A metodologia pioneira em instituições do gênero possibilitaria, segundo a pedagoga, a formação de artistas mais completos[4].

Logo após assumir a direção do Conservatório, Léa criou os cursos de Iniciação Musical Infantil (1963) e fundou a Orquestra Experimental e Juvenil do Conservatório, que funcionou entre 1965 e o início da década de 1980. Em 1983, Léa decide criar a Orquestra de Câmara do Conservatório, cujo primeiro regente foi o professor Edmundo Hora.[5]

Sob sua direção foi criado também o Conjunto Renascentista do Conservatório, que funcionou entre 1965 e 1987.[6]

Em 1968, Léa passa a atuar como regente da Bandinha do Conservatório, cargo que ocupou até 1990.

Na década de 1970, com o advento de novas leis de formação profissional, Léa adaptou as grades curriculares do Conservatório, passando a oferecer cursos técnicos profissionalizantes em música, teatro, dança e artes plásticas. Inúmeros artistas e profissionais de renome passaram pela escola e pelas aulas de D. Léa, entre eles o artista plástico Paulo Cheida e a atriz Regina Duarte[2].

Sob sua direção, foi criado o grupo coral Meninos Cantores de Campinas em 1991, e que se encontra ativo até os dias de hoje.[7]

Em vias de completar seu primeiro centenário, o Conservatório Carlos Gomes tem dado continuidade às iniciativas de D. Léa, agora sob liderança de sua filha, Lara Ziggiatti[8], violoncelista da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas e da Orquestra Sinfônica da Unicamp[9].

Projetos e premiações

Além da atuação como jornalista, cronista, musicista, professora e diretora do Conservatório, na década de 1960 participou da fundação da Orquestra Sinfônica Universitária de Campinas, nascida da parceria entre o Conservatório e a PUC/Campinas. Essa orquestra foi o embrião da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas. Léa também foi uma das fundadoras da Associação Campineira das Escolas de Ballet.

Recebeu diversos prêmios, entre eles o Prêmio Andorinha do Jornal da Cidade (1972), o Troféu Comunicação da Prefeitura Municipal de Campinas (1972) e o Prêmio APTC - Associação Profissional de Teatro de Campinas (1982).

Na área teatral, participou da montagem das operetas "Branca de Neve" (1986) e "Severino, o Falso Rei" (1994), projeto que recebeu o Prêmio Estímulo de Teatro, concedido pela Prefeitura Municipal de Campinas.

Destacam-se, ainda, outros prêmios conquistados, como os troféus no Festival Estudantil de Teatro de Tatuí (1987) pela adaptação do tema "Medieval" e o prêmio revelação pela adaptação de "Branca de Neve" para opereta (1996), além do Prêmio Municipal Estímulo de Literatura Infantil pelo "Auto das Estrelinhas de Belém" (1993).

Desde a fundação, Léa participou da Academia Campineira de Letras e Artes e da Academia Campineira de Música. Em 2010, foi agraciada com a Medalha Carlos Gomes, concedida pela Câmara Municipal de Campinas.

Referências

  1. «Sobre | Conservatório Carlos Gomes». Conservatório. Consultado em 8 de janeiro de 2025 
  2. a b c «PERFIL: LÉA ZIGGIATTI RETORNA COM ARTE AO SANTA CÂNDIDA - Jornal Alto Taquaral». www.jornalaltotaquaral.com.br. Consultado em 8 de janeiro de 2025 
  3. Ziggiatti, Léa. «Lea Ziggiatti | Estante Virtual». www.estantevirtual.com.br. Consultado em 8 de janeiro de 2025 
  4. a b «Gigo Notícias». www.clicknoticia.com.br. Consultado em 8 de janeiro de 2025 
  5. «Conservatório Carlos Gomes - Orquestra» 
  6. «Portal Campinas» (PDF) 
  7. «Meninos Cantores de Campinas - Histórico» 
  8. «Campinas perde Léa Ziggiatti, uma das principais personalidades da cultura na região». CIDDIC. 17 de janeiro de 2024. Consultado em 8 de janeiro de 2025 
  9. «OSMC - Lara Ziggiatti Monteiro [Solista I]». www.osmc.com.br. Consultado em 9 de janeiro de 2025