Kitaro Nishida

Kitaro Nishida
Nascimento19 de maio de 1870
Kahoku
Morte7 de junho de 1945 (75 anos)
Kamakura
SepultamentoTōkei-ji Temple
CidadaniaJapão
Alma mater
  • Universidade Imperial de Tóquio
  • Fourth Higher School
  • Ishikawa Normal School
Ocupaçãoescritor, filósofo, professor universitário
Distinções
Empregador(a)Universidade de Quioto, Taisho Daigaku, Ōtani University, Fourth Higher School, Kyoto College of Technology, Yamaguchi Higher School
Obras destacadasAn Inquiry into the Good, eternal now
Movimento estéticoEscola de Kyoto
ReligiãoJapanese Zen
Causa da morteuremia

Kitarō Nishida (Nishida Kitarō (西田 幾多郎), 19 de maio[1], 1870 – 7 de junho de 1945) foi um filósofo moral japonês, filósofo da matemática e da ciência, além de estudioso da religião. Ele foi o fundador do que veio a ser conhecido como a Escola de Kyoto de filosofia. Nishida graduou-se em filosofia pela Universidade de Tóquio durante o Período Meiji, em 1894. Em 1899, foi nomeado professor da Quarta Escola Superior, localizada na Província de Ishikawa, e mais tarde tornou-se professor de filosofia na Universidade de Kyoto. Nishida aposentou-se em 1927. Em 1940, foi agraciado com a Ordem da Cultura (文化勲章, bunka kunshō). Também participou da fundação do Instituto de Tecnologia de Chiba (千葉工業大学) a partir de 1940.

Kitarō Nishida faleceu aos 75 anos, vítima de uma infecção renal. Seus restos cremados foram divididos em três partes e sepultados em diferentes locais. Uma parte foi enterrada no túmulo da família Nishida, em sua cidade natal, , Unoke, Ishikawa. Um segundo túmulo encontra-se no Templo Tōkei-ji, em Kamakura, onde seu amigo D. T. Suzuki organizou seu funeral — e onde o próprio Suzuki também viria a ser sepultado, no terreno adjacente. O terceiro túmulo de Nishida está no templo Reiun'in (霊雲院, Reiun'in), que integra o complexo Myōshin-ji, em Kyoto.[2]

Filosofia

Nascido em 1870, durante os primeiros anos do Período Meiji, Nishida viveu em um contexto de intensas transformações intelectuais no Japão, marcado pelo encontro entre as tradições filosóficas orientais e as ideias da filosofia ocidental. Sua filosofia original e criativa, que integrava elementos do zen e do pensamento ocidental, tinha como objetivo promover uma aproximação entre Oriente e Ocidente.

Ao longo de sua vida, Nishida publicou diversos livros e ensaios, incluindo Zen no Kenkyū (Uma Investigação sobre o Bem), Bashoteki ronri to shūkyōteki Sekaikan (A Lógica do Lugar do Nada e a Visão Religiosa de Mundo), entre outros.

Sua obra constitui o alicerce da Escola de Kyoto e serviu como principal fonte de inspiração para o pensamento original de seus discípulos.

Um dos conceitos mais conhecidos da filosofia de Nishida é a Lógica do basho (japonês: 場所; normalmente traduzido como “lugar”), uma lógica concreta e não dualista, formulada para superar as limitações da distinção sujeito-objeto, essencial tanto à lógica do sujeito de Aristóteles quanto à lógica do predicado de Immanuel Kant. Em contraste com a lógica dialética de G.W.F. Hegel, a lógica de Nishida afirma o que ele chama de “identidade absolutamente contraditória de si mesmo” — uma tensão dinâmica entre opostos que não se resolve em uma síntese. Em vez disso, define seu verdadeiro sujeito mantendo a tensão entre afirmação e negação como polos ou perspectivas opostas.

Em Zen no Kenkyū, Nishida escreve sobre experiência, realidade, bem e religião. Ele argumenta que a forma mais profunda de experiência é a experiência pura.[3] Segundo Nishida, em consonância com a essência da sabedoria asiática, a experiência humana é marcada por um desejo profundo de harmonia — um impulso em direção à unidade.[4]

Legado

Túmulo de Nishida Kitarō em Kamakura

Segundo Masao Abe, "Durante a Segunda Guerra Mundial, pensadores da direita o atacaram por considerá-lo antinacionalista, devido à sua valorização da filosofia ocidental e da lógica. Mas, após a guerra, pensadores da esquerda criticaram sua filosofia como nacionalista, por conta de sua ênfase na noção tradicional de nada. Nishida reconhecia um tipo de universalidade na filosofia e na lógica ocidentais, mas não aceitava que essa fosse a única forma de universalidade."[5]

Nishida considerava Deus "indispensável e decisivo".[6]

Obras

  • Nishida Kitarō Zenshū (西田幾多郎全集, Obras Completas de Nishida Kitarō). 1ª edição (1947–1953), 20 volumes, Tóquio: Iwanami Shoten – em japonês.
  • Nishida Kitarō Zenshū (西田幾多郎全集, Obras Completas de Nishida Kitarō). Nova edição (2002–2009), 24 volumes, editada por A. Takeda, K. Riesenhueber, K. Kosaka e M. Fujita, Tóquio: Iwanami Shoten – em japonês.

Traduções para o inglês

  • An Inquiry into the Good, trans. Masao Abe and Christopher Ives. New Haven: Yale University Press, 1990.
  • "An Explanation of Beauty," trans. Steve Odin. Monumenta Nipponica vol. 42 no. 2 (1987): 211–217.
  • Intuition and Reflection in Self-Consciousness, trans. Valdo H. Viglielmo, Takeuchi Yoshinori and Joseph S. O'Leary. Albany: State University of New York Press, 1987.
  • Last Writings: Nothingness and the Religious Worldview, trans. David Dilworth. Honolulu: University of Hawaii Press, 1993.
  • Place and Dialectic: Two Essays by Nishida Kitaro, trans. John W. M. Krummel and Shigenori Nagatomo. Oxford; New York: Oxford University Press, 2012.
  • Ontology of Production: Three Essays, trans. William Haver. Durham, NC: Duke University Press, 2012.
  • The Unsolved Issue of Consciousness, trans. John W. M. Krummell, in Philosophy East and West 62, no 1 (2012): 44–59.

Traduções para o francês

  • L’Éveil à soi, trans. Jacynthe Tremblay. Paris: CNRS Éditions, 2003, 298 p.
  • De ce qui agit à ce qui voit, trans. Jacynthe Tremblay. Montréal: Presses de l'Université de Montréal, 2015, 364 p.
  • Autoéveil. Le Système des universels, trans. Jacynthe Tremblay. Nagoya: Chisokudō Publications, 2017.

Ver também

Referências

  1. Yusa Michiko. Zen & Philosophy: An Intellectual Biography of Nishida Kitaro. University of Hawaii Press, 2002, p. 5.
  2. Yusa Michiko. Zen & Philosophy: An Intellectual Biography of Nishida Kitaro. University of Hawaii Press, 2002, p. 337.
  3. Nishida, Kitarō (1980), Zen no kenkyū An Inquiry into the Good, Tokyo: Iwanami Shoten.
  4. Iţu, Mircia (2005), Nishida Kitarō. O cercetare asupra binelui, Braşov: Orientul Latin, p. 240 ISBN 973-9338-77-1.
  5. Abe, Masao (1987). An Inquiry Into the Good. New Haven: Yale University Press. p. xxv. ISBN 978-0-300-05233-6 
  6. Rigsby, Curtis A. (2009). «Nishida on God, Barth and Christianity1». Asian Philosophy. 19 (2): 119–157. doi:10.1080/09552360902943761 

Leitura adicional

Livros

Inglês

  • Carter, Robert E. The Nothingness beyond God: An Introduction to the Philosophy of Nishida Kitaro Paragon House, 1989. ISBN 1-55778-761-1)
  • Christopher Ives. Imperial-Way Zen: Ishikawa Hakugen's Critique and Lingering Questions for Buddhist Ethics. University of Hawaii Press, 2009. ISBN 978-0-8248-3331-2
  • Heisig, James W. Philosophers of Nothingness University of Hawaii Press, 2001. ISBN 0-8248-2481-4
  • Mayeda, Graham. Japanese Philosophers on Society and Culture: Nishida Kitarō, Watsuji Tetsurō, and Kuki Shūzō. Lanham: Lexington Books, 2020. ISBN 978-1-4985-7208-8
  • Nishitani Keiji. Nishida Kitaro University of California Press, 1991. ISBN 0-520-07364-9
  • Wargo, Robert J. J. The Logic Of Nothingness: A Study Of Nishida Kitaro. University of Hawaii Press, 2005. ISBN 0-8248-2969-7
  • Yusa Michiko. Zen & Philosophy: An Intellectual Biography of Nishida Kitaro. University of Hawaii Press, 2002. ISBN 0-8248-2459-8

Francês

  • Tremblay Jacynthe, Nishida Kitarō. Le Jeu de l’individuel et de l’universel, Paris, CNRS Éditions, 2000, 334 p.
  • Tremblay Jacynthe, Introduction à la philosophie de Nishida, Paris, L’Harmattan, 2007, 141 p.
  • Tremblay Jacynthe, Auto-éveil et temporalité. Les Défis posés par la philosophie de Nishida, Paris, L’Harmattan, 2007, 229 p.
  • Tremblay Jacynthe, L’Être-soi et l’être-ensemble. L’Auto-éveil comme méthode philosophique chez Nishida, Paris, L’Harmattan, 2007, 194 p.
  • Tremblay Jacynthe, Je suis un lieu, Montréal, Les Presses de l’Université de Montréal, 2016, 316 p.
  • Tremblay Jacynthe (ed.), Laval Théologique et Philosophique. Philosophie japonaise du XXe siècle, 64 (June 2008, no. 2) 233-573.
  • Tremblay Jacynthe (ed.), Philosophes japonais contemporains, Montréal, Presses de l’Université de Montréal, 2010, 492 p.
  • Tremblay Jacynthe (ed.), Théologiques. Les philosophes de l’École de Kyōto et la théologie 12 (2012, no. 1-2) 3-383.
  • Tremblay Jacynthe (ed.), Milieux modernes et reflets japonais. Chemins philosophiques, Québec, Presses de l’Université Laval, 2015, 286 p. (with Marie-Hélène Parizeau).

Artigos

  • Botz-Bornstein, Thorsten. "Nishida and Wittgenstein: from pure experience to Lebensform or new perspectives for a philosophy of intercultural communication," Asian Philosophy 13,1 (2003): 53–70.
  • Botz-Bornstein, Thorsten. "The I and the Thou: A Dialogue between Nishida Kitarō and Mikhail Bakhtin,” Japan Review 16 (2004): 259–284.
  • Heisig, James W. and Rein Raud, eds. "Nishida’s Deodorized Basho and the Scent of Zeami’s Flower." Classical Japanese Philosophy (Nagoya: Nanzan Institute for Religion & Culture, 2010): 247–73.
  • Heisig, James W. “Nishida’s Medieval Bent,” Japanese Journal of Religious Studies 31/1 (2004): 55–72.
  • Heisig, James W. “Non-I and Thou: Nishida, Buber, and the Moral Consequences of Self-Actualization,” Philosophy *East and West 50: 2 (2000): 179–207.
  • Heisig, James W. “Philosophy as Spirituality: The Way of the Kyoto School,” Takeuchi Yoshinori et al., ed., Buddhist Spirituality. Volume 2: Later China, Korea, Japan, and the Modern World, (New York: Crossroad, 1999), 367–88.
  • Heisig, James W. “Nothing and Nowhere East and West: Nishida Kitarō and Hints of a Common Ground.” Angelaki 17/3 (2012): 17 –30. Angelaki 17/3 (2012): 17–30.
  • Loughnane, Adam. “Nishida and Merleau-Ponty: Art, ‘Depth,’ and ‘Seeing without a Seer,’” European Journal of Japanese Philosophy 1 (2016): 47–74.
  • Raud, Rein. "'Place' and 'being-time': spatiotemporal concepts in the thought of Nishida Kitarō and Dōgen Kigen." Philosophy East and West, 54 No 1 (2004): 29-51.
  • Rigsby, Curtis A. "Nishida on God, Barth and Christianity," Asian Philosophy 19, no. 2 (2009): 119-157.

Ligações externas